May 2009


por Diogo Mainardi

Mister Maker tem um programa no Discovery Kids. Ele ensina a pintar coelhos e paisagens marinhas usando materiais insólitos como balas de goma, embalagens de ovos e tampinhas de garrafa. Vik Muniz é o Mister Maker do MoMA. Ele reproduz a Mona Lisa com pasta de amendoim e a Última Ceia com calda de chocolate. Em vez de ganhar um programa no Discovery Kids, ele tem suas obras compradas pelo Museu de Arte Moderna de Nova York.

Aleijadinho? Portinari? Hélio Oiticica? Lygia Clark? Ninguém é páreo para Vik Muniz. Ele é o artista brasileiro mais festejado de todos os tempos. Ele está para a arte brasileira assim como Leonardo da Vinci está para a arte italiana. O que já diz tudo sobre a arte brasileira. Vik Muniz valorizou as técnicas mais desprezadas da história da arte: a cópia e o trompe-l’oeil. Primeiro, ele copia, fotografando. Em seguida, reconstrói a imagem colando sobre ela elementos de uso cotidiano, como molho de tomate, geleia de amora e soldadinhos de plástico, em forma de mosaico. O resultado se assemelha às telas de Arcimboldo, o pintor maneirista que compunha figuras humanas a partir de legumes, frutas e livros. Além de ser o Mister Maker do MoMa, Vik Muniz é o Arcimboldo cearense. O Arcimboldo pau de arara.

Nos últimos anos, os artistas brasileiros se espalharam por museus e galerias dos Estados Unidos e da Europa. Vik Muniz é o mais popular de todos. Mas há outros na cola dele. Em particular: Cildo Meireles, Beatriz Milhazes e Ernesto Neto. Inicialmente, eles eram patrocinados pelo Banco Santos, do fraudador Edemar Cid Ferreira. Assim como as mulheres dos deputados, os artistas brasileiros iam a Veneza, Berlim ou Nova York com todas as despesas pagas pelos contribuintes. Agora isso mudou. Eles ganharam o mercado mundial. Em 1891, Paul Gauguin abandonou Paris e foi retratar os selvagens no Taiti. Um século depois, os artistas brasileiros percorreram o caminho inverso: eles representam os selvagens do Taiti indo retratar Paul Gauguin em Paris. Vik Muniz é aquela taitiana com o seio de fora. Ele é aquela taitiana de cócoras. Ele é aquela taitiana segurando uma fatia de melancia.

A meta de Vik Muniz é “romper a hierarquia da arte”. É o que ele faz quando pendura uma cópia de Rafael ao lado de uma cópia de Bosch. O mesmo discurso populista e popularesco é estendido ao público de suas obras. Segundo ele, tanto faz se o espectador é um curador de arte ou um bilheteiro. Vik Muniz sempre diz que é um produto do Brasil. E é mesmo. Nós rompemos a hierarquia das ideias, dos valores, dos gostos, dos costumes, das leis. Os outros fizeram a Mona Lisa. Nós a lambuzamos com pasta de amendoim.

Do Digestivo Cultural

Quando alguém do seu lado vier lamuriar sobre não existirem mais gênios na nossa época, você pode citar Steve Jobs. Jobs provocou tantas revoluções quanto Miles Davis e Pablo Picasso. Jobs e Wozniak fundaram a Apple, no final dos anos 70, e começaram a revolução do computador pessoal (antes da IBM). Jobs, fora da Apple, criou o estúdio de animação que revolucionou Hollywood, a Pixar (adquirido recentemente pela Disney). E Jobs, de volta à Apple, lançou o aparelho eletrônico que está prestes a se tornar o mais vendido na história (superando o walkman da Sony), o iPod. Sem contar outras revoluções – menores? -, o Macintosh (o primeiro com interface gráfica e mouse), o iTunes (também chamado redentor das gravadoras) e o iPhone (redentor das telefônicas pós-VoIP). Steve Jobs tem defeitos, claro: é centralizador (o que lança dúvidas sobre o futuro da Apple); é intolerante (só está interessado em inteligências de três dígitos); e é obsessivo (em tempos de “don’t worry, be crappy” – quando pouca gente liga para a perfeição). Steve Jobs – dizem – não gosta de se expor (tem acesso direto aos melhores profissionais); não liga para dinheiro (porque sempre teve muito, ou nada); e não liga para bens materiais (é budista, e vegetariano). Mesmo assim, Leander Kahney escreveu um livro inteiro sobre o método de trabalho de Jobs, complementando, óbvio, com sua personalidade e um pouco de sua vida pessoal. E, assim como o iPod e o iPhone são, ao mesmo tempo, best-sellers e uma vitória da tecnologia e do design, A cabeça de Steve Jobs é um livro obrigatório e, ao mesmo tempo, está na lista de “mais vendidos” (sem ser autoajuda ou jabá). E então: você vai continuar ouvindo que não existem mais gênios na nossa época ou vai preferir contra-argumentar, lendo Kahney sobre Jobs?

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Primeira Página

Uma Viagem Pela História do Brasil e do Mundo nas 223 Mais Importantes Capas da FOLHA Desde 1921

Folha de S.Paulo

Para comprar pelo telefone ligue para 0800 140090

Descrição

Em comemoração aos 85 anos da Folha de S.Paulo, esta edição do livro ‘Primeira Página’ apresenta uma viagem pela história do Brasil e do mundo por meio das 223 mais importantes capas dos jornais Folha da Noite, Folha da Manhã e Folha de S.Paulo, publicadas de 1921 até 2005. Dedicada à primeira página, esta coletânea destaca a importância estratégica desse espaço para a própria identidade do jornal, ao mesmo tempo que revela o grau de arbitrariedade presente na prática jornalística.

da Folha Online

Uma menina britânica surpreendeu os médicos ao despertar do estado de coma em que estava há cinco dias cantando “Mamma Mia!”, do grupo sueco Abba. A canção é a preferida de Layla Towsey, de apenas 3 anos.

A história aconteceu no domingo passado (24), no Hospital Saint Mary’s de Paddington, em Londres, onde Layla recuperou a consciência após entrar em coma por causa de uma meningite, segundo informa a imprensa britânica.

“Pude escutá-la cantando “Mamma Mia!” em voz baixa. Não conseguia acreditar”, explicou sua mãe, Katy Towsey, 23, que considerou “um milagre” a recuperação de sua filha.

A canção do grupo sueco, que fez muito sucesso na década de 70, era conhecida pela menina graças ao filme “Mamma Mia!”, musical estrelado por Meryl Streep em 2008.

“Realmente, é uma de suas canções preferidas, ela viu o filme e adorou”, disse a ainda incrédula mãe da garota.

Layla Towsey, que nasceu no condado de Essex (Inglaterra), ficou doente no mês passado e foi levada ao hospital por sua mãe que detectou uma espécie de brotoeja em sua perna. Ela chegou a sofrer um ataque cardíaco.

Os médicos diagnosticaram que a menina tinha meningite B e septicemia meningocócica, e tiveram que conectá-la a um respirador depois que sofreu o infarto. Conforme noticiou o jornal inglês “Metro”, a equipe chegou a falar para a família dar um beijo de despedida na garota.

(…) Sobre o jardim prometido pela prefeitura de Mumbai: creio que ele nunca sairá do papel. Sobre a estrada de ferro: ela logo será retomada pelos barracos. Sobre os policiais: eles batem também em inocentes. Sobre os realizadores de Quem Quer Ser um Milionário?: o dinheiro é deles, e eles podem gastá-lo como bem entenderem. Mesmo assim, entre uma sociedade que aceita demolir barracos, como a indiana, e uma sociedade que se recusa a demolir barracos, como a brasileira, a que aceita demolir barracos necessariamente acabará predominando. Cedo ou tarde, Rubina Ali terá onde dormir. Cedo ou tarde, Azharuddin Mohammed Ismail terá outra galinha. (…)



Por Diogo Mainardi, na Veja, sobre a protagonista de Quem ser ser um Milionário?, que teve seu barraco demolido em Mumbai.

Composições brasileiras e gravações feitas no país a partir de 1902 foram reunidas no site do Instituto Moreira Salles. As mais de 100 mil músicas fazem parte da bibliotecas de diversos colecionadores, como José Ramos Tinhorão, e coleções de artistas.

Entre as canções disponíveis é possível encontrar “Isto É Bom”. Composta por Xisto Bahia e interpretada por Baiano, essa foi a primeira música gravada no Brasil. Outro destaque, é a música “Pelo Telefone, primeiro samba gravado, em 1917.

Todas as músicas podem ser ouvidas online, por meio do Windows Media Player, da Microsoft, e QuickTime, da Apple. Além das canções, o acervo inclui obras de arte, literatura e fotografias.

Com informações da Folha Online

por Luís Fernado Veríssimo, no Blog do Noblat

Já contei que uma vez o Jorge Furtado comprou um programa de traduções para o seu computador e fez uma experiência. Digitou toda a letra do nosso Hino Nacional em português e pediu para o computador traduzi-la sucessivamente em inglês, francês, alemão, holandês, etc. Do português para o inglês, do inglês para o francês e assim por diante até ser traduzida da última língua do programa de volta para o português. Segundo o Jorge, a única palavra que fez todo o circuito e voltou intacta foi “fúlgidos”. Em inglês, “salve, salve” ficou “hurray, really hurray” e parece que em alemão o texto ficou irreconhecível como hino, mas, em compensação, reformulou todo o conceito kantiano do ser enquanto categoria transcendental imanente em si.

Gostei de saber do fracasso do computador. O meu barato era ver computador ridicularizado. Uma implicância mesquinha, reconheço. Eu a via como um último gesto de resistência à beira da obsolescência. Não podia viver sem o computador, mas minha antipatia crescia com o convívio. O programa de texto que eu usava era à prova de erro ortográfico. O computador não me deixava errar, por mais que eu tentasse. Subvertia o que eu tinha de mais pessoal e enternecedor e sublinhava meus erros com vermelho insolente.

Não era raro eu repetir o erro, para desafiá-lo e mostrar que alguns dos nossos ainda não tinham se intimidado, na esperança de que ele desconfiasse que eu estivesse certo – ou fosse um caso perdido – e retirasse a correção. Nunca aconteceu. Ele não tinha dúvidas da sua superioridade. Ele não tinha nenhum senso de humor. Daí minha alegria ao saber do seu fracasso como tradutor.

Mas agora – arrá! – somos iguais. Com a reforma ortográfica ele se tornou tão obsoleto quanto eu. Ficou ridículo, insistindo em tremas e hífens que não existem mais. Acabou a sua empáfia! E eu serei implacável. Sei que é fácil atualizar o programa de acordo com as novas regras, mas não farei isto imediatamente. Antes quero saborear a minha vingança. E a cada vez que ele sublinhar em vermelho uma palavra minha, direi: “Burro é você! Burro é você!”