March 2009
27/03
25/03
La verdadera edad de los países (original)
Tradução:
por Hernan Casciari
Li uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha, só que mais jovem. Gostei dessa teoria e aí inventei um truque para descobrir a idade dos países baseando-me no ’sistema cão’.
Desde meninos nos explicam que para saber se um cão é jovem ou velho, deveríamos multiplicar a sua idade biológica por 7. No caso de países temos que dividir a sua idade histórica por 14 para conhecer a sua correspondência humana.
Confuso? Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores.
Argentina nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividimos estes anos por 14, a Argentina tem ‘humanamente’ cerca de 13 anos e meio, ou seja, está na pré-adolescência. É rebelde, se masturba, não tem memória, responde sem pensar e está cheia de acne.
Quase todos os países da América Latina têm a mesma idade, e como acontece nesses casos, eles formam gangues. A gangue do Mercosul é formada por quatro adolescentes que tem um conjunto de rock. Ensaiam em uma garagem, fazem muito barulho, e jamais gravaram um disco.
A Venezuela, que já tem peitinhos, está querendo unir-se a eles para fazer o coro. Em realidade, como a maioria das mocinhas da sua idade, quer é sexo, neste caso com Brasil que tem 14 anos e um membro grande.
O México também é adolescente, mas com ascendente indígena. Por isso, ri pouco e não fuma nem um inofensivo baseado, como o resto dos seus amiguinhos. Mastiga coca, e se junta com os Estados Unidos, um retardado mental de 17 anos, que se dedica a atacar os meninos famintos de 6 anos em outros continentes.
No outro extremo, está a China milenária. Se dividirmos os seus 1.200 anos por 14 obtemos uma senhora de 85, conservadora, com cheiro a xixi de gato, que passa o dia comendo arroz porque não tem – ainda – dinheiro para comprar uma dentadura postiça.
A China tem um neto de 8 anos, Taiwan, que lhe faz a vida impossível. Está divorciada faz tempo de Japão, um velho chato, que se juntou às Filipinas, uma jovem pirada, que sempre está disposta a qualquer aberração em troca de grana.
Depois, estão os países que são maiores de idade e saem com o BMW do pai. Por exemplo, Austrália e Canadá. Típicos países que cresceram ao amparo de papai Inglaterra e mamãe França, tiveram uma educação restrita e antiquada e agora se fingem de loucos. A Austrália é uma babaca de pouco mais de 18 anos, que faz topless e sexo com a África do Sul. O Canadá é um mocinho gay emancipado, que a qualquer momento pode adotar o bebê Groenlândia para formar uma dessas famílias alternativas que estão de moda.
A França é uma separada de 36 anos, mais puta que uma galinha, mas muito respeitada no âmbito profissional. Tem um filho de apenas 6 anos: Mônaco, que vai acabar virando puto ou bailarino… ou ambas coisas. É a amante esporádica da Alemanha, um caminhoneiro rico que está casado com Áustria, que sabe que é chifruda, mas que não se importa.
A Itália é viúva faz muito tempo. Vive cuidando de São Marino e do
Vaticano, dois filhos católicos gêmeos idênticos. Esteve casada em segundas núpcias com Alemanha (por pouco tempo e tiveram a Suíça), mas agora não quer saber mais de homens. A Itália gostaria de ser uma mulher como a Bélgica: advogada, executiva independente, que usa calças e fala de política de igual para igual com os homens (A Bélgica também fantasia de vez em quando que sabe preparar espaguete).
A Espanha é a mulher mais linda de Europa (possivelmente a França se iguale a ela, mas perde espontaneidade por usar tanto perfume). É muito tetuda e quase sempre está bêbada. Geralmente se deixa foder pela Inglaterra e depois a denuncia. A Espanha tem filhos por todas as partes (quase todos de 13 anos), que moram longe. Gosta muito deles, mas a perturbam quando têm fome, passam uma temporada na sua casa e assaltam sua geladeira.
Outro que tem filhos espalhados no mundo é a Inglaterra. Sai de barco de noite, transa com alguns babacas e nove meses depois, aparece uma nova ilha em alguma parte do mundo. Mas não fica de mal com ela. Em geral, as ilhas vivem com a mãe, mas a Inglaterra as alimenta. A Escócia e a Irlanda, os irmãos de Inglaterra que moram no andar de cima, passam a vida inteira bêbados e nem sequer sabem jogar futebol. São a vergonha da família.
A Suécia e a Noruega são duas lésbicas de quase 40 anos, que estão bem de corpo, apesar da idade, mas não ligam para ninguém. Transam e trabalham, pois são formadas em alguma coisa. Às vezes, fazem trio com a Holanda (quando necessitam maconha); outras vezes cutucam a Finlândia, que é um cara meio andrógino de 30 anos, que vive só em um apartamento sem mobília e passa o tempo falando pelo celular com Coréia.
A Coréia (a do sul) vive de olho na sua irmã esquizóide. São gêmeas, mas a do Norte tomou líquido amniótico quando saiu do útero e ficou estúpida. Passou a infância usando pistolas e agora, que vive só, é capaz de qualquer coisa. Estados Unidos, o retardadinho de 17 anos, a vigia muito, não por medo, mas porque quer pegar as suas pistolas.
Israel é um intelectual de 62 anos que teve uma vida de merda. Faz alguns anos, Alemanha, o caminhoneiro, não a viu e a atropelou. Desde esse dia, Israel ficou que nem louco. Agora, em vez de ler livros, passa o dia na sacada jogando pedras na Palestina, que é uma mocinha que está lavando a roupa na casa do lado.
Irã e Iraque eram dois primos de 16 que roubavam motos e vendiam as peças, até que um dia roubaram uma peça da motoca dos Estados Unidos e acabou o negocio para eles. Agora estão comendo lixo.
O mundo estava bem assim até que, um dia, a Rússia se juntou (sem casar) com a Perestroika e tiveram uma dúzia e meia de filhos. Todos esquisitos, alguns mongolóides, outros esquizofrênicos.
Faz uma semana, e por causa de um conflito com tiros e mortos, os habitantes sérios do mundo, descobrimos que tem um país que se chama Kabardino-Balkaria. É um país com bandeira, presidente, hino, flora, fauna… e até gente! Eu fico com medo quando aparecem países de pouca idade, assim de repente. Que saibamos deles por ter ouvido falar e ainda temos que fingir que sabíamos, para não passar por ignorantes.
Mas aí, eu pergunto: por que continuam nascendo países, se os que já existem ainda não funcionam?
NOTA SOBRE O AUTOR:
Hernán Casciari nasceu em Mercedes (Buenos Aires), a 16 de março de 1971. Escritor e jornalista argentino. É conhecido por seu trabalho ficcional na Internet, onde tem trabalhado na união entre literatura e blog, destacado na blognovela. Sua obra mais conhecida na rede, “Weblog de una mujer gorda”, foi editada em papel, com o título: “Más respeto, que soy tu madre”.
13/03
Para “Economist”, telenovelas influem positivamente no Brasil
Posted by Laura under NotíciasLeave a Comment
Intitulado “Soaps, sex and sociology” (novelas, sexo e sociologia, em tradução livre), o artigo cita um estudo publicado recentemente pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que sugere que as telenovelas exerceram influência sobre a fertilidade e o número de divórcios no Brasil nas últimas décadas.
Segundo o estudo, a chegada do sinal da TV Globo em determinadas regiões estaria associada a um declínio de 0,6 ponto percentual na possibilidade de uma mulher ter filhos em um determinado ano.
Além disso, de acordo com a pesquisa, o advento do sinal da Globo também estaria associado a um aumento de 0,1 a 0,2 ponto percentual na parcela de mulheres entre 15 e 49 anos que se divorciaram.
Divórcios e baixos índices de natalidade, de acordo com outros estudos, estariam ligados a menos casos de violência doméstica.
Baseando-se na pesquisa, a “Economist” afirmou que o fato de a Globo mostrar em suas novelas uma realidade bem diferente da vivida pela maioria dos brasileiros –”com famílias menores e mais ricas que a média”–, teria estimulado modificações nesses dois importantes indicadores sociais.
Reforma triburária
A revista ainda afirma que as telenovelas surgiram durante o regime militar no Brasil e que as vendas de aparelhos de TV foram estimuladas pela ditadura “para construir uma ideia de nação em um país grande e majoritariamente analfabeto”.
Mas, segundo a publicação, muitos dos diretores e autores dos programas eram de esquerda, e enxergaram nas telenovelas “um meio de atingir as massas”.
“As tramas normalmente se inclinam para uma direção progressista: a Aids é discutida, camisinhas são promovidas e a mobilidade social exemplificada”.
Afirmando que a influência das novelas pode ser mais positiva do que dizem seus críticos, a revista ainda brinca: “Se a Globo pudesse lançar agora uma novela sedutora sobre reforma tributária, sua transformação do Brasil estaria completa.”
04/03
Uma boa política de Recursos Humanos passa – principalmente – pela criatividade!
Veja…
Libéria, Banda Larga e Pornografia
Existem empresas que precisam estar em lugares remotos, como a Libéria. Agora imagine que para você ter um link de internet via satélite, você não apenas precisa ter uma torre, mas precisa de guardas armados, 24 horas por dia. Lá eles roubam não apenas o equipamento, mas também a torre, já que o aço também é valioso por aquelas bandas.
Mas veja a situação: homens, do meio da selva, sem fêmeas humanas por perto e sem muito o que fazer de noite e com um link banda larga disponível. É claro que eles usam para coisas produtivas como jogar World of Warcraft e baixar dezenas de filmes, digamos, educativos.
O problema é que os custos estavam extrapolando o razoável e o gerente de TI teve uma idéia brilhante: comprou um servidor, montou um mega ftp recheado com centenas de filmes pornô e bloqueou o acesso ao conteúdo de educação sexual. Detalhe é que ele usou o dinheiro da empresa para montar o servidor com o objetivo de economizar no uso da banda larga fora de controle.
Claro que ele poderia dar a ordem de bloquear totalmente os downloads e causar uma revolta e acabar sendo entregue aos leões… literalmente.
O resultado é que a empresa passou a economizar 5 mil dólares por mês em banda larga. Porque não existem mais gerentes de TI assim?

02/03

Depois de 150 anos e diversos prêmios, o jornal The Rocky Mountain News circulou pela última vez na sexta-feira (27). Junto com a edição do dia, foi publicada uma edição especial de 52 páginas.
Segundo o diário, o fim do Rocky foi determinado por sua controladora, a E.W. Scripps Co, que via poucas perspectivas para o negócio em meio à crise econômica mundial.
Além do ‘Goodbye, Colorado’ publicado na 1ª página, o jornal publicou um vídeo na web.

02/03
“Uma revista semanal é como um convidado fixo para jantar”, disse Jon Meacham, diretor da Newsweek. “Às vezes, é a pessoa mais deliciosa do mundo; outras vezes, se embebeda e vomita em cima da gente”.
Minha coluna está completando dez anos nesta semana. Depois de dez anos, me acostumei à ideia de ser a quarta dose de rum oferecida por VEJA. Aquela dose de rum que, ocasionalmente, faz entornar o jantar ingerido nas demais páginas da revista.
A Newsweek acaba de anunciar seus planos para tentar sair do buraco. De acordo com o New York Times, que também está tentando sair do buraco, um dos planos da Newsweek é “apostar pesadamente em jornalistas de renome, figuras conhecidas da TV assim como da página impressa, como Fareed Zacharia e Christopher Hitchens”. Isso é bom para mim. Eu sou uma figura conhecida da TV, assim como da página impressa. Mas é bastante peculiar que, num momento como este, em que qualquer abestalhado pode publicar na internet seus palpites sobre qualquer assunto, palpiteiros profissionais sejam vistos como uma saída para a imprensa, torpedeada pela própria internet. Qual é meu palpite profissional sobre o assunto? Meu palpite profissional é que os abestalhados sempre ganham.
A Newsweek concorda que os abestalhados sempre ganham. Por isso, seu plano, de agora em diante, é perder leitores, em vez de ganhá-los, passando dos atuais 2.600.000 assinantes a apenas 1.500.000 em janeiro do ano que vem. Mas o ideal, pelas contas de sua diretoria, é continuar perdendo até atingir 1.200.000 assinantes: os melhores, os mais bem educados, os mais bem informados, os de maior poder de compra. O resto? O resto pode ler os palpites dos abestalhados, publicados gratuitamente na internet. O futuro da imprensa é se transformar num antisspam, capaz de bloquear o rebotalho da internet, que invade os computadores com seus esquemas criminosos, com sua publicidade indesejada e com seus comentários imprestáveis.
Dez anos depois de publicar minha primeira coluna, a imprensa corre o risco de desaparecer. Nunca pensei que eu pudesse produzir esse efeito. Em meu artigo de estreia, relatei a viagem que acabara de fazer à tribo dos índios uaiuai, no meio da Amazônia. Naquele artigo, citei um trecho de Tristes Trópicos, em que Claude Lévi-Strauss dizia que “a função primária da comunicação escrita foi facilitar a servidão”. Usei essa ideia para defender debochadamente o analfabetismo, concluindo: “Se Lévi-Strauss estava certo ao dizer que a comunicação escrita apenas reforçava a servidão, somos o país mais livre do mundo”. O analfabetismo infelizmente foi derrotado. Agora todos os uaiuai publicam seus palpites abestalhados na internet. Quer mais uma dose de rum?

