Útil


Do El Pais
por Juan Cruz

Lo que pasa con los brasileños es que se ríen. Un día le pregunté a Fernando Henrique Cardoso, el ex presidente, sobre cómo estaba su país, y dijo: “Mal, pero los brasileños no lo saben”. Decía Stefan Zweig que Brasil es el país del futuro. Y el malvado añadió: “Y siempre lo será”. Pero se ríen. Cuando Madrid llevó a Dinamarca su propuesta olímpica no contaba con eso, que Brasil se ríe, y Río es la capital de la risa, hasta en el nombre. Río. Y la risa es contagiosa. ¿Y Madrid se ríe? Madrid tiene el ceño fruncido ahora. ¿Por la crisis? Por el malhumor, que ya parece una coraza congénita. Cuando la acaben, decía Benedetti, vuelvo. Y mientras no se acabe, que se ría un poco, por lo menos.

¿Y a qué viene esto, ahora que ha pasado tanto tiempo desde que Río ganó la batalla? Viene a que está en España, recibiendo un premio que quizá no salga en los telediarios, el hombre que personifica esa manera tonificante de ver la vida, Ziraldo. Ayer le dieron el Premio Quevedo en la Universidad de Alcalá de Henares. Y se lo han dado porque ha estimulado durante años la risa de los brasileños dibujando a un niño que es como él, pero más chico.

América ha dado al menos dos filósofos dibujados en el siglo XX, entre otros. Una es Mafalda, de Quino, el argentino, y otro es Maluquinho, de Ziraldo. Lo ha dibujado durante decenios en Copacabana, debajo de unos quinqués antiguos, sentado ante una caipirinha. Es, por decirlo así, el Vinicius de Moraes del dibujo, y es querido como Pelé. Su personaje representa al muchacho alocado pero noble que cruza esas playas de Río haciendo ruindades y repartiendo risa.

Cuando Brasil no tenía de qué reírse tenía O menino Maluquinho. En España tenemos gente así, que hizo reír en las épocas oscuras. Como ahora parece que oscurece, a lo mejor sería el momento de revolver las videotecas para sacar aquellos tiempos en que Tip y Coll nos hacían reír con un vaso de agua. No cuesta nada reír, pero a veces cuesta tanto hacer reír. Ziraldo lo consiguió en Brasil, y por eso le han premiado en este adusto país que sólo se ríe si el otro se cae.

Shirley Bassey MY WAY


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Primeira Página

Uma Viagem Pela História do Brasil e do Mundo nas 223 Mais Importantes Capas da FOLHA Desde 1921

Folha de S.Paulo

Para comprar pelo telefone ligue para 0800 140090

Descrição

Em comemoração aos 85 anos da Folha de S.Paulo, esta edição do livro ‘Primeira Página’ apresenta uma viagem pela história do Brasil e do mundo por meio das 223 mais importantes capas dos jornais Folha da Noite, Folha da Manhã e Folha de S.Paulo, publicadas de 1921 até 2005. Dedicada à primeira página, esta coletânea destaca a importância estratégica desse espaço para a própria identidade do jornal, ao mesmo tempo que revela o grau de arbitrariedade presente na prática jornalística.

da Folha Online

Uma menina britânica surpreendeu os médicos ao despertar do estado de coma em que estava há cinco dias cantando “Mamma Mia!”, do grupo sueco Abba. A canção é a preferida de Layla Towsey, de apenas 3 anos.

A história aconteceu no domingo passado (24), no Hospital Saint Mary’s de Paddington, em Londres, onde Layla recuperou a consciência após entrar em coma por causa de uma meningite, segundo informa a imprensa britânica.

“Pude escutá-la cantando “Mamma Mia!” em voz baixa. Não conseguia acreditar”, explicou sua mãe, Katy Towsey, 23, que considerou “um milagre” a recuperação de sua filha.

A canção do grupo sueco, que fez muito sucesso na década de 70, era conhecida pela menina graças ao filme “Mamma Mia!”, musical estrelado por Meryl Streep em 2008.

“Realmente, é uma de suas canções preferidas, ela viu o filme e adorou”, disse a ainda incrédula mãe da garota.

Layla Towsey, que nasceu no condado de Essex (Inglaterra), ficou doente no mês passado e foi levada ao hospital por sua mãe que detectou uma espécie de brotoeja em sua perna. Ela chegou a sofrer um ataque cardíaco.

Os médicos diagnosticaram que a menina tinha meningite B e septicemia meningocócica, e tiveram que conectá-la a um respirador depois que sofreu o infarto. Conforme noticiou o jornal inglês “Metro”, a equipe chegou a falar para a família dar um beijo de despedida na garota.

Composições brasileiras e gravações feitas no país a partir de 1902 foram reunidas no site do Instituto Moreira Salles. As mais de 100 mil músicas fazem parte da bibliotecas de diversos colecionadores, como José Ramos Tinhorão, e coleções de artistas.

Entre as canções disponíveis é possível encontrar “Isto É Bom”. Composta por Xisto Bahia e interpretada por Baiano, essa foi a primeira música gravada no Brasil. Outro destaque, é a música “Pelo Telefone, primeiro samba gravado, em 1917.

Todas as músicas podem ser ouvidas online, por meio do Windows Media Player, da Microsoft, e QuickTime, da Apple. Além das canções, o acervo inclui obras de arte, literatura e fotografias.

Com informações da Folha Online

da Gazeta Mercantil/Caderno D

27 de Abril de 2009 – A briga é boa. O dinamarquês Lar von Trier com uma história de terror (“Antichrist’’), o francês Alain Resnais com um drama moderno (“Les Herbes Folles’’), o americano Quentin Tarantino com um filme de guerra (“Bastardos Inglórios’’) e o espanhol Pedro Almodóvar com um melodrama de humor negro (“Los abrazos Rotos’’). A lista da competição do 62º Festival de Cannes, que acontece entre os dias 13 e 24 de maio, revelada em Paris, reúne a nata do cinema de autor internacional, com vários nomes já consagrados pela Palma de Ouro. Da produção brasileira, até o momento, está confirmado o filme “À Deriva’’, de Heitor Dhalia, na mostra Un Certain Regard, o evento paralelo mais importante do festival.

A programação oficial deste ano será aberta com o desenho animado “Up – Altas Aventuras’’, dos estúdios Disney Pixar. Além dos cineastas citados, retornam à Riviera Francesa o inglês Ken Loach, que tenta sua segunda Palma com “Looking for Eric’’ (sobre um carteiro em crise que recebe conselhos de um amigo imaginário); a neozelandesa Jane Campion (de “O Piano’’) com “Bright Star’’, sobre os amores do poeta romântico John Keats; e o austríaco Michael Haneke (de “A Professora de Piano’’), concorrendo ao bicampeonato com “Das Weisse Band’’ (O Lado Branco).

Poucos filmes vêm de Hollywood. Além do filme de Traantino, Ang Lee exibirá “Taking Woodstock’’ e Sam Raimi volta ao horror com “Drag Me to Hell’’, escalado para uma das sessões da meia-noite.

“Acredito que a greve de roteiristas de Hollywood (entre o final de 2007 e o início de 2008) contribuiu para uma safra menor de filmes americanos com nosso perfil’’, analisa Thierry Fremaux, diretor artístico do evento.

Outra característica da seleção de 2009 é a predominância de filmes asiáticos. Dos 20 candidatos ao grande prêmio, quatro vêm daquele continente: “Spring Fever’’, de Lou Ye, “Face’’, de Tsai Ming-Liang, “Vengeance’’, de Johnny To, e “Thrist’’, de Park Chan-Wook. “A Ásia é o novo centro de criação e de recriação de tendências cinematográficas’’, atestou Gilles Jacob, diretor do festival.

No Brasil, Heitor Dhalia celebra seleção para a mostra Un Certain Regard. O pernambucano radicado em São Paulo considera que a exibição de “À Deriva’’, seu terceiro longa-metragem, no festival fecha um ciclo e dá início a um outro. O filme, nascido de uma parceria entre a brasileira O2 e a Focus Features inglesa, é a primeira co-produção internacional assinada pelo diretor de “O Cheiro do Ralo’’ (2006).

“Há dois anos estive em Cannes vendendo o projeto do filme a investidores estrangeiros.

Agora, vou aproveitar a estreia mundial dele no festival para anunciar novas parcerias internacionais’’, avisa o cineasta de 39 anos, cujo primeiro longa foi o sombrio “Nina’’ (2004), estrelado por Guta Stresser.

Seu novo filme, rodado nos arredores de Búzios (RJ), conta a história de Filipa (Laura Neiva), adolescente que passa as férias de verão com a família em uma casa de praia. Escrito pelo próprio Dhalia, a trama descreve um rito de passagem de uma jovem à sombra da iminente separação dos pais, o escritor Mathias (vivido pelo ator francês Vincent Cassel, de “Senhores do Crime’’), e a professora Clarice (Deborah Bloch). É o filme mais solar do diretor, que costumava perseguir personagens e ambientes melancólicos, como fez na minissérie “Alice’’, produzida para o canal HBO e exibida em 2008.

“Por incrível que possa parecer, considero esse meu filme mais pessoal. O enredo tem mais a ver comigo, está carregado de traços autobiográficos muito fortes, a infância à beira-mar, a deterioração do casamento dos meus pais. ‘À Deriva’ diverge dos meus outros trabalhos, não tem nada de sombrio, mas é o meu filme mais maduro’’, diz.

Do jornal O Globo (Editoria O Mundo – 26/04/2009)

Maureen Dowd

SÃO FRANCISCO. Alfred Hitchcock teria amado a sede do Twitter. Pássaros por todos os lados, pintados nas paredes em revoadas, empoleirados na mesa do café, costurados em almofadas e emoldurados nas paredes com balões pedindo para que os funcionários cuidem deles. Eu estive lá com um objetivo simples: queria saber se os inventores do Twitter são tão irritantes quanto sua invenção. (Não são. Eles têm seu charme.) Eu me sentei com Biz Stone, de 35 anos, e com Evan Williams, de 37 anos, e pedi para se justificarem.

EU: Vocês dizem que a concisão do Twitter favorece a criatividade. Então me pergunto se vocês conseguem limitar a resposta a 140 caracteres, como precisam fazer os usuários do Twitter. Parecem telegramas sem notícia. Sabemos agora que, durante a viagem do presidente a Trinidad e Tobago, saía água barrenta do chuveiro de Jake Tapper, da ABC. Há algum pensamento que não mereça ser publicado?

BIZ: Aquele que estou pensando agora.

EU: Vocês sabiam que estavam criando um brinquedo para celebridades entediadas e meninas adolescentes?
BIZ: Definitivamente não criamos para isso.

Mas se querem usar assim, ótimo.

EU: Ouvi falar de uma mulher que twittou no funeral do pai. O que aconteceu com a dor particular?
EVAN: Tenho dores particulares todo dia.

EU: Se o senhor estivesse saindo com uma mulher e ela começasse a twittar no meio, seria motivo de rompimento ou um estímulo?
BIZ: (Secamente.) No meio de quê?

EU: Em algum momento o senhor pensa “não me interessa se meu amigo está comendo um hambúrguer”?
BIZ: Se eu dissesse que estava comendo um hambúrguer, Evan ficaria surpreso porque sou vegetariano.

EU: O que você acha sobre o retrocesso de twittar em blogs? Não é um pouco como a panela implicando com a chaleira?
BIZ: Se as pessoas têm paixão pelo seu produto, quer seja amando ou odiando, ambos são cenários bons. As pessoas podem se ajudar durante desabastecimento de combustível, revoltas, terremotos e incêndios. Essa é a parte mais emocionante.

(Eles estão extrapolando os 140 caracteres, mas deve ser bom sair um pouco da gaiola do Twitter. Evan precisa sair. Biz e eu continuamos).

EU: Vocês não têm medo de serem engolidos pelo Google?
BIZ: Eles não te engolem, te chamam.

EU: Por que vocês batizaram a empresa de Twitter em vez de Clutter (espécie de interferência eletrônica)?
BIZ: Consideramos várias palavras como “Jitter” e outras que refletem um supernervosismo. Alguém sugeriu “Twitter”. Pensei: “Ah, esse é o tipo de informação banal e esgoelada que os pássaros dão.”

EU: O senhor acha que Shakespeare teria twittado?
BIZ: A concisão é a alma da sabedoria, certo?

EU: Houve alguma coisa na sua infância que o motivou a querer destruir a civilização como a conhecemos?
BIZ: A senhora quer dizer aprimorar a civilização, torná-la melhor?

EU: Qual seu livro preferido?
BIZ: Adorava Sherlock Holmes quando eu era criança.

EU: Mas o senhor ajudou a destruir o mistério…

BIZ: Quando você faz circular mais informação, às vezes você pode liberar só uma parte dela, o que só faz o mistério aumentar.

EU: Quando o jornal acabar, eu quero tentar a carreira de ghostwriter no Twitter. Que celebridade mais precisaria de ajuda?
BIZ: Definitivamente não Shaq (Shaquille O”Neal, que twittou no meio de um jogo à revelia do técnico). Britney, talvez.

EU: Gavin Newsom anunciou sua candidatura a governador pelo Twitter e em outros sites. Isso o torna o novo Larry King? BIZ: Anunciou? Não sabia.

EU: Preferia estar amarrada no meio do Deserto de Kalahari, com mel no corpo todo e um monte de formigas vermelhas comendo meus olhos a abrir uma conta no Twitter. O senhor tem algo a dizer para me fazer mudar de ideia?
BIZ: Bem, se você estiver nessa situação, vai querer um Twitter. Pode querer digitar a mensagem “Socorro”.

da Folha Online

O inglês Tim Parks mudou-se para a Itália em 1981, quando era um jovem adulto que não sabia bem o que fazer da vida. Sem grandes planos, encantou-se com o sol quente de agosto e o calor abafado de uma pequena aldeia próxima a Verona. Mais que isso: fascinou-se com a alma italiana, aquele “algo” indefinível que parece habitar e definir cada homem e mulher nascido na Itália.

Em “Uma Educação à Italiana”, continuação do best-seller “Meus Vizinhos Italianos” (ambos editados no Brasil pela Publifolha), Tim Parks dedica-se a descobrir como um italiano se torna um… italiano.

O livro está em promoção por tempo limitado no site da Publifolha, de R$ 47,00 por R$ 22,90.

Para isso, ele volta o olhar para seus filhos e os personagens que orbitam ao redor deles: sua mulher italiana Rita, seu sogro, o padre, a professora, o médico, os jovens de sua aldeia e tantos outros.

Leia Predictor, capítulo do livro em que Tim Parks narra um dia de verão sob o sol do Mar Adriático

É através da observação destes tipos reais que Parks pinta, em crônicas autobiográficas, um quadro da família italiana atual, descrevendo costumes, predileções, manias e comentando as leis não-escritas que regem as relações cotidianas na Itália.

As “aventuras” do casal Parks e seus bambinos funcionam como veículo para um exame –ao mesmo tempo divertido e profundo– dos rituais e das idiossincrasias italianas que afloram na escola, em casa, no trabalho e no lazer.

O resultado é uma análise espirituosa dos motivos que fazem os italianos serem tão italianos.

Para o leitor brasileiro, em especial para aquele que tem ascendência italiana, “Uma Educação à Italiana” despertará memórias afetivas e trará à tona sensações de familiaridade com as situações e os tipos descritos no livro.

Tim Parks é autor de 20 livros de sucesso, colaborador de publicações norte-americanas como New Yorker e professor da Universidade de Milão.

“Uma Educação à Italiana”
Autor: Tim Parks
Editora: Publifolha
Páginas: 428
Quanto: R$ 47,00
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 e no site da Publifolha

Da Folha Online

France Presse, em Bruxelas

Livros raros, antigos ou cujas edições se esgotaram, pinturas, músicas, manuscritos, mapas. O projeto Europeana, que a União Européia lança na próxima quinta-feira, pretende tornar acessível em apenas um site o imenso patrimônio cultural das bibliotecas nacionais do continente.

Esta é a idéia do portal multilíngue que armazenará não apenas livros, mas também outras obras digitalizadas em mãos de centros e instituições culturais européias.

“A Europeana representa uma aliança inédita entre as novas tecnologias e o mundo da cultura. Modificará de maneira profunda a forma que cada um terá acesso a partir de agora ao patrimônio cultural europeu”, afirmou a comissária européia da Sociedade de Informação, Viviane Reding.

Como primeira etapa do projeto, dois milhões de obras de arte estarão acessíveis na Europeana a partir de quinta-feira e o objetivo é incorporar mais oito milhões até 2010.

Entre os primeiros conteúdos estarão clássicos literários como “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, e documentos históricos como manuscritos de Beethoven e Mozart.

A criação da Europeana foi o objetivo-chave da iniciativa de digitalização de bibliotecas adotada pela Comissão Européia em 2005 com a intenção de abrir ao grande público o patrimônio cultural e científico dos 27 membros da UE.

Do AdNews

A Sociedade Brasileira de Otologia promove nesta segunda-feira (10) o “Dia da Audição”. A data faz parte da Campanha Nacional da Saúde Auditiva.

Um dos objetivos da campanha é alertar os jovens sobre os efeitos do uso contínuo do MP3. De acordo com dados da SOB, o volume de alguns tocadores pode chegar a 120 dB (decibéis), intensidade superior ao limite de 85 dB indicado para não causar danos ao ouvido.

Segundo uma pesquisa do Comitê Científico Europeu de Riscos à Saúde, a maioria dos jovens escuta música no MP3 com o volume entre 100 e 115 dB, o que causará traumas irreversíveis em 10 anos.

No site da campanha, é possível encontrar mais informações sobre os limites de decibéis, além de dicas para prevenção e diagnóstico de problemas auditivos.

Imagine me and you, I do
I think about you day and night
It’s only right
To think about the girl you love
And hold her tight
So happy together
If I should call you up
Invest a dime
And you say you belong to me
And ease my mind
Imagine how the world could be
So very fine
So happy together

{Refrain}
I can’t see me loving nobody but you
For all my life
When you’re with me
Baby the skies will be blue
For all my life
Me and you
And you and me
No matter how they tossed the dice
It had to be
The only one for me is you
And you for me
So happy together

{Refrain}

Me and you
And you and me
No matter how they tossed the dice
It had to be
The only one for me is you
And you for me
So happy together
So happy together
How is the weather
So happy together
We’re happy together
So happy together…

Letra do Terra Letras

Do Digestivo Cultural
por Lúcia Guimarães

Ele morreu na manhã do dia 4 de fevereiro de 1997, horas depois de exibir sintomas óbvios de infarto. Freqüentava um médico barato na capital americana da medicina. Caiu em casa, a um quarteirão de onde trabalhávamos da produção do Manhattan Connection.

Lembro daquela manhã em câmera lenta ― incredulidade misturada a gestos práticos, como manter segredo sobre o número do apartamento onde sua mulher Sonia Nolasco aguardava em choque a chegada do rabecão em companhia de Lucas Mendes. Um repórter ligou para a minha casa e tentou enganar minha filha para obter a informação.

Onze anos depois, ao passar pelo Brasil para comemorar os 15 anos do programa que existe graças, em parte, à estrela do Francis, sinto um certo descompasso entre o jornalista que se tornou meu amigo ao longo de anos de convívio diário e um fenômeno que, se não inventamos, emerge entre nós com uma freqüência triste. É a necrofilia de canivete suíço ― a memória dos mortos apropriada por sua múltipla utilidade. O Francis é um defunto conveniente, por mais de um motivo.

Sua coragem intelectual era baseada em décadas de experiência e pensamento crítico. Ele era produto de um Brasil hoje difícil de imaginar ― mais exatamente um Rio de Janeiro gentil e cosmopolita, onde o humor, a Bossa Nova, os escritores e a paisagem compunham um tableau irresistível. Depois de 23 anos de exílio voluntário, um dos meus prazeres secretos é ouvir a música do português falado por cariocas letrados com mais de 60 anos. Nenhum gerúndio idiota, o ritmo ondulante, os erres e esses macios mas não massacrados pelo surfês.

O ex-trotskista que, antes de morrer, tomou ódio de Fernando Henrique Cardoso numa guinada para a direita que, no final, parecia mais operática do que analítica, enfrentaria uma cobrança pós-11 de setembro. Como seria a coluna do Francis no quinto aniversário da brancaleônica invasão do Iraque? Como ele reagiria à ignorância analfabeta de George W.? Sofreria de cegueira ideológica ou, como seu recém falecido objeto de admiração e porta-voz conservador William Buckley Jr, escreveria sobre a estupidez criminosa que marcou a invasão?

Por pertencer a uma geração menos exposta ao comercialismo crasso travestido de maturidade empresarial, Francis foi poupado de rapazes imberbes com MBA’s. Ele se consolidou como comentarista de TV numa época em que o então diretor da Central Globo de Jornalismo, Armando Nogueira, cujo crédito pela manutenção do comentarista no ar não é devidamente atribuído, o protegia da ira de seus inimigos com acesso a Roberto Marinho.

Fazemos um desfavor ao Francis quando o consideramos em termos absolutos e projetamos nele a carência por um pater famílias editorial. Toda a reação por e-mail à morte do Francis dirigida ao Manhattan Connection bateu primeiro no meu computador. Só o 11 de setembro entupiu mais a minha caixa de correio eletrônico. O volume era de tal ordem que concluí serem os missivistas não apenas espectadores ou leitores com preocupações sobre o fim da guerra fria ou um eventual impeachment de Bill Clinton. Inúmeras cartas expressavam um sentimento de orfandade, até entre pessoas que discordariam da maioria das opiniões políticas emitidas em suas colunas. É natural que a televisão desperte este tipo de reação. O clichê do desconhecido que se torna uma figura familiar por entrar na sua sala de visitas pode ser facilmente aplicado aqui.

Mas, no caso do Francis, o luto antecipava a realidade. Afinal, depois que ele nos deixou, o colunismo se tornou epidêmico na imprensa onde o modelo de negócio fez encolher os jornais e a opinião custa mais barato do que a reportagem.

A originalidade representada pelo Francis ― um intelectual que engaja o leitor mesmo quando expressa opiniões difíceis de sustentar ― foi substituída pelo que um observador brilhante definiu como o novo colunista: uma atitude em busca de oportunidade. Ou, como disse o editor Paulo Roberto Pires, ao evocar outras tradições da polêmica brasileira, o dardo que se promove à custa do alvo.

Francis era capaz de fazer generalizações truculentas sobre seus inimigos ideológicos ou estéticos. Não devemos esquecer que ele era um esteta e um iconoclasta. Podia irromper numa ária em meio a uma discussão sobre a queda da bolsa ou derreter-se ao descrever uma pintura de Pierre Bonnard. Ele era independente o bastante para voltar atrás e não transformava seu eventual extremismo num pacote marquetável. Eu o vi ser cordial e até carinhoso com pessoas que teria destruído por escrito.

“Ele era um conservacionista, não um simples conservador,” corrige Sérgio Augusto, o jornalista cultural e colaborador do Estado de São Paulo. “Fui apresentado a ele pelo José Lino Grünewald, em meados dos anos 60 em frente ao cinema Vitória, na Rua Senador Dantas, um dos movie palaces do Rio de Janeiro”, lembra o jornalista, que recebeu de Millôr Fernandes o merecido apelido de Sérgio Augoogle. “West Side Story foi lançado naquele cinema.” Sérgio destaca a generosidade do Francis a quem deve dois empurrões que marcaram sua carreira ― os empregos no finado Pasquim e na Folha de São Paulo, de onde saiu, em 1996. Na ocasião, Francis lamentou a perda de Sérgio Augusto com uma frase que cada vez mais serve como mantra: acabou o asfalto.

Sérgio argumenta que o ex-colega defendia os cânones e seu amor à arte aplacava as incongruências políticas. E nota a ironia ― um dos mais famosos jornalistas da história da imprensa brasileira não era um estilista.

Várias vezes eu o testemunhei perplexa ditando o texto por telefone sem hesitação, seu leitor mal sabia que fazia o papel do psicanalista silencioso diante daquela copiosa associação livre. “Francis dizia que escrevia em alemão mal traduzido”, conta Sérgio Augusto, divertindo-se com memórias de seu notório desprezo por checar fatos. “Quando a Ava Gardner morreu, Francis escreveu que ela havia se casado com um baterista débil mental. Ele confundiu Artie Shaw, o marido com o Gene Kruppa. Shaw era tão culto que a Ava se sentia obrigada a ler para acompanhá-lo.”

Sei que o Francis vai ser lembrado por doses de misoginia. Mas, como trabalhei com ele todas as manhãs, de 1985 a 1990, no antigo escritório da Globo na Terceira Avenida, há que jogar luz sobre as outras faces. Conheci o colega mais velho que me puxou de lado, nos meus 28 anos, e fez um diagnóstico solidário dos desafios no casamento, na maternidade e na profissão que poucas amigas feministas teriam articulado então. Ele exibia um prazer genuíno e não angústia de castração ao ser apresentado a uma mulher inteligente. Adorava humor traquinas. Tinha uma dificuldade lendária de enfrentar manhãs e, como chegava ao escritório entre nove e meia e dez horas, acabava de acordar na pequena redação. Ao vê-lo entrar no escritório com um restinho de pasta de dentes no canto da boca e um ar ainda confuso, perguntando “O que está acontecendo?”, eu o divertia com a provocação: a sua pergunta se refere ao mundo ou à minha vida sexual? “Primeiro a sua vida sexual, é claro!”, ele exclamava.

Por que passamos tanto tempo falando de Paulo Francis, independente de termos desfrutado de sua companhia ou acompanhado sua trajetória com atenção?

A celebridade se tornou a perversa referência moral, existencial e política. Francis tinha se tornado personagem, como lembra Sérgio Augusto, ao citar o episódio do espectador que assistia ao Jornal da Globo num monitor da estação de trens e exclamou: “Este Chico Anysio é muito engraçado!” Mas havia substância por trás da fama.

Hoje Oprah Winfrey investe-se de autoridade para, ao mesmo tempo, combater a pobreza na África do Sul, discutir sexo entre adolescentes e encenar a humilhação pública nacional de um memorialista best-seller que fabricou fatos. Vivemos num lodaçal de platitudes servidas a consumidores da auto-ajuda.

Paulo Francis era um brasileiro germânico que jamais faltava ao trabalho, gravava seus segmentos quantas vezes fosse necessário. Tinha uma visão meritocrática e francamente elitista do mundo, enquanto mastigava um sanduíche letal em conversa animada com o motorista da Globo. Esta visão era mais generosa do que o pseudo-igualitarismo que grassa em tantos pastos da mídia contemporânea. O que diria Paulo Francis de tantos blogs, com fotos de gatinhos de estimação e recordações de viagens entediantes?

O populismo conservador, imagino, teria sido indigesto para o “Francês”, como o chamava Paschoal Carlos Magno, responsável pelo apelido que nos poupou de enrolar a língua com o longo Franz Paul Trannim da Matta Heilborn.

Ao abrir o New York Times, numa manhã fria de março, e descobrir que Rupert Murdoch decidiu desfigurar a tradicional primeira página de um de seus diários favoritos, o Wall Street Journal, Francis teria se apegado como um oportunista ao conservadorismo de Murdoch? Ou teria esbravejado contra mais uma referência cultural destruída?

O mundo, segundo Rupert Murdoch, de programas como American Idol e America’s Most Wanted seria tóxico para a constituição de Paulo Francis que proclamava, no ar, ao assistir a variados segmentos de cultura popular: “Estou tecnicamente morto!” Era seu grito de guerra, ou melhor, de frustração com a mediocridade, hoje fartamente representada pelo anti-intelectualismo conservador.

Paulo Francis não deixou herdeiros, e a idéia de que qualquer pessoa o substituiria, seja na reunião de condomínio ou em qualquer mídia, o faria explodir em palavrões. Ele era ciumento, zeloso do lugar que conquistara com sua história e não com sinergias. “Assim como Glauber Rocha deixou filhos bastardos, Francis deixou apenas imitadores”, conclui Sérgio Augusto. “A ‘esquerda cuecona’”, a expressão é de sua lavra, “é tão burra que não é difícil demarcar seu território no outro extremo ideológico. Você já sabe o que estas pessoas vão escrever, ao contrário do Francis, que continuava a nos surpreender.”

Desconfio que a memória do amigo saudoso, capaz de fazer uma imitação impagável do baiano malemolente, seria beneficiada por umas férias no litoral, longe da multidão insensata.


Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na revista Sax, em abril de 2008.

da Folha de S.Paulo

O Glary Utilities é um software gratuito que abarca uma série de ferramentas úteis para a manutenção do computador. Baixe-o em www.glaryutilities.com. É recomendável fazer back-up de arquivos importantes antes de usar o programa. Conheça abaixo algumas das ferramentas mais úteis do software e saiba como usá-las.

Manutenção em um clique – Esse recurso executa automaticamente seis ferramentas do programa –Limpador de Registro, Reparador de Atalho, Gerenciador de Inicialização, Limpador de Arquivos Temporários, Eliminador de Rastros e Removedor de Spyware. Na aba Manutenção 1 –Click, selecione as funções que quer executar e clique no botão Procurar por problemas. Depois da verificação, clique em Reparar problemas.
Reprodução

Limpar disco(s) - Essa ferramenta localiza automaticamente arquivos desnecessários para o funcionamento do sistema e os remove, liberando espaço no disco rígido. No aba Módulos, clique em Limpar & Reparar, depois em Limpar Disco(s) e escolha um ou mais discos rígidos. Clique em Próximo e aguarde a verificação. Ao fim, é possível selecionar os arquivos a remover. Clique de novo em Próximo e, finalmente, em Terminar.

Limpar registro – O Registro do Windows é um banco de dados com informações sobre configurações do sistema. Corrigir erros no Registro pode ajudar a melhorar o desempenho da máquina. Na aba Módulos, clique em Limpar Registro e depois em Verificar o Registro em busca de erros. Ao fim da verificação, clique em Reparar o Registro.

Análise de disco – Esse utilitário mostra as pastas mais volumosas, os tipos de arquivos que mais ocupam espaço e o ranking de arquivos mais pesados –em ordem decrescente. Assim, fica fácil ver o que está ocupando mais espaço no disco. Na aba Módulos, clique em Arquivos & Pastas e, depois, em Análise de Disco.

Escolha um ou mais discos rígidos a serem analisados. Quando localizar um arquivo de que não vai mais precisar, clique nele com o botão direito e escolha Excluir. Tome cuidado para não remover arquivos do sistema.

Gerenciar inicialização – Alguns programas, ao serem instalados, passam a iniciar simultaneamente com o Windows. O excesso de softwares executados automaticamente pode tornar a inicialização e a operação do sistema mais lentas. Com essa ferramenta, é possível verificar quais programas estão sendo iniciados automaticamente, além de conferir se alguns deles são maliciosos.

Na aba Módulos, clique em Otimizar & Melhorar e, depois, em Gerenciar Inicialização. Quando localizar um processo desnecessário ou suspeito –as informações sobre segurança partem de um banco de dados alimentado por usuários–, desmarque a caixinha ao lado do ícone do programa em questão e clique em Atualizar.

Outras funções – Há ainda ferramentas de correção de atalhos quebrados, eliminação de rastros de uso de internet e remoção de arquivos duplicados.

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