December 2008


O Ano Novo bate à porta.
Abra!
Convide-o para jantar
Começe servindo Amizade,
muita Amizade.
Uma entrada perfeita
No prato principal,
Amor ao Ponto
daqueles inesquecíveis e,
como disse o poeta eterno…
Não esqueça do Trabalho
- uma sobremesa sem excesso,
mas bastante o para ficarmos felizes.
Encerre o menu
com aquele licor
- Dinheiro -
nem pouco,
que nos deixa com mais vontade,
nem muito,
que nos embriaga.
Encerre a noite com abraços de Felicidade.

E o Ano Novo vai chegar…
ficar…
e ter certeza de que
será sempre
muito bem-vindo!

Que em todos os dias de 2009 você possa ter Amizade, Amor, Trabalho e Dinheiro na medida exata para sermos muito felizes.

Feliz 2009!!

por LG(esse eu não copiei! hehehe)

Do Blog Chéri à Paris

Os dois estavam na cama. Ele abaixou o cacho de uvas, para que ela pudesse alcançá-lo. Com a boca meio cheia, foi ela quem começou o diálogo.

- Paul, tomei uma resolução de ano novo.
- Já sei, Virginie. Fazer regime.
- Não, essa foi a do ano passado, chéri.
- Então vai terminar de pintar aquele quadro que você começou há séculos.
- Também não. Essa tinha sido a de dois anos atrás.
- E não cumpriu nenhuma das duas, né?
- Eu sei, eu sei. Mas dessa vez é pra valer.
- Vai juntar dinheiro pra uma viagem pra América do Sul?
- Não.
- E o que é?
- Vou trocar de marido.
- Cuméquié? Endoideceu?
- Decidi arrumar um outro homem.
- Um amante?
- Não, não. Apenas trocar você por outro.
- Mas… tem algo de errado comigo?
- Nada.
- Tô feio? Barrigudo?
- Você continua um gatão selvagem. Faz miau.
- Miau.
- Viu? O mesmo de sempre.
- Mas o que é, então? A gente se dá mal?
- Não, Paul. Você sabe que a gente se entende perfeitamente. Você até chorou assistindo Titanic comigo. Coisa mais linda.
- É meu ronco? É isso?
- Nada a ver. Eu gosto do seu ronco. Me faz sonhar que tô na selva.
- Então é por causa daquela minha cueca furada.
- A cueca furada te dá um charme especial, meio rústico.
- E é o quê, então?
- Não é nada. Só achei que precisava de uma troca na minha vida.
- E por que não foi aprender a trocar pneu de carro?
- Não dá pra exagerar, né? Trocar de marido é mais fácil.
- Mas, Virginie, de onde veio essa idéia? Ficou maluca?
- Foi a Marie que começou tudo, ano passado. Tava meio entediada e trocou o marido por um garotão 10 anos mais novo. Hoje está ó-ti-ma, super feliz, com pele e unhas lindas.
- E aí você resolveu embarcar nessa…
- Não só eu, mas todas as nossas amigas. Sabe, Paul, acho que você também está precisando de tomar resoluções arrojadas. Vão te fazer bem.
- Olha, acho que você tem razão, Virginie.
- Claro que tenho. Você vai ver como vai se sentir mais leve.
- Pois é. E acabei de decidir qual será minha resolução de ano novo.
- E qual é?
- Vou trocar hoje mesmo a senha do cartão de crédito.
- Do nosso cartão de crédito ilimitado?
- Do meu, você quer dizer.
- Credo, Paul. Por que você é sempre assim tão radical?

Do Dzaí

Se alguém ao seu lado espirra, você deve concluir que ela está doente e desejar-lhe melhoras, não é? Não necessariamente, pelo menos conforme uma pesquisa realizada por dois médicos britânicos, que concluíram que o ato de espirrar pode estar relacionado à excitação sexual em algumas pessoas.

De acordo com reportagem da BBC, os médicos decidiram investigar a relação entre excitação e espirros depois de ler sobre um paciente que tinha ataques incontroláveis de espirros toda vez que pensava em sexo.

Fazendo o levantamento em salas de bate papo na internet, eles descobriram outras 17 pessoas, de ambos os sexos, que tinham o mesmo problema. A explicação para o fenômeno pode estar numa falha na forma como o sistema nervoso funciona, dizem os médicos no estudo, divulgado na publicação científica Journal of the Royal Society of Medicine.

“Certamente parece esquisito, mas eu acho que esse reflexo demonstra a existência de relíquias evolucionárias na estrutura de uma parte do sistema nervoso chamada sistema nervoso autônomo”, disse Mahmood Bhutta, um dos pesquisadores.

“Esta é a parte que comanda coisas sob as quais não temos controle, como nossos batimentos cardíacos ou a quantidade de luz que entra através de nossas pupilas. Às vezes, os sinais nesse sistema ficam cruzados, e eu acho que essa pode ser a razão de algumas pessoas espirrarem quanto pensam em sexo”, explicou Bhutta.

Para ele, vergonha ou timidez podem acabar fazendo as pessoas não admitirem o problema.

Do Digestivo Cultural

Mulheres confabulam na cozinha e trocam informações numa freqüência muito alta. Prestam o máximo de atenção umas às outras e o mínimo de atenção ― só o suficiente para não trombar nele ― no sujeito que invade a cozinha atrás de um pouco de café. Não adianta perguntar, nesse momento, onde está a garrafa térmica. “Está guardada no lugar de sempre” seria a resposta provável. Mas o “lugar de sempre” é relativamente variável e a nova disposição dos apetrechos de cozinha, desde que o novo jogo de xícaras foi incorporado, não foi devidamente informada. Ou foi, mas a memória masculina não conseguiu gravar a informação, por dois motivos principais:

Primeiro: Não existe um elo sólido entre apetrechos de cozinha e a mente masculina. Uma garrafa térmica é só uma forma comprida onde costuma haver café. A antiga, que não funcionava direito, era amarela. Essa nova, agora, é preta. Mas a diferença precisa ser apontada porque no momento em que os olhos dele bateram na nova garrafa preta, a antiga foi imediatamente esquecida, como se nunca tivesse existido. E, de certa forma, ela nunca existiu. Existe apenas uma coisa, comumente chamada de garrafa térmica, onde costuma haver um pouco de café e todas elas, as garrafas, são a mesma garrafa porque são todas iguais.

Segundo: A informação de que havia uma nova disposição das coisas na cozinha foi realmente transmitida. A mulher disse ao homem que a garrafa térmica seria guardada em outro canto (uma cozinha pode ter centenas deles) e chegou a mostrar onde era esse canto. Mas essa informação não foi propriamente dirigida a esse homem. Porque as mulheres trocam informações entre si de uma forma muito eficiente, mas também costumam passar informações a outros seres vivos ― incluindo cachorros, jardineiros, gatos e bancários ― esperando o mesmo resultado em eficiência. Em suma, elas se dirigem sempre a uma outra mulher, não importando que na sua frente esteja um eletricista gordo e bigodudo. Que, coçando o bigode, não consegue compreender a diferença entre uma tomada “muito perto da porta” e outra “um pouco mais afastada e não tão alta” e que “esteticamente fará toda a diferença”. Ele não vê a diferença. Provavelmente ele nem sabe o que é “esteticamente” ou, no melhor dos casos, sabe, mas nunca foi capaz de compreender plenamente o significado.

Não podemos perceber plenamente o significado de tantas coisas. O Sol se põe no final do dia e, às vezes, o espetáculo é grandioso. No meio do trânsito urbano, do alto de algum viaduto vemos, por breves instantes, o Sol se escondendo, com aquelas tintas transparentes e vermelhas, sobre a linha do horizonte. Outras vezes uma lua cheia assume o céu noturno, acima do pálido néon dos outdoors. As luzes mesquinhas da cidade ficam mudas por um instante e o disco lunar, entrevisto da janela do carro, faz sua pergunta invariável: “quem é você, cara?”.

É uma pergunta retórica, caramba. Não é para responder. Pelo menos não para a mulher que está sentada ao lado, no banco da frente. Ela observa seu acompanhante com o canto dos olhos, onde alguma nesga de luz que vem da rua se reflete. Ela percebe o ínfimo namoro dele com a Lua, percebe nele a inclinação natural para se perder em perguntas retóricas, percebe sua atração infantil por questões abstratas. Não que ela seja imune a essas questões, mas uma mulher se relaciona, acima de tudo, com coisas concretas. Ela espera solidez do mundo que a rodeia. Espera, na sua condição de partícula atômica sem freios, um centro gravitacional que mantenha a sua órbita estável. “Não olhe pra cima” ― talvez ela pense ―, “essa Lua não vai te ajudar em nada. Olhe pra mim e me responda com toda honestidade: até onde você pretende ir comigo, até onde você me levaria?”.

Muitas e muitas mulheres, talvez a maioria delas, em alguma época da vida, desejam filhos e muito já foi dito sobre o “instinto maternal”, um conceito que as próprias mulheres, às vezes, rebatem como falso ou inadequado. Inadequado porque uma simples e premente necessidade de botar os pés no chão está, muitas vezes, atrás do desejo feminino de ter filhos. É toda a motivação que uma mulher precisa, ou quase toda e, enquanto os homens se concentram e se detêm entusiasmados no parágrafo referente à aproximação, sedução, conquista e namoro, as mulheres lêem o texto inteiro, o documento invisível escrito em cada célula do seu corpo, que trata da existência, da vida social, dos ritos de passagem e dos ritos permanentes ao longo do relativamente curto caminho que se chama vida.

Os ritos fazem parte do cotidiano e as mulheres sabem disso. É até possível especular que o cotidiano em si seja criado por uma sucessão de ritos diversos, e a mulher é uma criatura de rituais. Todos se originam nela: festas de aniversário infantis, casamentos, formatura, vernissages e happy hours. A função primária dos rituais, desde a tradição esotérica que os originou, é a concentração da atenção, de forma que o praticante não se perca em devaneios inúteis e não se distraia com outras coisas que não interessam no momento. Os homens se distraem com uma facilidade assombrosa, mas também têm a capacidade de focar a atenção rapidamente em pequenos flashes. As mulheres são toda a atenção ou nenhuma atenção.

A histórica associação entre mulheres e feitiçaria, uma associação que tomou um caráter nefasto durante a Idade Média, está longe de ser pura invencionice. Como modernas feiticeiras elas continuam com novos rituais e com eles conjuram a própria sociedade, o dia-a-dia, o cotidiano ao qual todos nós estamos acostumados. Um mundo sem mulheres (se tal coisa fosse possível) seria uma zona perpétua. Sem mulheres e homens, é lógico, não existiria ninguém, mas supondo que as mulheres fossem só um corpo com um cérebro de poodle, por exemplo. Haveria apenas tribos de homens indisciplinados, sujos e brigões. Todas as festas seriam iguais, entre bebedeiras e quebra-paus. Não haveria semáforos nas ruas e ninguém usaria óculos, por aí. Estou me divertindo aqui e fantasiando, é claro, como seria de se esperar, levando-se em conta que eu seria um desses bárbaros. Mas eu desconfio seriamente que todas as leis, as normas de conduta, o ar refrigerado, as famílias, os semáforos, as festas de aniversário e os relógios devem sua existência à presença da mulher (como ser pensante) no mundo.

Homens que desejam filhos quase sempre têm idéias românticas sobre descendência e prolongamento do sangue, sobre futuros pelés e einsteins, uma forma de perpetuar o cambaleante e pouco confiável “eu”. Eles aprendem a gostar dos filhos, num processo que, às vezes, pode até levar mais tempo que o esperado. As mulheres, no geral, não sofrem esse processo. Os filhos já são desejados previamente ou já existem dentro dela, antes mesmo que se materializem no corpo, e representam o ímã, o objeto quase místico que permitirá o exercício que a sensibilidade feminina reclama, um exercício necessário dos sentimentos, e será também a âncora que manterá seus pés no chão. Elas se encantam com as coisas materiais, com os símbolos, os métodos e os procedimentos que permeiam a matéria: um anel de noivado, um gesto romântico, flores oferecidas, a múltipla possibilidade de um par de sapatos combinar com seu guarda-roupas, um sorriso do bebê, um contrato assinado e, por que não, um cheque em branco. Assinado, claro.

Enquanto os homens esperneiam para voar e se libertar das algemas, as mulheres vêm voando, não de Vênus, mas do país das fadas Sininho e colocam as algemas para testar a capacidade dessas algemas em segurá-las em algum lugar. Um lugar escolhido, diga-se de passagem. Por falar em passagem, está na hora de colocar o lixo pra fora. Porque hoje (tinha me esquecido de novo, como sempre), é dia do lixeiro passar. Então vamos ajudar a organizar esse mundo, rapaz. Ok, passar bem.

por Guga Schultze