March 2008


Do HQManiacs.com  

 

Já está em pré-venda o álbum Asterix e Seus Amigos, que será lançado em breve pela editora Record. O álbum é fruto de uma homenagem aos 80 anos do criador de Asterix, Albert Uderzo.Ao total, 34 ilustradores de todo o mundo apresentam sua visão sobre o universo de Asterix em histórias inéditas, feitas exclusivamente para esse álbum. O inglês David Lloyd, desenhista de V de Vingança, imagina o encontro de Asterix e Obelix com seu criador. Já o chileno Vicar, que desenha para os estúdios Walt Disney, leva Asterix e Obelix até Patópolis, para um encontro com Tio Patinhas, Pato Donald e muitos outros. Dentre outros artistas que colaboraram no álbum, destacam-se nomes como Milo Manara, Boucq, Tibet, Loustal, Walthéry, Rosinski e Zep.Asterix e Seus Amigos tem 64 páginas no formato 21 x 28 cm e custa R$ 25,00. O álbum já pode ser adquirido em pré-venda em lojas virtuais como as da Saraiva e da Martins Fontes.Asterix é um personagem de histórias em quadrinhos criado em 1959, na França, por Albert Uderzo e René Goscinny. Após o falecimento de Goscinny, em 1977, Uderzo deu continuidade ao trabalho. Asterix reside em uma pequena aldeia ao norte da antiga Gália, resistindo ao domínio romano. Para enfrentar as legiões romanas, a aldeia conta com a ajuda de uma poção mágica, que lhes confere temporariamente força sobre-humana, preparada pelo druida Panoramix. A exceção é Obelix, que caiu dentro de um caldeirão com a poção quando ainda era bebê, e por isso adquiriu permanentemente a superforça. Além dos quadrinhos, Asterix já ganhou versões para o cinema e desenhos animados. Os álbuns de Asterix são publicados no Brasil pela editora Record.

Da Info Online – Blog da Sandra Carvalho

Até agora, banda larga era qualquer coisa com 200 Kbps. Agora, tem de ser 768 Kpbs, no mínimo. Muita banda foi rebaixada…

O órgão americano FCC, Federal Communications Commission, costuma ser a referência para o que é e o que não é banda larga. Acusado de usar métodos ultrapassados, resolveu dar uma repaginada em seus critérios. O resultado, divulgado esta semana, está aí: banda estreita, porém não discada, que passava por larga, não passa mais.

Pelos dados do Barômetro Cisco de Banda Larga de março deste ano, 28,1% dos 8,1 milhões de assinantes de banda larga no Brasil têm um serviço de 1 Mbps ou acima disso. A maioria fica na mão de velocidades bem inferiores. Grosso modo, com a mudança de critério, dois terços dos brasileiros caíram da banda larga para o limbo da banda dedicada, mas lerda.

Da Folha Online – 08/10/2007

Está gerando interesse na mídia a monumental repercussão, verificada pelo número de cartas enviadas à Folha, sobre o artigo do apresentador Luciano Huck, no qual relatou como foi vítima de assalto em que levaram seu Rolex. Raras vezes um artigo, publicado neste espaço nobre da página 3, produziu tanto barulho. Existe aí uma dica sobre jornalismo.

Tirando o fato de Huck ser uma celebridade, há uma tendência, visível em todo o mundo, de maior valorização do local, do cotidiano, do que está mais próximo do consumidor de notícias. Talvez, quem sabe, seja até uma reação à impessoalidade da globalização. No caso do Brasil, ainda temos uma agravante: o noticiário de política está insuportável, limitado, essencialmente, a denúncias de corrupção e articulações sucessórias distantes. É como se fosse uma mesma novela sem fim, na qual já confundimos todos os personagens.

O relógio de Huck é, neste caso, mais do que um relógio. Traduz a insegurança, o caos urbano, a desigualdade social, o desemprego, a impunidade, a educação, a falta de democracia e a miséria. Os leitores estão sedentos para discutir esses temas, mas menos pelo que vem embolado de Brasília e mais pelo que sai das ruas.

Tenho visto jovens, muitas vezes acusados de alienados, despertarem rapidamente para o debate sobre coisas públicas quando a política se traduz em seu cotidiano, trazida de forma apropriada para sala de aula.

Um dos problemas de nós, jornalistas, é que vivemos muito no meio de jornalistas.

*

Em nada me interessa o trabalho televisivo de Luciano Huck, acho mais uma daquelas bobagens midiáticas para os jovens. Sobre seu projeto de inclusão de jovens, promovida pelo Instituto Criar, é de ótima qualidade –e um exemplo de responsabilidade individual.

De resto, a lei é feita para proteger ricos e pobres. Não se pode roubar um Rolex de um milionário nem o leite de uma mulher que sai da padaria nem a moto de um motoboy.

Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

Do Blue Bus

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A peça anuncia saladas frescas nos restaurantes da rede. As letras sao formadas por alfaces – elas foram plantadas no outdoor ainda como mudas e estao sendo cultivadas por horticultores contratados pela Leo Burnett. Em exibicao em Chicago.

Do Estado de S. Paulo – 09/03/2008

Pauline Potter, a excêntrica Baronesa de Rothschild, foi uma das mulheres mais chiques do século 20

Maria Ignez Barbosa

Ela não nasceu bonita, ao contrário. Tinha pernas longas demais, pescoço de girafa, pouco seio e era pobre. A infância foi em Paris, com mãe alcoólatra e pai mulherengo, fugindo de dívidas nos Estados Unidos. Nada, no entanto, haveria de impedir que Pauline Fairfax Potter, depois de muito chão, desde a sua Baltimore natal, passando por Paris, Maiorca e Nova York, viesse a se transformar na excêntrica Baronesa Philippe de Rothschild, uma das mulheres mais chiques e de mais estilo do século 20, amplamente fotografada por gente do time de Horst, George Platt Lynes e Cecil Beaton.

Seu fã-clube, composto por uma nova geração de cultores do belo e do sofisticado, não pára de crescer e o style Pauline, tão badalado pela revista Vogue nos anos 50 e 60, sobrevive firme e forte. Puxadores de prata em forma de limão, chão forrado de sisal ou pele de cabra, fronhas com fitas azuis de cetim, mesas de tartaruga ao lado de cadeiras Império douradas e camas de ferro parecendo galhos de árvores fazem parte da estética nada convencional dessa mulher que fez da vida uma obra de arte.

Lendo era a maneira como conseguia driblar, na infância, os tristes dias. Cedo amadureceu, segura de que arte e cultura são fundamentais ao bem viver e conviver. Sabia ouvir, interessar-se pelos mais diversos assuntos e fazia com que o interlocutor se sentisse a mais inteligente das criaturas e, por sua vez, a considerasse a mais interessante das mulheres.

Jovem, após a morte da mãe, foi despachada para Baltimore onde debutaria ao lado de jovens de sua idade. Independente, foi viver só num microapartamento – uma velha tia, no andar de cima para evitar as más línguas -, e passou a receber grupos para jantar com detalhes de sofisticação jamais vistos na pequena Baltimore. Percebeu que talento e graça podem compensar a falta de beleza e dinheiro. Não podendo, como as amigas, comprar um sobretudo nas boas lojas locais, Pauline não se deu por achada. Foi a Nova York, comprou barato um simples casaco preto sem botões, que, com uma tira de pele de raposa cinza enrolada ao pescoço e passando da barra, deu de 10 em matéria de chique.

Por essas e outras, como pintar um cílio negro e outro branco, chamou a atenção do conterrâneo e amigo Billy Baldwyn. Foi quem a apresentou ao primeiro marido, Fulton Leser, um bem-nascido local que depois se revelou alcoólatra e homossexual. O casamento, em 1930, óbvio escape, a levaria a Nova York. Cuidou da cerimônia nos mínimos detalhes. Oito damas de honra, com buquês de violetas, vestiam tafetá café-com-leite e chapéus de veludo. E a noiva Pauline, tendo dourado os cabelos castanhos, adentrou a igreja à luz de velas num vestido de cetim de seda amarelo, cauda tão longa quanto a passarela e véu de tule dourado. Na mão, um copo de leite. Como não nos deixarmos encantar?

Depois de alguns anos em Nova York, o casal foi morar em Maiorca, na Espanha. Ali virou dona de loja, livrou-se de Fulton e ficou até a Guerra Civil, quando, ajudada por uma amiga que lhe emprestou um apartamento, se mudou para Paris. Foi vendeuse de Elsa Schiaparelli e pôde adquirir duas pinturas de Vuillard, além de peças Menney de porcelana branca. Veio a Segunda Guerra, as portas da maison de costura se fecharam e Pauline voltou para Nova York, sem marido, emprego ou dinheiro.

Um par glamuroso

Com os Vuillards a tiracolo e mais as poucas e boas peças compradas em Paris, fez de um apartamento de dois quartos, sobre uma estação de trem, uma pequena jóia. Nas paredes brancas, pôs molduras folheadas a ouro, como no século 18. As cortinas, simples e brancas, e os poucos móveis Luís XVI tinham qualidade excepcional. Já fazia questão de flores brancas, fantásticas e abundantes. Foi quando o jeito de ser e fazer de Pauline, que recebia para jantares em petit comité, misturando escritores, bailarinos, coreógrafos, pessoas da sociedade e figuras como Diana Vreeland, então árbitro da moda, se tornava reconhecível, ao personificar um estilo que o tempo só fez aprimorar.

Foi desenhando roupas para Hattie Carnegie que começou a ganhar dinheiro. Mudaria de casa várias vezes. No segundo apartamento teve pufes, livros empilhados em colunas e 20 vasos com peônias. Na town house, pôs um Bonnard na parede e, no armário de roupas, um par de portas espanholas policromadas ao revés, de modo que pudesse apreciar os belos desenhos quando abrisse. Na sacada, em caixas brancas de madeira, seis dúzias de arbustos de camélias vindas da França, iniciando um costume de ter flores out of season, como nos velhos palácios de São Petersburgo. Muitos atribuíam ao seu enorme charme a facilidade com que conseguia o desejado.

Assim, quando num almoço em 1950, ao ser apresentada ao Barão, exclamou, “ah, o poeta!”, selava o seu futuro. Pauline tinha de sobra a sofisticação que ao Barão faltava – mulherengo e tido como excêntrico por seus irmãos financistas. Quatro anos depois estavam casados, estabelecidos como os mais glamurosos dos Rothchilds, recebendo com um charme inédito na região e tendo restaurado com requinte os vinhedos em Mouton, devastados pela guerra, que Philippe recebera do pai ao fazer 21 anos.

Em Paris tinham casas separadas. A Pauline fazia bem a solidão. Criou para si um espaço com algo de minimalismo oriental. As paredes do quarto, forrou com papel antigo chinês, de fundo pastel azulado e folhagens brancas, comprado de uma viúva pobre nos anos 50. Foi quando escreveu, com estilo e graça, The Irrational Journey, livro sobre uma viagem à Rússia.

Em Mouton, rebatizou a casa existente de Villa Petit Mouton e transformou os estábulos de tijolinhos no verdadeiro Château Grand Mouton. Ali misturou móveis do século 17 com a arte moderna de Cocteau, Max Ernst, Dalí e Picasso. Diana Vreeland dizia que ela se inspirou no interior da pérola para a cor fumaça e brilhosa de uma das salas. Outros, que foi no forro cinza do guarda-chuva. Em outra sala, pôs papel chinoiserie, tão de seu gosto, com móveis Giacometti. De impactar, a biblioteca, com madeira e vigas em decapé branco azulado, livros de arte, viagem e jardinagem, e que tinha, em cada setor de prateleiras, como extensão, uma mesinha com iluminação, bloco de notas e lápis para consultas, mais o sofá e a chaise longue em veludo azul-hortênsia e pés cromados.

A arte de receber

Os weekends com amigos se tornaram legendários. Os muitos empregados circulavam quase imperceptíveis para não intimidar os hóspedes. A roupa suja, lavada com água de lavanda. Manicures, a postos para os pés e mãos dos hóspedes que, nos quartos, tinham os livros recém-lançados, jornais ingleses e franceses e o Herald Tribune, se americanos fossem. Nas mesas laterais, lápis bem apontados, bloquinhos e tesoura dourada para recortar notícias dos jornais. Pauline, que passava a manhã em seus aposentos, se preocupava com que os hóspedes, nos seus, tivessem também conforto, a melhor roupa de cama e banho, bar e sanduichinhos de pepino. Um álbum com fotos das louças antigas, talheres, cristais, pratas, guardanapos e toalhas de mesa de que dispunha facilitava a escolha do que seria usado a cada dia. Gostava de ter colchas indianas como toalhas de mesa e inventava arranjos, como pequenas florestas com musgo, heras e florzinhas. Era estranha na cozinha, mas sabia fazer com que seu chef transformasse o mais simples dos pratos em refinada iguaria. Com desculpa esfarrapada recusou-se a passar à Duquesa de Windsor a receita de seu frango chaud froid. Outra marca sua era atar ao gargalo dos decanters uma fita de gorgurão vermelho para impedir que o vinho pingasse ao ser servido.

Pauline, com o marido, acompanhava de perto o trabalho dos enólogos. Os vinhos bordeaux Château Mouton Rothschild foram elevados a premier cru. Fazer publicidade deles era-lhe fácil. Ao lado do Château, criou o Museu do Vinho na Arte – nada menos que pinturas de Dürer e Picasso, taças de vermeil e peças de a.C. para esse tributo à feitura do vinho.

Saúde frágil

Mais do que com vinhos, intoxicava os amigos com as paisagens de sonho que criava atrás das paredes do château e que, nas páginas da Vogue, eram mostradas como inexorável fonte de inspiração. Insistia nas flores brancas também no Natal, lírios e ervilhas-de-cheiro. Queria o inverno com ar de primavera. Virou também tradição, na passagem do ano em Mouton, os empregados empunhando velas, uma procissão em agradecimento ao vinho.

Não tinha boa saúde. Devia a uma febre reumática na infância o frágil coração. Em 1970, já debilitada, refugiou-se em Londres, num apartamento em Albany, Piccadilly, parte de um magnífico conjunto de aposentos do século 18 e um dos endereços mais sofisticados da cidade. John Fowler fez-lhe as tão fotografadas cortinas de tafetá sem forro, com panos atados por quatro laços em alturas diversas e o voile cortado em pontas. No sofá e nas poltronas Luís XVI, seda azul-clara nas laterais e marfim no centro. Colunas iônicas e parte das paredes marmorizadas em tons de azul. No chão, peles de cabra sobre a madeira embranquecida do assoalho, sempre original e ciosa do melhor. Já um ícone, ao seu redor logo se formou uma corte de jovens literatos ingleses.

Em 1976, um câncer não impediu que viajasse de férias com o marido para Santa Bárbara, na Califórnia. Depois de juntos passearem pela praia, voltando para o quarto enquanto o marido dava um mergulho, tombou morta no hall do hotel. Não havia nem sequer destapado o remédio para o coração. Morreu como viveu, impactando. O enterro foi em Mouton, com procissão à luz de velas e flores brancas. Até a morte do marido, em 1988, o ritual por ela inventado foi preservado e se transformou, a cada passagem de ano, numa homenagem, não apenas ao vinho, mas também à memória de Pauline de Rothschild. (nese@estadao.com.br).

Do Estado de S.Paulo – 09/03/2008 

Médico ensina como hábitos de moradores do bairro carioca podem ser aplicados para reduzir doença coronária

Márcia Vieira

Não se trata de uma dieta para ter o corpo das belas mulheres e dos garotões sarados que fazem a fama de Ipanema. A proposta do Estilo Ipanema, livro de Carlos Scherr, cardiologista com mais de 20 anos de experiência na medicina, é uma dieta feita para cuidar da saúde em geral e do coração em particular. O corpo bonito, marca da juventude dourada de Ipanema, é apenas conseqüência. Com base em estudos científicos, Scherr ensina como transformar o estilo de vida de uma parcela dos cariocas em arma poderosa contra doenças coronarianas.

O livro, que deve ser lançado em um mês, mistura alimentação, exercício ao ar livre e atitudes contra o stress. “Esse culto ao corpo, quando não cai no exagero, traz muita coisa boa. O Rio tem um clima que favorece. Essa beleza natural faz da cidade uma academia ao ar livre maravilhosa”, diz Scherr, cujo consultório fica em Ipanema.

As dicas não servem apenas para quem mora no Rio. O bairro que ficou famoso no mundo inteiro depois da Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, é só uma inspiração. E ajuda a quem quer se cuidar em qualquer parte do País. Estilo Ipanema ensina, por exemplo, que mais vale tomar um suco de laranja feito em casa do que um suco industrial com zero de fibras e mais calorias. Melhor ainda é tomar uma água-de-coco tirada na hora, hábito comum entre os cariocas que caminham na orla da zona sul.

O estudo de Scherr prova que o namorado – o peixe – é excelente para as coronárias por ser rico em ômega 3. Mulheres que tomam uma taça de vinho tinto por dia melhoram seu nível de HDL, o colesterol bom. Os homens precisam de dois copos. E uma caminhada de 30 minutos na beira da praia ou em uma área verde é muito mais saudável do que qualquer Prozac para aliviar tensões. “Hoje em dia, as pessoas querem resolver tudo só tomando remédio. Querem perder peso sem fazer dieta nem exercício. E aí fazem o quê? Tomam fórmula. Acabam com a saúde e enriquecem quem fez a fórmula.”

COLESTEROL

Praticante desses ensinamentos, Scherr reúne tabelas que ajudam a montar um cardápio fazendo a escolha certa nas refeições tanto para manter a saúde cardíaca como o peso. O livro reproduz parte dos estudos com alimentação feitos para sua tese de doutorado.

Durante dois anos, ele fez uma pesquisa inédita no País. Analisou a quantidade de colesterol e gorduras nos alimentos vendidos nos supermercados brasileiros. Segundo a American Heart Association, para uma dieta de 1.800 calorias diárias, pode-se consumir 300 mg de colesterol.

Com a tabela de alimentos feita por Scherr é possível incluir na alimentação produtos aparentemente proibidos, como ovo e pernil. “É tudo uma questão de quantidade e de forma de cozimento. O namorado é um excelente peixe para o coração, mas, se for feito frito, todos os nutrientes são destruídos.” É bom preparar a fita métrica. Scherr alerta para os estudos que medem os riscos da gordura abdominal. Os homens não podem ter mais do que 94 centímetros. As mulheres, no máximo 80. “A barriga espelha a gordura que está dentro das vísceras. Ultrapassar essas medidas é um risco.”

Scherr defende também a adoção de alimentos funcionais no cardápio do brasileiro. Além de frutas frescas, principalmente as cítricas, ricas em vitamina C, ele prega também uma dieta à base de frutas secas, peixes de água fria (salmão, namorado, sardinha), muita verdura e pouca carne vermelha. “Isso não piora a satisfação de viver das pessoas. São coisas que já estão no dia-a-dia de muita gente. É só uma questão de saber organizar.”

Scherr aconselha no mínimo 30 minutos de caminhada por dia. Todo dia. “É uma atividade física fácil, de graça, que pode ser feita por qualquer um.” É fundamental apenas que, antes de começar, as pessoas consultem um médico. E evitem fazer qualquer tipo de exercício apenas no fim de semana. “As pessoas acham que porque não estão sentindo nada não tem nada acontecendo com a saúde delas. Volta e meia passam mal durante o exercício.”

Atividade física no fim de semana é pior do que não fazer nada a semana inteira porque submete o corpo a uma carga forte de esforço. “Às vezes ainda é feita sob sol forte, acompanhada de uma bebidinha e depois um salgadinho. É uma mistura para explodir.”

Há também sugestões para controlar a ansiedade, como exercícios de ioga e meditação, sem precisar recorrer ao remédio. E, é claro, o cigarro está completamente fora de questão. “Ele é o risco número 1 para o coração”, completa.

Do Blue Bus

O celular é o aparelho de comunicaçao do qual seria mais dificil abrir mao – 51% dos americanos disseram isso, contra 38% em 2002. As informaçoes sao de um estudo do Pew Internet Project.

Ainda segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados já usaram seus aparelhos moveis para outras coisas que nao seja falar com alguem – por exemplo, mandar SMS, tirar fotos, localizar alguma coisa num mapa ou navegar na web.

Noticia do Media Post, em inglês, aqui.

Da Revista Época – nº 511 – 03/março/2008

Diablo Cody – Aos 29 anos, uma ex-dançarina de boate se consagra com Juno, filme cujo roteiro ela mesma escreveu, inspirada em suas experiências

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por Marcelo Bernardes, de Nova York

São muitas as histórias de vencedores do Oscar que sofreram em empregos menos nobres antes da fama. Joan Crawford foi ascensorista. Clint Eastwood fazia reparos em piscinas. Sean Connery trabalhou como leiteiro. Mas nenhuma dessas trajetórias foi tão colorida como a vivenciada por Diablo Cody, de 29 anos. Sua história não só dá um filme, como a própria Diablo escreveu essa história. E, no domingo passado, usando um vestido estampado da grife Dior, ela recebeu das mãos de Harrison Ford o Oscar de melhor roteiro original.

O prêmio foi o único da noite para um dos filmes-sensação da temporada: Juno, comédia sobre gravidez adolescente rodada por US$ 6 milhões – barata para os padrões hollywoodianos – e que já arrecadou mais de US$ 170 milhões em bilheteria no mundo todo. Em seu discurso, Diablo agradeceu à família, “por me amarem do jeito que eu sou”. Naquele momento, a enfadonha cerimônia do Oscar – que teve a menor audiência dos últimos anos – ganhou um sabor especial, picante até. Antes de estourar em Hollywood, Diablo tirava a roupa em boates.

Antes de ser a Diablo, a roteirista era conhecida como Brook Busey, uma garota de Chicago de Q.I. alto, família católica tradicional e que cresceu interessada em filmes de terror, rock, livros, gibis e garotos. Outro passatempo eram as conversas telefônicas repletas de metáforas com as amigas – usando um telefone em forma de hambúrguer, como o que se vê em Juno. Terminada a universidade, ela conheceu, pela internet, seu futuro marido, o designer gráfico Jonny Hunt, com quem se casou em 2002.

No ano seguinte, eles se mudaram para a fria Minneapolis, onde Brook assumiu uma vaga de secretária numa agência de publicidade. Num rompante de rebeldia, decidiu aparecer, duas noites por semana, num clube de strippers e relatar sua experiência num blog de nome impublicável. Para manter a privacidade na blogosfera, tirou da música “El Diablo”, da banda Duran Duran, inspiração para uma nova identidade.

Nas boates em que trabalhou durante um ano, Diablo se apresentou sob os pseudônimos Bonbon, Roxanne e Cherish. O começo foi difícil. Seus traços eram considerados “agressivos” para uma stripper, e ela estava acima do peso. “Muitas de minhas colegas eram lindas e tinham corpo de gazelas”, diz. “Havia uma que era a cara da Gisele Bündchen, com o mesmo traseiro minúsculo. Jamais pensei que conseguiria ganhar um tostão com esse tipo de concorrência!”

Diablo aprendeu o ofício rapidinho. Botas brancas e peruca loura chamavam a atenção da clientela (“Todo homem deseja uma sueca”, diz). Os cachês variavam entre US$ 20 e US$ 90 – este último para a bed dancing, na qual a stripper simula o ato sexual durante três minutos sobre o cliente, que fica deitado numa cama em um cubículo privativo. Metade dos ganhos ficava com a gerência. Na manhã seguinte, batente normal na agência de publicidade.

Descoberto por um caçador de talentos de Los Angeles, o blog de Diablo virou livro. Candy Girl saiu em 2006 e despertou curiosidade na imprensa americana, levando-a até o programa do apresentador David Letterman, onde ela declarou que, “hoje em dia, tudo é uma espécie de prostituição”. A idéia para um roteiro de cinema se tornou viável, e ela escreveu sobre uma adolescente falastrona que fica grávida e contempla a idéia de doar legalmente seu bebê para um casal de classe média alta criar. O texto entusiasmou o cineasta Jason Reitman (de Obrigado por Fumar), que decidiu dirigir o filme. “Diablo é a única voz atual capaz de se equiparar à de Quentin Tarantino.”

O sucesso de Juno abriu as portas para Diablo em Hollywood. Steven Spielberg encomendou um roteiro para uma série de TV sobre uma mulher suburbana de múltiplas personalidades. Ela também já vendeu duas novas idéias de filmes – um deles de terror, sobre uma garota canibal. A fama transformou sua vida particular. Em dezembro, ela se separou do marido. Dois dias depois de receber o Oscar, fotos dela em poses sensuais se alastraram pela internet. “Minha vida está um caos, mas estou tentando me reorganizar para voltar a escrever mais histórias sobre garotas. Afinal, nós merecemos uma exposição maior e mais inteligente em Hollywood.”

Da Revista Época – nº 511 – 03/março/2008

Chega ao Brasil o livro de receitas do exigente chef de Hell´s Kitchen, o reality show sobre culinária

Ele reúne um total de 12 estrelas do guia Michelin, somando seus restaurantes no Reino Unido e fora dele. Até hoje, só o mito francês Alain Ducasse mereceu tal deferência do guia mais respeitado do mundo. Trabalhar na cozinha do exigente chef escocês Gordon Ramsay é um inferno, mas experimentar sua comida é uma experiência divina.

O astro do reality show transmitido pela GNT Hell’s Kitchen – famoso por insultar os cozinheiros que passam por seu programa – acaba de lançar no Brasil o livro Segredos de Gordon Ramsay (Editora Globo, R$ 54).

LIVRO: Segredos de Gordon Ramsay

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Ao contrário do que faz na TV, no livro o ex-jogador de futebol é só gentilezas. Ramsay abre as portas de sua cozinha para o leitor e ensina princípios básicos. Diz qual a faca ou a panela ideais, dá receitas como a dos tatins de banana e rum (abaixo) e revela segredos como o dos cubos de azeite congelado que derretem na sopa, soltando o sabor aos poucos.

TATINS DE BANANA E RUM - Para 4 pessoas

A receita de tatins de banana é uma das cortesias de Ramsay no livro

Ingredientes:

  • 80 g de açúcar refinado
  • 80 g de manteiga sem sal em pedaços pequenos
  • 2 colheres (sopa) de rum escuro
  • 300 g de massa folhada
  • 2 bananas grandes ligeiramente verdes

Para servir: leques de baunilha, sorvete, creme ou crème fraîche, fatias de banana seca (opcionais), açúcar de confeiteiro para polvilhar (opcional)

  1. Pegue uma frigideira que vá ao forno ou uma forma chata rasa. Coloque o açúcar em uma panela de base pesada, adicione duas colheres de água gelada e aqueça até que derreta.
  2. Junte a manteiga e derreta em fogo médio, sacudindo a panela para misturar. Ferva até obter um caramelo marrom-escuro, mas não deixe queimar. Retire do fogo e acrescente o rum.
  3. Derrame o caramelo na frigideira e espalhe com o dorso de uma colher, cobrindo a área para quatro meias bananas. O caramelo não precisa chegar até as bordas. Esfrie até firmar.
  4. Abra a massa sobre uma superfície ligeiramente enfarinhada até ter um pouco mais de 3 mm. Amasse para formar uma bola e sole até ficar uniforme. Abra-a de novo, mais fina.
  5. Descasque cada banana, corte ao meio no sentido do comprimento e acomode o lado curvado sobre a massa. Corte a massa ao redor das bananas, deixando uma borda de 1 cm por toda a volta, criando formatos de meia-lua. Transfira as bananas para uma tábua com o lado cortado voltado para baixo e drapeie a massa sobre elas. Pressione a massa nas laterais das bananas e apare quaisquer excessos, depois acomode as metades de banana sobre o caramelo com as partes cortadas voltadas para baixo. Deixe descansar na geladeira por pelo menos 30 minutos. Preaqueça o forno a 200ºC.
  6. Pouco antes de servir, acomode a frigideira sobre uma chapa pesada de assar e leve ao forno por 12 a 15 minutos, até que a massa fique levemente dourada e crocante. Deixe descansar por 1 minuto. Depois deslize uma espátula debaixo de cada banana. Levante cada uma delas cuidadosamente e vire-as sobre o prato aquecido. Regue com os caldos caramelados da frigideira e cubra com um leque de baunilha. Sirva com uma bola de sorvete sobre uma fatia de banana seca ou acompanhe com creme ou crème fraîche. Polvilhe com açúcar de confeiteiro.

Da Revista Época – nº 511 – 03/março/2008

O ator de 65 anos conta como é retornar a Indiana Jones, personagem que não interpretava desde 1989

Bruno Segadilha e Fábio M. Barreto, de Los Angeles

No dia seguinte à entrega do Oscar 2008, Harrison Ford concedeu esta entrevista a ÉPOCA como parte da primeira rodada de divulgação de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, um dos filmes mais aguardados do ano, com estréia prevista para maio. Ele falou sobre como foi se reunir mais uma vez com a equipe dos três primeiros filmes da série, em que tipos de produção prefere trabalhar e ainda respondeu sobre suas opiniões políticas.

Aos 65 anos, Ford fala sobre o personagem com a mesma vivacidade e empolgação de 19 anos atrás, quando a terceira parte da aventura foi lançada. A animação é ainda mais evidente quando o assunto é a poderosa equipe reunida para o retorno do herói: Steven Spielberg, George Lucas, a produtora-executiva Kathleen Kennedy e o produtor Frank Marshall, pessoas que, segundo ele, são como uma “família”.

O resultado dessa forte união aparece nas telas na forma de um vigoroso herói que não pensa em aposentar o chicote. Desta vez, o antropólogo vivido por Ford mergulha na mitologia maia para encontrar um lendário crânio de cristal que pode lhe revelar poderes magníficos. Além disso, Indiana volta a lidar com figuras de seu passado, como o filho Mutt Willians (Shia LaBeouf), que em pouco tempo se envolve nas aventuras do pai. O filme foi rodado no Novo México, no Havaí e em Foz do Iguaçu.

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ENTREVISTA

Harrison Ford

VIDA

Nasceu em 1942, em Chicago, Illinois. Foi casado duas vezes e tem quatro filho

CARREIRA

Já participou de cerca de 50 filmes, muitos deles de ação e aventura

OSCAR

Em 1985, recebeu sua única indicação ao prêmio, na categoria de melhor ator, por A Testemunha

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ÉPOCA – Há alguma complicação para a volta de um personagem e de um filme de ação como esse 20 anos depois, além, óbvio, da passagem do tempo? Harrison Ford – Hoje, o Indiana Jones tem um conhecimento, uma visão diferente das coisas. Ele é um personagem que sempre pode ser mais explorado, tem ótimos relacionamentos e sempre algo novo para mostrar. É ótimo representar de novo o personagem, em um filme para a nova geração. Quando terminei de me vestir, toda essa experiência e perspectiva voltaram. Pus o chapéu e Indiana voltou. E ainda bem que a roupa original ainda me serviu. Consegui manter a mesma forma por 20 anos, o que é uma façanha. Foram 80 dias de filmagem com um só de folga. Mas tudo correu bem.

ÉPOCA – As filmagens podem ter levado menos de três meses, mas o roteiro virou novela e parecia que nunca ficaria pronto…

Ford – Na verdade, tínhamos pensado no projeto há cerca de 12 anos. Mas não deu certo. Demorou certo tempo para que eu, George Lucas e Steven Spielberg encontrássemos um jeito de juntar todos, de forma que o projeto fosse interessante para todo mundo, que o roteiro valesse a pena. E tinha de ser um grande filme, porque a expectativa em torno dele é muito grande.

ÉPOCA – Por que tanto zelo e preocupação, já que o personagem é querido e tem gerações de adoradores?

Ford – É exatamente por ele ser especial para mim e para o público. São os espectadores que chancelam meu trabalho com seu dinheiro nas bilheterias. A história tem de ser boa, e quem a conta também. Caso contrário, o público escolhe outro contador. É simples assim. Não posso ser aquele tipo de ator que coloca um nariz de borracha ou maquiagem pesada para parecer outra pessoa. Acredito que meu público goste de me ver – jovem ou um pouquinho mais velho -, e tenho de atender a esse tipo de demanda. Por isso, fiz todas as cenas de ação. E o filme precisa valer a pena, pois seria um desrespeito filmar uma história qualquer só por dinheiro.

ÉPOCA – Aos 65 anos, você ainda interpreta heróis de ação. Como consegue isso? A idade não atrapalha?

Ford – Acho que é o que me mantém saudável e ativo. Eu gosto muito de fazer isso. Não malhar pesado, só quando tenho de fazer um personagem que me exija isso. Aí, faço bastante exercício, mas por um tempo. Para mim, é mais uma questão de manter tudo em cima, fazer com que o corpo siga trabalhando. Normalmente, vou à academia três vezes por semana e fico lá por 40 minutos. Gosto de jogar tênis também. Coisa leve.

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“Ser herói não faz sentido. Interpreto personagens e pessoas que, às vezes, precisam praticar atos de heroísmo”

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ÉPOCA – O personagem Indiana Jones, às vezes, é politicamente incorreto. Ele leva alguns objetos históricos dos países por onde passa. O que você acha disso?

Ford – É verdade, eventualmente ele rouba algumas relíquias. Mas, antes de tudo, ele é um arqueólogo. Sua intenção inicial é estudar os objetos, e não roubá-los. Ele se interessa por aprender, é fascinado pelo mistério dessas coisas. Ele não usa as pessoas, não abusa dos lugares por onde passa. Mas, enfim, ele não é perfeito, erra de vez em quando. É o que o torna interessante.

ÉPOCA - E o professor de arqueologia tem planos de se aposentar?

Ford – Esse assunto nunca foi mencionado. Ainda há muito o que ser explorado com Indiana Jones (risos)!

ÉPOCA - Sua imagem é associada a heróis: Indiana, Han Solo (Guerra nas Estrelas), Jack Ryan (o agente da CIA de Jogos Patrióticos)… Você gosta do conceito de herói?

Ford – Tenho orgulho de Indiana Jones. Han Solo foi importante, embora não deseje voltar a ele, pois ele era meio bobo. E Jack Ryan eu também voltaria a fazer, tem muito a ser explorado. Porém, ser herói não faz sentido. Ninguém assina contrato para viver um “herói”. Vivemos personagens e pessoas que, às vezes, precisam praticar atos de heroísmo. Mas é pretensioso considerar-se um herói. Um dia, alguém decidiu que precisávamos de heróis no cinema e, a partir daí, todo filme ganhou um. Mas muita gente se esquece de que herói mesmo é um bombeiro que se arrisca por uma criança.

ÉPOCA - As pessoas deixaram de ir ao cinema para ver um ator em especial?

Ford – A década de 80 foi um dos períodos mais saudáveis para os filmes. Não existia DVD, o VHS estava começando e as pessoas iam ao cinema, pois era o único jeito. Hoje, criaram-se vários públicos. Há quem goste de ficar em casa, há quem continue seguindo atores e há aquele pessoal, especialmente jovens, que gosta de sair e aproveitar o bom e velho escurinho do cinema. Assim, os jovens se tornaram os espectadores mais consistentes.

ÉPOCA – Quanto a ser astro, houve mudança nestes 20 anos?

Ford – Os jovens têm afinidade com os atores da idade deles, pois querem ver a história deles mesmos. Não faria sentido me ver fazendo de conta ter 30 anos. O público precisa de caras da minha idade.

ÉPOCA – Acredita em uma chance de mudança nos EUA neste momento de eleições?

Ford – Claro. É necessário reinventar nossa economia, criar mais empregos para os jovens e voltar a prosperar. Precisamos de mudança, de disciplina focada, e parar de fazer um monte de coisas que estamos fazendo, como desperdiçar dinheiro em áreas erradas. O país estabeleceu objetivos altos, embora não cheguemos muito perto deles. Mas perdemos nosso ideal ao longo dos anos. É como se ele tivesse se desgastado, assim como os rostos no Monte Rushmore (a montanha onde foram esculpidos os rostos de quatro presidentes americanos). Este país sempre funcionou bem sob uma “liderança messiânica”, que recobra os ideais. Agora, temos este jovem líder, poderoso e idealista, Barack Obama, se erguendo. Ele pode dar um novo coração a este país e operar a mudança de que precisamos, e rápido.

Do Digestivo Cultural

Antes de qualquer coisa, devo dizer que nunca, jamais mencionei o nome de Oscar Niemaier na vida. Nem sei como se escreve. Péra. Ah, sim, é Niemeyer, né? Niemeyer. Enfim, dadas as circunstâncias, é alguém por quem nunca consegui nutrir o mínimo de interesse. Mas, como sempre um mas nos tirando do doce refúgio da razão ― ó doce refúgio da razão ―, mas li há pouco tempo uma entrevista na qual o Oscar Niemmaier, quer dizer, Niemeyer, droga, diz que filosofia deveria ser obrigatória em todos os cursos superiores, pois em vez de gente especializada, teríamos profissionais capazes de pelo menos discutir a vida.

É retardadice, óbvio, mas não é bonito? Gostei muito, um dos poucos textos com menos de duas laudas que acho valer a pena ser usado como tatuagem, mesmo dando um crédito aos professores de filosofia que eu jamais, jamais, jamais daria um dia e ignorando a fantástica incompatibilidade entre discutir a vida e trabalhar.

Não faz muito tempo, trabalhei num escritório em que o departamento de Recursos Humanos indicava para seus funcionários filmes como Jamaica abaixo de zero. Vocês dão risada, mas é sério. No começo parece até meio ridículo, eu sei, eu concordo, mas conforme você vai pensando no assunto, vai relevando as coisas, o negócio todo vai fazendo muito sentido.

Pensei, por exemplo, em quais filmes eu indicaria para os funcionários de uma empresa. Dois segundos depois já concluía que todos os filmes fariam com que os funcionários pedissem demissão na hora. Todos estes filmes certamente fariam com que eles percebessem que talvez não valesse tanto a pena jogar fora toda sua vida dentro de um escritório, cercado por grampeadores e liquid-papers, onde as pessoas fazem coisas com as quais elas não se importam nem um pouco, trabalhando na medida exata para não serem mandadas embora ou chateadas pelo chefe. E isto seria bem ruim para a empresa, suponho logicamente.

Me ocorreu Office Space, ou na tradução bem sugestiva, Como enlouquecer seu chefe. Não é um filme que eu poderia definir como genial, é só razoável, mas tudo está ali: o trânsito infernal de manhã, a secretária mecânica, os relatórios, a impressora que não funciona, o gerente retardado que tenta convencer seus funcionários da asneira de que o trabalho é algo gratificante, como se produzir mais pasta de dente fosse engrandecer o espírito de alguém, os prazos, cafés com pessoas cujas perspectivas da vida não superam a de uma pia, a auditoria, as demissões, enfim, tudo mesmo. Se você caiu neste papo de RH, assista este filme e get a life.

Quer dizer, não estou falando para você parar de trabalhar, afinal, você tem contas para pagar etc., mas este é o dilema no qual toda pessoa que resolve pensar na vida acaba caindo. Quando digo que meu objetivo de vida é parar de trabalhar, fico abismado quando as pessoas me respondem “e vai fazer o quê?” como se não lhes ocorresse nada, nada melhor para se fazer no mundo a não ser aquelas coisas que disse agora há pouco: trânsito de manhã, relatórios, secretárias etc.

O mote do filme é “trabalhar é um porre” e neste instante não consigo pensar em nada mais essencialmente e belamente verdadeiro. O filme é de Mike Judge, aquele mesmo cara que escreveu Beavis and Butt-Head, mas não nos precipitemos: o filme tem seus méritos.

Peter Gibbons, interpretado por Ron Livingston, é um programador de sistemas numa grande empresa de TI. De saco cheio, resolve se consultar com um psicólogo para tentar relaxar através de hipnose, ou uma destas coisas que fazem a gente pensar em passarinhos. A questão é que, no meio da consulta, o médico sofre um ataque cardíaco e morre, deixando o Peter eternamente relaxado.

A idéia é tentar nos mostrar o que aconteceria caso parássemos de nos importar com coisas que nos aborrecem. Sei de casos extraordinários em que pessoas realmente gostam de trabalhar, pessoas que acharam um motivo que não fosse exclusivamente financeiro para ficar feliz com esta situação. São as pessoas que Beethoven definia como artistas livres, que Mencken lembra através da tradução do Ruy Castro como “o homem que ganha a vida sem nenhum patrão para amolá-lo diretamente, fazendo coisas que o agradam enormemente e que continuaria fazendo com prazer, mesmo que toda a pressão econômica sobre ele desaparecesse”. Mas este não é o caso da maioria das pessoas, onde eu me incluo.

Certa vez um velhinho me disse algo sobre realização pessoal no trabalho, como quem usa o trabalho para atingir algum tipo de satisfação social. Acho totalmente válido, mas usar o trabalho, o tipo de trabalho ao qual me referi no começo do texto, para se realizar pessoalmente me soa a tanta falta de imaginação que me desanima só em cogitar esta possibilidade. Sou exatamente aquilo que Mencken define um pouco adiante, o escravo absoluto: alguém que se sujeita ao trabalho como mal necessário. E é muito duro enxergar a si mesmo nesta situação. Por isto quero que os professores de filosofia fiquem bem longe de mim, ouviram? Bem longe! Bem longe!

por Eduardo Mineo 

do Digestivo Cultural

Gostaria de me casar numa igreja como esta. Acho impossível alguém ver essa cena e não querer se casar. Não sei como uma feminista vê um casamento desses e não sai correndo para esconder seus livros da Simone de Beauvoir e vestir um sutiã. O que há de errado com casamentos, afinal? Mulheres moderninhas dizem aborrecidas que jamais se casarão porque, onde já se viu, se casar, oras, oras, lavar pratos pra sujeito barbado etc. Se casamento fosse isto, realmente seria algo terrível, mas eu não consigo vê-lo desta forma.

Praticamente todas as acusações contra o casamento são frutos de uma mente meio camponesa que reclama das funções que o marido supostamente obriga sua esposa a exercer, mas que hoje em dia já são feitas por máquinas com uma qualidade infinitamente superior a um custo infinitamente inferior. A relação de marido e esposa, portanto, está acima disso; tem de estar acima disso. Alguém pode não querer se casar por não querer relacionamentos e isto é até tolerável, mas que deixe isso claro e não fique reclamando das, ó, imposições machistas do casamento e blábláblá. O casamento não tem nada disso; não, pelo menos, pra mim. Certo, acredito em alguns conceitos conservadores, como o sustento da casa ser obrigação minha, mas jamais trancaria minha esposa numa cozinha. E, além do mais, a imagem de um casal me parece sempre bonita. Não a de um simples casal de namorados, desses que a gente vê trocando fluidos em shoppings, mas a de um casal que assumiu um ao outro e que está disposto a encarar tudo para sempre. É uma imagem bonita.

E a imagem de se casar numa igreja também é bonita, embora eu esteja tratando o casamento de uma forma bem genérica. O casamento religioso é, além de um contrato entre marido e esposa, um contrato entre o casal e Deus, o que pra mim já é um exagero. Eu não sou cristão, ou pior, eu não acredito em Deus, mas preferiria me casar numa igreja. Na verdade eu nem estou tão certo de que Deus não existe, nem questiono muito os dogmas da fé porque não me interesso por dogmas da fé, mas alguns costumes cristãos já fazem parte da minha vida ― como o natal, a páscoa, o casamento, exclamações como “Meu Deus!”, “Por Cristo!” etc. ―, e não estou disposto a me desfazer deles só porque acho a idéia de um Deus meio besta. Uns sujeitos argumentam “a ciência não explica a criação da vida” e a melhor resposta pra isso é um Deus?

Percebam que eu estou evitando ao máximo o uso dos termos “ateu” e “agnóstico” porque não gostaria de receber a mesma classificação de um pré-adolescente mongolóide que provavelmente nunca ouviu falar em R.G.Ingersoll. Ele não fez grande literatura, nem grande filosofia, mas me pareceu bem persuasivo no que se refere ao amor como algo que não pode ser propriedade e, portanto, não pode ser uma obrigação. Ninguém pode ser obrigado a amar ou admirar um quadro, uma música; da mesma forma como ninguém pode ser obrigado a amar ou admirar um Deus. A fé, portanto, não pode estar acima da pessoa de modo que a crença ou não-crença seja fator para um desempate, por assim dizer, para ser absolvido e ir para um céu. Considerando isso, a religião se resume aos costumes e à ética; e qualquer discussão sobre a existência de um Deus perderia seu sentido porque não deveria importar o fato de alguém acreditar ou não num Deus.

Porém, se Deus existir e se a fé for uma obrigação ou um pré-requisito para se entrar em seu céu, onde todo o comportamento do indivíduo durante sua vida importe menos do que sua simples opinião sobre Deus, então, aí sim, eu sou contra este Deus. Mas minhas diferenças com a igreja terminam aí; são pontuais e não surgiram do excesso de testosterona, garanto. E numa discussão com um cristão eu nunca, em hipótese alguma, usaria contra ele a Santa Inquisição, porque isso não se faz, entende? Algumas coisas simplesmente não se fazem, como usar camisetas do Che Guevara ou comer terra. E em algumas ocasiões, até me pergunto com muita curiosidade como foram impedir a igreja de queimar certos tipos de gente…

Pensando agora, pelo lado da igreja, aceitar o casamento de um não-crente seria o equivalente a aceitar o casamento de gays e eu entendo perfeitamente que a igreja recuse. Não é a religião que tem que estar de acordo com as pessoas, mas o contrário, porque esta é a função da religião: definir regras. E se estas regras forem maleáveis, se perde o próprio conceito de religião. Tendo em vista que eu sou uma pessoa superficial, admito casar num lugar que não seja uma igreja porque, embora eu realmente acredite nos valores e ideais cafonas da instituição do casamento, dou grande valor ao senso estético da coisa toda e gostaria de me casar num lugar que pelo menos se parecesse com aquela igreja lá. O grande problema, entretanto, é que o tipo de garota que se casa geralmente faz questão do casamento religioso, né, e eu teria de fingir um pouco. Seria o meu primeiro sacrifício por ela, digamos. Ou, tudo bem, sacrifício é um exagero, já fingi coisas muito piores como gostar de gatos, mas um esforcinho, pelo menos. Eu reprovaria, claro, por isto torço para que minha esposa seja superficial também.

Isto é, se eu casar. Sou uma pessoa razoavelmente desinteressante e hoje em dia é tão difícil encontrar garotas bonitas e desinteressantes. Garotas bonitas são do tipo que gostam de dançar e de caminhar em lugares perigosos e de surfar e de bares lotados e de músicas eletrônicas e de muitas outras coisas monstruosamente legais, ao passo que o meu momento mais emocionante de hoje foi uma câimbra patética em frente ao escritório.

Sem contar a minha espetacular incompetência com estes tipos. Me ocorre uma garota linda de quem nunca consegui um sorriso em momento algum, nem um sorriso simulado, nem um esboço de cordialidade com uma levantada de ombros, nada. Tenho certeza de que fiz algumas boas tentativas, mas todas em vão. E não devo ser tão feio a ponto de ofuscar todos os seus pensamentos num tipo impressionante de colapso. Mas ela me olha como se eu tivesse a aparência de uma palestra de motivação empresarial. O que devo fazer sobre Bettina? Não sei, não sei

por Eduardo Mineo