Não perca!
Lygia Fagundes Telles

29/04
Não perca!
Lygia Fagundes Telles

27/04
27 de Abril de 2009 – A briga é boa. O dinamarquês Lar von Trier com uma história de terror (“Antichrist’’), o francês Alain Resnais com um drama moderno (“Les Herbes Folles’’), o americano Quentin Tarantino com um filme de guerra (“Bastardos Inglórios’’) e o espanhol Pedro Almodóvar com um melodrama de humor negro (“Los abrazos Rotos’’). A lista da competição do 62º Festival de Cannes, que acontece entre os dias 13 e 24 de maio, revelada em Paris, reúne a nata do cinema de autor internacional, com vários nomes já consagrados pela Palma de Ouro. Da produção brasileira, até o momento, está confirmado o filme “À Deriva’’, de Heitor Dhalia, na mostra Un Certain Regard, o evento paralelo mais importante do festival.
A programação oficial deste ano será aberta com o desenho animado “Up – Altas Aventuras’’, dos estúdios Disney Pixar. Além dos cineastas citados, retornam à Riviera Francesa o inglês Ken Loach, que tenta sua segunda Palma com “Looking for Eric’’ (sobre um carteiro em crise que recebe conselhos de um amigo imaginário); a neozelandesa Jane Campion (de “O Piano’’) com “Bright Star’’, sobre os amores do poeta romântico John Keats; e o austríaco Michael Haneke (de “A Professora de Piano’’), concorrendo ao bicampeonato com “Das Weisse Band’’ (O Lado Branco).
Poucos filmes vêm de Hollywood. Além do filme de Traantino, Ang Lee exibirá “Taking Woodstock’’ e Sam Raimi volta ao horror com “Drag Me to Hell’’, escalado para uma das sessões da meia-noite.
“Acredito que a greve de roteiristas de Hollywood (entre o final de 2007 e o início de 2008) contribuiu para uma safra menor de filmes americanos com nosso perfil’’, analisa Thierry Fremaux, diretor artístico do evento.
Outra característica da seleção de 2009 é a predominância de filmes asiáticos. Dos 20 candidatos ao grande prêmio, quatro vêm daquele continente: “Spring Fever’’, de Lou Ye, “Face’’, de Tsai Ming-Liang, “Vengeance’’, de Johnny To, e “Thrist’’, de Park Chan-Wook. “A Ásia é o novo centro de criação e de recriação de tendências cinematográficas’’, atestou Gilles Jacob, diretor do festival.
No Brasil, Heitor Dhalia celebra seleção para a mostra Un Certain Regard. O pernambucano radicado em São Paulo considera que a exibição de “À Deriva’’, seu terceiro longa-metragem, no festival fecha um ciclo e dá início a um outro. O filme, nascido de uma parceria entre a brasileira O2 e a Focus Features inglesa, é a primeira co-produção internacional assinada pelo diretor de “O Cheiro do Ralo’’ (2006).
“Há dois anos estive em Cannes vendendo o projeto do filme a investidores estrangeiros.
Agora, vou aproveitar a estreia mundial dele no festival para anunciar novas parcerias internacionais’’, avisa o cineasta de 39 anos, cujo primeiro longa foi o sombrio “Nina’’ (2004), estrelado por Guta Stresser.
Seu novo filme, rodado nos arredores de Búzios (RJ), conta a história de Filipa (Laura Neiva), adolescente que passa as férias de verão com a família em uma casa de praia. Escrito pelo próprio Dhalia, a trama descreve um rito de passagem de uma jovem à sombra da iminente separação dos pais, o escritor Mathias (vivido pelo ator francês Vincent Cassel, de “Senhores do Crime’’), e a professora Clarice (Deborah Bloch). É o filme mais solar do diretor, que costumava perseguir personagens e ambientes melancólicos, como fez na minissérie “Alice’’, produzida para o canal HBO e exibida em 2008.
“Por incrível que possa parecer, considero esse meu filme mais pessoal. O enredo tem mais a ver comigo, está carregado de traços autobiográficos muito fortes, a infância à beira-mar, a deterioração do casamento dos meus pais. ‘À Deriva’ diverge dos meus outros trabalhos, não tem nada de sombrio, mas é o meu filme mais maduro’’, diz.
27/04
Do jornal O Globo (Editoria O Mundo – 26/04/2009)
Maureen Dowd
SÃO FRANCISCO. Alfred Hitchcock teria amado a sede do Twitter. Pássaros por todos os lados, pintados nas paredes em revoadas, empoleirados na mesa do café, costurados em almofadas e emoldurados nas paredes com balões pedindo para que os funcionários cuidem deles. Eu estive lá com um objetivo simples: queria saber se os inventores do Twitter são tão irritantes quanto sua invenção. (Não são. Eles têm seu charme.) Eu me sentei com Biz Stone, de 35 anos, e com Evan Williams, de 37 anos, e pedi para se justificarem.
EU: Vocês dizem que a concisão do Twitter favorece a criatividade. Então me pergunto se vocês conseguem limitar a resposta a 140 caracteres, como precisam fazer os usuários do Twitter. Parecem telegramas sem notícia. Sabemos agora que, durante a viagem do presidente a Trinidad e Tobago, saía água barrenta do chuveiro de Jake Tapper, da ABC. Há algum pensamento que não mereça ser publicado?
BIZ: Aquele que estou pensando agora.
EU: Vocês sabiam que estavam criando um brinquedo para celebridades entediadas e meninas adolescentes?
BIZ: Definitivamente não criamos para isso.
Mas se querem usar assim, ótimo.
EU: Ouvi falar de uma mulher que twittou no funeral do pai. O que aconteceu com a dor particular?
EVAN: Tenho dores particulares todo dia.
EU: Se o senhor estivesse saindo com uma mulher e ela começasse a twittar no meio, seria motivo de rompimento ou um estímulo?
BIZ: (Secamente.) No meio de quê?
EU: Em algum momento o senhor pensa “não me interessa se meu amigo está comendo um hambúrguer”?
BIZ: Se eu dissesse que estava comendo um hambúrguer, Evan ficaria surpreso porque sou vegetariano.
EU: O que você acha sobre o retrocesso de twittar em blogs? Não é um pouco como a panela implicando com a chaleira?
BIZ: Se as pessoas têm paixão pelo seu produto, quer seja amando ou odiando, ambos são cenários bons. As pessoas podem se ajudar durante desabastecimento de combustível, revoltas, terremotos e incêndios. Essa é a parte mais emocionante.
(Eles estão extrapolando os 140 caracteres, mas deve ser bom sair um pouco da gaiola do Twitter. Evan precisa sair. Biz e eu continuamos).
EU: Vocês não têm medo de serem engolidos pelo Google?
BIZ: Eles não te engolem, te chamam.
EU: Por que vocês batizaram a empresa de Twitter em vez de Clutter (espécie de interferência eletrônica)?
BIZ: Consideramos várias palavras como “Jitter” e outras que refletem um supernervosismo. Alguém sugeriu “Twitter”. Pensei: “Ah, esse é o tipo de informação banal e esgoelada que os pássaros dão.”
EU: O senhor acha que Shakespeare teria twittado?
BIZ: A concisão é a alma da sabedoria, certo?
EU: Houve alguma coisa na sua infância que o motivou a querer destruir a civilização como a conhecemos?
BIZ: A senhora quer dizer aprimorar a civilização, torná-la melhor?
EU: Qual seu livro preferido?
BIZ: Adorava Sherlock Holmes quando eu era criança.
EU: Mas o senhor ajudou a destruir o mistério…
BIZ: Quando você faz circular mais informação, às vezes você pode liberar só uma parte dela, o que só faz o mistério aumentar.
EU: Quando o jornal acabar, eu quero tentar a carreira de ghostwriter no Twitter. Que celebridade mais precisaria de ajuda?
BIZ: Definitivamente não Shaq (Shaquille O”Neal, que twittou no meio de um jogo à revelia do técnico). Britney, talvez.
EU: Gavin Newsom anunciou sua candidatura a governador pelo Twitter e em outros sites. Isso o torna o novo Larry King? BIZ: Anunciou? Não sabia.
EU: Preferia estar amarrada no meio do Deserto de Kalahari, com mel no corpo todo e um monte de formigas vermelhas comendo meus olhos a abrir uma conta no Twitter. O senhor tem algo a dizer para me fazer mudar de ideia?
BIZ: Bem, se você estiver nessa situação, vai querer um Twitter. Pode querer digitar a mensagem “Socorro”.
23/04
Depois de 6 meses, finalmente, consigo dizer o que é conhecer Paris. Sim! Seis meses; desde outubro, penso na viagem. Em cada momento, cada lembrança, cada uma das 1500 fotos e um caderno cheio de entradas de museu, tickets de metrô, papéis e recordações do que é conhecer Paris…

Conhecer Paris é caminhar. Caminhar pelas ruas estreitas, pelas grandes avenidas, pelos jardins floridos, pelo Louvre, pelo D’orsay, pelo Jardim des Tulleries, pelo Trodero, pelo Père Lachaise, pelo Champs de Mars… enfim, é caminhar. Nada de ficar enfurnado num metrô.
Conhecer Paris é se encantar com cada detalhe dos prédios de 1800, onde moram cidadãos comuns, como eu e você. É ir ao supermercado comprar queijo e vinho. É comprar coisas que você nem imagina o que seja e fazer piquenique na cama do hotel com tudo isso.
Conhecer Paris é ter vários mapas da cidade – alguns recolhidos no aeroporto, outros tantos das Galerias Lafayette. É marcar no mapa, com o lápis do hotel, o roteiro do dia seguinte.
Conhecer Paris é ir ao Louvre e encarar a Monalisa.Ver a coroa do Rei Sol, do Napoleão e o Código de Amurabi.

É passar 20 minutos caminhando para encontrar a Vênus de Milo. É comprar “coisinhas” na loja do museu e acabar o passeio debaixo da Pirâmide.


Conhecer Paris é sentar num Café, comer croissant e pain o chocolat. É entrar na padaria e sair de lá um uma baguete. É comer macarron chez Les Délices de Manon. É tomar chocolate quente, comer sorvete, sanduiche de baguete, queijo, vinho, mais queijo, mais vinho.

Conhecer Paris é passear às margens do Sena. É passar por todas as pontes (de l’Alma, Pont Neuf, St. Michel, des Arts, du Carrousel, Pont Royal, de la Concorde, des Invalides…). É apreciar cada detalhe em ouro da Pont Alexandre.

E depois de atravessá-la, ver dos detalhes do Grand e do Petit Palais, antes de seguir para Place de la Concorde.

Conhecer Paris é ir ao museu Rodin e encarar o Pensador e ver a delicadeza das mãos esculpidas pelo artista.


É ir ao D’Orsay e ver que o grande relógio da antiga estação ainda marca as chegadas e partidas, mesmo que imaginárias.

É ver o Obelisco e imaginar como foi parar ali. É pensar no gênio que foi André Le Notre ao criar jardins tão lindos, há tanto tempo.

Conhecer Paris é ir ao cemitério. É passar uma tarde no Père Lachaise, outra no cemitério de Montmartre.



É ver o túmulo dos famosos: Oscar Wilde, Jim Morrison, Larousse (o da enciclopédia!), Edith Piaf, Balzac, Molière, La Fontaine, Rossini, Chopin, Heloisa e Abelardo, Sartre e Simone de Beauvoir. E quase desistir, antes de encontrar o da Maria Calas

Conhecer Paris é ver as galerias de arte, no meio da rua.


Conhecer Paris é respirar história. É conhecer igrejas – Notre Damme, Saint Suplice, Saint Germain de Près, Sainte Clotilde.
É imaginar como eram as missas em 1200.
Conhecer Paris é ir às compras. Em lojas de museu, nos pequenos comércios perto dos pontos turísticos. E não esquecer de passear pelas Grandes Galeries (Printemps e Lafayette).

É ir ao terraço da Lafayette e ver a L’Ópera pelos fundos e a cidade de cima. É entrar na Sephora e comprar perfumes.
Conhecer Paris é ir a livrarias. Todas que encontrar. Pequenas, grandes, sebos. É ver o Moulin Rouge, a Tour Eiffel. Passear nos Jardins de Luxemburg e ver que a arte está em todos os lugares.
Conhecer Paris é ver a tumba do Napoleão, visitar o Musée D’Armée e ver quão magnífico é o domo da Église du Dôme. É – mais uma vez – passar pela loja do museu e comprar uma medalha do Napoleão.

Conhecer Paris é subir à Sacre Coeur (pela escada!)…
…e descer de trenzinho.


É apreciar o colorido das floriculturas e dos jardins da cidade. É imaginar quantas cores ainda cabem na palheta de quem os criou.
Conhecer Paris é ver a Torre Eiffel de vários pontos da cidade.

É apreciar sua beleza arquitetônica também à noite.

Conhecer Paris é ouvir jazz na rua.

É ver um dos primeiros cabarés da cidade.
Por tudo isso, e muito mais…
…conhecer Paris é um estado de espírito!