April 2008


Médicos usam desde medicamentos até aparelhos sofisticados e terapias alternativas no tratamento de paciente

D’O Estado de S. Paulo

Considerada sinal vital do corpo humano, a dor vem recebendo atenção cada vez mais especializada de profissionais da saúde, com terapias alternativas, cirurgias pouco invasivas, medicamentos de várias classes e até aparelhos de diagnóstico extremamente sofisticados. Hospitais e clínicas estão, inclusive, criando centros específicos para tratar esse tipo de problema.

Para médicos que estudam o tema, viver com dor provoca irritação, nervosismo, atrapalha o sono e aumenta as chances de depressão. Não à toa, atualmente ela é considerada o quinto sinal vital do corpo humano, ao lado da temperatura, pressão arterial e das freqüências cardíaca e respiratória. Deixou de ser entendida como conseqüência inevitável de situações, o que levaria o paciente a suportá-la, para ser combatida e monitorada com a evolução do quadro clínico da pessoa.

As estratégias desses médicos e profissionais da saúde valem para todo tipo de dor: enxaqueca que deixa a pessoa na cama, dores lombares que travam movimentos, as provocadas por lesões em regiões cerebrais, por ferimentos, para o incômodo da fibromialgia e, também, para pacientes com câncer e casos pós-operatórios.

“O médico não deve mais ser insensível à dor do paciente”, explica o neurocirurgião Cláudio Fernandes Corrêa, responsável por uma equipe multidisciplinar do Centro de Dor do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. “A maioria dos médicos ainda não está preparada para esse atendimento. Não se aprende a tratar da dor nas universidades, e os pacientes ainda não sabem que existem centros especializados apenas em dor.” 

No centro do Nove de Julho, assim como na maior parte dos centros de dor, o atendimento é feito por uma equipe de profissionais de 17 especialidades. São anestesistas, neurologistas, acupunturistas, fisiatras, psicólogos e fisioterapeutas, entre outros, trabalhando juntos. Instituições como Albert Einstein, Sírio Libanês e Hospital das Clínicas, todos em São Paulo, desenvolvem trabalhos semelhantes em seus centros. 

Se um paciente aparece com dor lombar que o incomoda há anos, além de ser atendido por um ortopedista e um neurologista, que buscarão a causa, ele receberá a atenção de um fisiatra. Afinal, existe uma tendência de, por causa da dor original, o paciente ter forçado mais uma parte da musculatura do que outra, provocando uma segunda dor. Após exames, ele sai com indicação de remédio e tratamento. As recomendações podem incluir de acupuntura à reeducação postural global (RPG) e exercícios na água.

TECNOLOGIA

As dores de cabeça – são mais de cem identificadas – e as que atingem as costas são as principais reclamações nos centros especializados. Mas existem diversas outras, algumas de difícil identificação. Para essas, um dos recursos é um aparelho de diagnóstico por imagem infravermelha. O aparelho é passado pelo corpo do paciente para que o médico observe uma imagem reproduzida no computador. Ao passar sobre uma área dolorida, a imagem muda de cor – isso é explicado porque, nessa região o aparelho capta um aumento da temperatura. 

No caso da executiva aposentada Inês de Castro Arantes, de 63 anos, o aparelho permitiu identificar lesões em alguns nervos da coluna, que faziam com que ela tivesse dores para andar. “Demorou para ter o diagnóstico e, quando veio, lembrei como era viver sem tanta dor.” Ela foi tratada no centro da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que também mantém um núcleo para atendimento de dor e cuidados paliativos. 

ANTIDEPRESSIVO

Em relação ao tratamento, os médicos quebram outro mito. Não receitam antiinflamatórios, adotados normalmente por quem se automedica. Por seus efeitos colaterais, são pouco indicados. “Antidepressivos e anticonvulsivantes são os mais usados. Na dosagem correta, são eficientes para o alívio da dor”, afirma Corrêa.

Os antidepressivos são usados porque se supõe que atuem nos mediadores químicos cerebrais responsáveis por várias sensações – entre elas a inibição da dor. Já os anticonvulsivantes funcionam como estabilizadores das membranas neuronais – alguns tipos de dor crônica são provocados por um desequilíbrio neles (veja quadro).

No caso de pacientes em estado grave, como os com tumores, são aplicados opiáceos, como a morfina. No entanto, em vez de doses gerais, há a opção de levar a substância direto no centro da dor, fazendo com que doses menores sejam suficientes. Outra alternativa é a cirurgia para colocar uma espécie de estimulador dos inibidores de dor em pontos do corpo, como uma espécie de marca-passo.

ESPECIALIDADE

“Até pouco tempo o tratamento da dor era uma especialidade renegada, que recebia pouca atenção”, conta o anestesista Maurício Nunes Nogueira, responsável pela área no Hospital Oswaldo Cruz. Ele é um dos 330 médicos com título de especialista em dor no Brasil.

“Estudos citados pela Organização Mundial da Saúde mostram que mais de 90% das dores dos pacientes podem ser controladas se bem tratadas”, explica Onofre Alves Neto, presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. “Por isso, uma das nossas áreas de atuação é ajudar na difusão desse conhecimento, inclusive na rede pública”, afirma.

Um grupo de cientistas britânicos irá recrutar 150 mulheres diabéticas na menopausa para um estudo que pretende avaliar se o consumo de chocolate pode reduzir os riscos de doenças cardíacas nessas pacientes.

da BBC Brasil

As voluntárias, com idade de até 70 anos, terão que comer uma barra de chocolate –considerado um alimento a ser evitado por pessoas com diabetes– por dia, durante o período de um ano.

Segundo os cientistas da Universidade de East Anglia, o cacau é rico em compostos chamados de flavonóides, que ajudariam a prevenir doenças cardíacas. No entanto, essas substâncias seriam normalmente destruídas no processo de transformação do cacau em chocolate e, por esta razão, os cientistas encomendaram um tipo de chocolate especialmente para a pesquisa.

A barra de chocolate a ser consumida pelas voluntárias conterá soja –uma fonte natural de flavonóide. Foi desenvolvida por uma empresa belga a pedido da equipe.

De acordo com os cientistas, a morte por doenças cardíacas aumenta de maneira significativa depois da menopausa. Em mulheres que sofrem de diabetes tipo 2 esse risco é 3,5 vezes maior.

“Esperamos demonstrar que adicionar flavonóides na dieta dessas mulheres pode ajudar a fornecer uma proteção adicional contra doenças cardíacas e ajudar a reduzir o risco de contrair essas doenças no futuro”, disse Aedin Cassidy, que lidera o estudo.

“Apesar de mulheres na menopausa terem o risco similar ao dos homens em desenvolver doenças cardiovasculares, elas não foram bem representadas em testes clínicos até agora”, disse Cassidy.

Dieta

Para avaliar o impacto do consumo de flavonóides na redução dos riscos de doenças cardíacas, a equipe irá dividir as mulheres em dois grupos –o primeiro será formado por voluntárias que irão comer o chocolate desenvolvido pela equipe e o segundo, um placebo.

As mulheres serão examinadas no início da pesquisa e cinco vezes durante um ano para que a equipe possa avaliar possíveis diferenças no coração e na saúde das participantes.

Segundo Iain Frame, diretor de pesquisas da ONG Diabetes UK, que trabalha com pacientes diabéticos e financiou parte do estudo, a recomendação não é que as pessoas passem a comer mais chocolate, já que o doce é rico em gordura e açúcar.

“Nós sempre iremos recomendar que os pacientes diabéticos tenham uma dieta baixa em gordura, sal e açúcar, com muitas frutas e verduras”, disse Frame.

“No entanto, há compostos encontrados no chocolate, chamados de flavonóides, que podem ajudar a combater as doenças cardíacas”, afirmou.

“Um resultado positivo nessa pesquisa pode oferecer às pessoas em risco uma melhor prevenção, combinada com a oferecida pelos medicamentos convencionais.”

Um artigo publicado na edição deste mês da revista especializada “Scientific American” afirma que os estereótipos exercem grande influência sobre o sucesso ou o fracasso dos indivíduos. 

Segundo o artigo, assinado por pesquisadores britânicos, o fracasso no trabalho, na escola ou em esportes não se deve necessariamente à falta de talento ou incompetência, mas também à maneira como cada um percebe o grupo social ao qual pertence. 

Assim, por exemplo, mulheres asiáticas que fizeram testes de matemática obtiveram melhor desempenho ao serem lembradas de suas origens asiáticas (reforçando o estereótipo de que os asiáticos são melhores em matemática) que ao ter sua identidade feminina destacada (já que, segundo o estereótipo, mulheres são piores em matemática que os homens). 

Da mesma forma, atletas brancos tiveram pior desempenho em jogos de golfe quando foram informados de que teriam sua “capacidade atlética natural” comparada à de jogadores negros. Em compensação, o grupo melhorou ao acreditar que se tratava de um teste de “inteligência estratégica esportiva”. 

Em outros experimentos, pessoas mais velhas tiveram rendimento pior em testes de memória após ser lembradas do estereótipo que as relaciona à capacidade cognitiva deteriorada. 

Efeito positivo

Estudos anteriores tentaram vincular esta mudança de desempenho ao uso de áreas da memória que deixariam de ser utilizadas pelos indivíduos submetidos à ansiedade da “ameaça dos estereótipos”. 

Entretanto, isto não explicaria por que os estereótipos também podem ajudar a elevar o rendimento de membros de grupos considerados ‘os melhores’ – neste caso, esta percepção não altera os recursos de memória disponíveis, disseram os pesquisadores. 

Para eles, a explicação é que “a ameaça dos estereótipos não é tanto uma questão de cognição em si, também de imagem pessoal e identidade”. 

“Embora alguns pesquisadores tenham saltado para a conclusão altamente polêmica de que as diferenças de desempenho refletem diferenças naturais entre os grupos, na verdade a raiz de muitas diferenças repousa sobre os estereótipos, ou pré-conceitos, que outros têm em relação ao grupo a que pertencemos”, diz o estudo. 

Ao mesmo tempo, o artigo afirmou que os estereótipos são flexíveis, e podem ser modificados para influenciar o desempenho dos indivíduos. 

“De muitas maneiras, temos um estereótipo do estereótipo, que é errada. Os estereótipos não são necessariamente ruins, podem inclusive ser ferramentas de progresso”, disse o professor Stephen Reicher, da Universidade St Andrews, na Escócia. 

“Foi precisamente por desafiar estereótipos que ativistas como Steve Biko e Emmeline Pankhurst puderam alcançar a emancipação de negros sul-africanos e de mulheres britânicas.” 

Para os pesquisadores, os estudos em relação ao tema trazem “duas lições fundamentais”. 

“A primeira é tomar cuidado para não confundir desempenho e capacidade, especialmente ao tratar de grupos diferentes entre si, e compreender a força que as expectativas dos outros exerce sobre o que fazemos”, dizem os pesquisadores. 

“A segunda é perceber que não estamos fadados a ser vítimas de estereótipos opressivos, mas que podemos aprender a usar os estereótipos como ferramentas de nossa liberação.”

De O Filtro – Por Tomas Thauman

É um escândalo! Servidores públicos federais usaram cartões do governo para comprar lingerie, iPods, serviços de namoro on-line e (absurdos dos absurdos!) um jantar de mais de R$ 20 mil. Uma auditoria pública descobriu que a farra com dinheiro do contribuinte não tem limites. O Exército, por exemplo, não apresentou comprovantes da compra de uma dúzia de servidores para sua rede de computadores, cada um estimado em mais de R$ 150 mil. Quase 300 mil servidores públicos usam cartões corporativos, mas poucos foram tão ousados quanto um funcionário dos Correios que, em 2006, gastou mais de R$ 2.500 em um serviço de namoro on-line. Também nos Correios, a auditoria encontrou o símbolo desse novo escândalo: um jantar para 81 pessoas em que foram pagos, com dinheiro público, mais de 40 garrafas de vinho, conhaque Courvoisier, vodca Belvedere e uísque Johnny Walker Gold. Ah, só uma coisa: tudo isso foi nos Estados Unidos. A reportagem está na edição de hoje do The Washington Post.

Encontrei uma dica de livro na Boa Forma do mês passado: Magra e Poderosa. O título não poderia ser mais convidativo. Descobri que o livro foi campeão de vendas depois da ex-Spice Girls, Victoria Beckham ser fotografada com um exemplar na mão; que o título original é Skinny Bitch – nada a ver com Magra e Poderosa, mas seria um indício de uma leitura, no mínimo engraçada. No meio dessa busca por mais informações, descobri também que o livro falaria das vantagens de uma dieta vegan (100% vegetariana). Para uma carnívora de carteirinha, abria-se a porta para uma experiência interessante.

Corri para o site que vendia o livro mais barato (os milagres das compras online) e pedi um exemplar para entrega imediata.

O livro já começou estranho. São duas páginas de agradecimentos!!! Passei pela Introdução (sim, depois dos agradecimentos, há a Introdução!!), pelo primeiro e pelo segundo capítulos sem muita novidade. Eles falam dos nossos vícios alimentares, dos carboidratos simples e o horror que eles são (já achei um exagero, mas… ) e da necessidade de optarmos por frutas. No news! Cheguei no terceiro capítulo e levei um susto com o título “Açúcar é coisa do diabo”. Os próximos capítulos não foram menos assustadores – Carne podre e O desastre dos laticínios.

Daí para frente (e são 13 capítulos) a coisa desanda! O livro beira o absurdo e mistura lições de auto-estima, meia dúzia de dicas para alimentação saudável com capítulos inteiros sobre a crueldade com que se abate animais e sobre a política de aprovação de alimentos e vigilância sanitária dos Estados Unidos.

Mesmo sendo uma carnívora invicta, acredito que quem adota uma dieta vegan tem seus motivos e suas crenças e teria sido muito interessante entender mais sobre esse estilo de vida. Mas as autoras – uma ex-agente da Ford Models e uma ex-modelo, doutora em nutrição holística (hahaha) – não acrescentam, não agregam. O mantra do livro se concentra em: coma só vegetais e seja magra. Depois de 155 páginas, não consegui extrair uma única informação nova, diferente e nem que fosse minimamente útil.

Admito que essa linha editorial – dietas e exercícios – publica muitas coisas inúteis. Ok! A grande maioria o é e sei disso porque, mesmo ciente, sempre dou um jeito de ler. Mas sempre há algo que se aproveite: uma informação nova, um exercício, uma tabela de nutrientes… Nesse livro, o que se aproveitaria seria um cardápio para 30 dias que é apresentado quase no final do livro. Mas, para seguir um cardápio, você precisa se encantar por ele e o livro não produz esse efeito. Então, cheguei a esse capítulo sem a mínima vontade, interesse nem mesmo curiosidade para seguir o cardápio – inútil!

Depois de tudo isso, meu conselho não seria diferente: não gaste seus olhos e seu dinheiro com Magra e Poderosa. É decepcionante!

ps.: se eu lesse uma crítica dessas, com certeza, correria para ler o livro. Não vou condenar ninguém que faça isso. Mas não digam que eu não avisei!

Do Blue Bus Há exatos 35 anos (e um dia!), em 3 de abril de 1973, o pesquisador Martin Cooper, inventor do celular, fez a 1a ligaçao utilizando um telefone com a tecnologia. Ele era gerente geral na Motorola e ligou de uma rua em Nova Iorque para seu concorrente no Bell Labs, da AT&T.