November 2007


por Marcelo Spalding, em Digestiv Cultural

O assunto não é novo e nem sei se interessa, mas como parece à beira de cair no ridículo e virar mais um motivo de charge da impávida imprensa, volto a ele a partir de uma palestra do importante lingüista Carlos Emílio Faraco, o célebre Faraco das gramáticas Faraco e Moura.

Antes das opiniões, os fatos. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é um tratado internacional de 1990, isso mesmo, 1990!, que tem como objetivo unificar a ortografia do português, que hoje conta com duas ortografias distintas, a do Brasil e a dos demais países, encabeçados por Portugal. À época o acordo foi assinado pelos representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe em Lisboa, mas manobras políticas têm adiado sua efetivação, marcada agora para 2009.

O tema voltou ao noticiário porque três países ratificaram o acordo, o que permitiria, legalmente, que ele fosse implantado já a partir de 2008, alterando regras de acentuação e hifenização, entre outros. O objetivo aparente é unificar as ortografias, já que o português é a terceira língua ocidental mais falada no mundo e a única das línguas faladas por mais de cinqüenta milhões de pessoas com mais de uma ortografia oficial, o que atrapalharia inclusive a redação de contratos em português por organismos internacionais. Mas por trás disso há profundos objetivos políticos, e é a partir deles que Faraco justifica a resistência dos portugueses em aceitar o acordo.

Em palestra proferida numa Universidade de Porto Alegre, Faraco afirma que Portugal estaria fazendo uso político da variação ortográfica oficial para dificultar, “embaraçar” a presença brasileira em países de língua portuguesa, trazendo claros prejuízos culturais, econômicos e políticos. Prova disso seria o fato de que diversos livros de autores portugueses e luso-africanos – ultimamente editados às pencas no Brasil – trazem a grafia original a pedido do autor, mas nenhum livro de autor brasileiro é editado com a grafia original em Portugal, pois os portugueses não aceitariam tal ousadia, tal ultraje. Os portugueses, segundo Faraco, se julgam os donos da língua, mas o futuro da língua está inegavelmente no Brasil e seus quase duzentos milhões de falantes, o que os preocupa sobremaneira.

Não se pode negar, entretanto, que a disputa entre adotar ou não o novo acordo deixou de ser apenas uma queda de braço entre Brasil e Portugal e passou a ser motivo de polêmica também dentro do país, onde a mídia em geral e alguns doutos em particular defendem com unhas e dentes a preservação da ortografia atual. Os argumentos são diversos e devem ser respeitados, mas Faraco faz questão de lembrá-los e rebatê-los um a um.

Primeiramente se diz que nenhum acordo, nenhum papel assinado será capaz de unificar a língua falada aqui e além-mar, afora o léxico bastante variado que existe no Brasil, em Portugal e em Moçambique, por exemplo, ou a pronúncia quase incompreensível dos portugueses (particularmente acho mais fácil compreender a narração de um jogo de futebol numa TV espanhola do que numa TV portuguesa). E Faraco não discorda de nada disso, acrescentando ainda que jamais se conseguirá diminuir as variações lingüísticas existentes dentro do próprio Brasil, inerentes e saudáveis a qualquer língua do mundo. Não seria este, entretanto, o objetivo do acordo, que visa unificar a ortografia, não a língua. E cita as línguas inglesa e espanhola como exemplo de línguas com usos variados de acordo com o país mas ortografia oficial única.

Outro argumento constante daqueles que são contra o acordo é o enorme custo que o governo terá para adquirir novos livros didáticos para seus milhões de alunos, reequipar as já agonizantes bibliotecas, reeducar os já despreparados professores. A este argumento, econômico, Faraco responde com o já citado argumento político e lembra que estrategicamente o Brasil perde e perderá muito mais dinheiro com a duplicidade de ortografia por causa das dificuldades por ela suscitadas no comércio internacional do que eventualmente dispenderá com a compra de novos materiais didáticos. Além do que, sublinha o gramático, não se quer a reimpressão de todas as bibliotecas e todos os livros escritos, outras mudanças ortográficas já foram feitas no país – 1943, 1971 – e elas sempre valem dali em diante.

Por fim, Faraco considera a rejeição à mudança ortográfica proposta apenas um sinal claro de que os falantes de uma língua rejeitam mudanças recentes em sua língua, especialmente se elas mexem na língua culta, onde há forte monitoramento social, mesmo quando elas já são usuárias da mudança. Por isso os mesmos que em casa falam “a cidade que nasci” ou “vamos se respeitar” na escola dirão, aos berros, que o correto é “a cidade em que nasci” ou “vamos nos respeitar” (isso quando não se hipercorrigirem e inventarem “vamos nos respeitarmos”).

Na base de tudo isso, segundo o gramático, está a vergonha que o brasileiro tem da própria língua e o fato de que “nossa sociedade é intolerante e preconceituosa, não admite a diversidade”. Mas aí seria tema pra outra coluna, outra palestra e outra polêmica. Por ora nos interessa apenas lembrar ainda que os países de língua portuguesa que motivam essa disputa “ortografopolítica”, especialmente Angola e Moçambique, libertaram-se de Portugal apenas em 1975, depois de sangrentas guerras coloniais, e só no século XXI conseguiram erradicar as guerras civis patrocinadas em seus territórios por comunistas e liberais, emergindo agora de uma situação de profunda pobreza e despertando o interesse comercial das nações em desenvolvimento. Afinal, trata-se de uma população de 20 milhões de pessoas em Moçambique e 12 milhões em Angola, ambas mais populosas, apesar de tantas mortes e guerras, do que a população de Portugal.

Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 30 de novembro de 2007 às 07h00

Zero. A menos de um mês da estréia da TV em São Paulo, o engenheiro norte-americano queria saber quantos receptores tinham sido vendidos pelo comércio à população. A resposta foi uníssona: nenhum. A passagem acima, narrada por Fernando Moraes em “Chatô, o Rei do Brasil”, retrata as vésperas da inauguração da TV Tupi, em 1950, mas poderia muito bem ser transposta para os dias de hoje.

Para resolver o problema da falta de audiência para a estréia da TV no Brasil, o folclórico Assis Chateaubriand mandou contrabandear duas centenas de aparelhos de TV – por vias legais, os equipamentos não chegariam a tempo. Um deles foi direto para o Palácio do Catete, como presente ao presidente Eurico Gaspar Dutra, para resolver os empecilhos alfandegários.

Chatô mandou espalhar os aparelhos em vitrines de lojas por toda a cidade, mas o engenheiro norte-americano contratado para comandar a estréia da TV no Brasil, Walther Obermüller, não deixou de observar: “Quando vocês forem escrever a história da televisão no Brasil vão ter que dizer que no dia da estréia certamente havia mais gente atrás das câmeras do que diante dos receptores.”

A dois dias do início oficial da transmissão digital – mais uma vez em São Paulo -, a história parece se repetir. Os aparelhos não foram contrabandeados, mas também foram trazidos às pressas do exterior para garantir audiência para a estréia da TV digital e também chegaram de véspera – somente nesta semana as lojas colocaram conversores e TVs com receptores nas suas prateleiras.

A indústria não arrisca um palpite sobre quantos aparelhos serão vendidos neste primeiro momento e as emissoras não sabem dizer quem será sua audiência, mas uma coisa é certa: TV digital, por enquanto, é para poucos.

Com o conversor mais barato sendo vendido a 500 reais e as TVs com receptores custando para lá de sete mil reais, dentro do restrito universo que é a região metropolitana de São Paulo, onde o sinal chega primeiro, um grupo ainda mais seleto – aquele, que diga-se, sempre tem acesso às novidades em primeira mão – verá a TV digital nascer no Brasil.

Diante de uma platéia de 1,2 mil ilustres convidados, na pomposa Sala São Paulo, o presidente Lula falará em rede nacional, no domingo, às 20h30, sobre esse momento histórico, acompanhado pela ministra Dilma Houssef e pelo ministro Hélio Costa, que tantas vezes falou em conversores a “100 reais” e já prometeu se empenhar em conseguir um “Conversor para Todos” – um receptor com isenção fiscal e financiamento, que caiba no bolso dos “assalariados”, como ele mesmo definiu.

Até lá, a TV digital fica no ar para “quem tem dinheiro”, como admitiu Marcelo Amaral, vice-coordenador da área de mercado do Fórum SBTVD e diretor de tecnologia da Record. Foi assim também com a TV colorida – como lembrou Costa – nos anos 70 e com tantas outras novidades tecnológicas, do já pré-histórico videocassete ao hoje popular DVD player.

Para se ter uma idéia do ritmo da evolução, em 1970, duas décadas após o lançamento da TV no Brasil, apenas 27% das residências brasileiras tinham TV, sendo que 75% dos aparelhos estavam no eixo Rio-São Paulo. Na início da década seguinte, esse número já saltaria para 55% dos lares com TV.

Mesmo assim, os especialistas apostam que a TV digital pode pegar mais rápido do que se imagina por aqui, a final, “brasileiro adora televisão”, eles dizem. Nove – para arredondar a conta – em cada dez lares brasileiros já têm pelo menos uma TV, o que não impede a indústria de vender 10 milhões de novos aparelhos todos os anos.

Rápido não quer dizer de um dia para o outro. Eventos como as Olimpíadas, no ano que vem, e a Copa do Mundo, em 2010, devem puxar a venda de equipamentos compatíveis com a transmissão digital – afinal, quem não quer ver a seleção canarinho entrando em campo em alta definição? – e ajudar na meta de aposentar o sistema analógico nos próximos dez anos.

A inclusão digital também pode ser um caminho para popularizar a TV digital no Brasil. Como lembrou Hélio Rotenberg, presidente da Positivo (empresa nacional conhecida por vender PCs baratos e, agora, conversores baratos – o aparelho de menor preço do mercado, 500 reais, é deles), o brasileiro tem urgência em se conectar – “hoje em dia tudo é site”, disse um consumidor da classe C, em pesquisa feita pela empresa.

Menos de um quarto dos brasileiros têm acesso a computador e um número ainda menor navega na internet. Quando a interatividade estiver disponível nos conversores – a previsão é de que até o final do próximo ano ela chegue – e os aparelhos custarem os 100 reais prometidos pelo ministro (o que não é impossível, já que na Europa há conversores por 50 euros), as pessoas que não têm 1 mil reais para desembolsar por um computador poderão ter acesso a coisas que já fazem parte da rotina da classe média – como internet banking, por exemplo – a partir da TV.

É justamente para este público que a TV digital realmente pode fazer a diferença. Como muitos leitores apontaram ao longo dos últimos dias, em que o IDG Now! publicou uma série de reportagens sobre TV digital, as classes médias e alta já têm TV digital à sua disposição, por meio dos provedores de TV por assinatura.

Até mesmo a alta definição, que é um dos diferenciais da transmissão digital aberta, será levada aos provedores de conteúdo pago aos seus clientes – para isto, basta oferecer a eles uma nova caixinha, ou set top box, compatível com HD (High Definition).

Para este público, ter uma TV de LCD ou plasma transmitindo na mais alta definição é apenas um conforto. Para quem não tem computador nem internet, ter um conversor que ofereça na sua boa e velha TV de tubo não só uma imagem melhor – sem chuviscos e fantasmas -, mas informação, acesso a serviços e, no final das contas, a tão desejada inclusão digital, é uma revolução.

Da Veja (17/10/2007)

Um torneio pelo qual se verifica que a arte de nomear povoações se perdeu, com o passar do tempo

São João del-Rei é um bonito nome de cidade. Transmite uma nobreza antiga, sóbria e sábia. Da mesma estirpe, e não por acaso também de cidades históricas mineiras, são os nomes Mariana, Congonhas do Campo, Ouro Preto. De outra família, mas igualmente bonito, é o nome Paraty, de outra cidade histórica, esta contemplada, talvez por estar plantada à beira-mar, com alegres vogais. Como Paraty são Piripiri (PI) e Parintins (AM), com seus coros de is. Há muitos nomes indígenas que brincam nos ouvidos, alguns curtos – Ubá (MG), Itu (SP) –, outros de travar a língua – Cumuruxatiba (BA), Itaquaquecetuba (SP). Feio é o nome de Sinop, no norte de Mato Grosso. Com infelicidade rara, a cidade adotou a sigla da empresa que colonizou a região, Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná. Sinop não tem nem trinta anos. Dar nome às cidades é uma arte perdida.

Feios são, em regra, os nomes terminados em lândia – Analândia (SP), Andrelândia (MG), ou a apoteose representada por Epitaciolândia (AC) – e em polis – Mantenópolis (ES), Delfinópolis (MG), Eunápolis (BA). Goiás tem dezoito cidades em lândia (de Adelândia a Sanclerlândia, passando por Inaciolândia) e 24 em polis (de Amorinópolis a Vicentinópolis, e, se o leitor ainda não está satisfeito, Damianópolis, Mutunópolis e Palminópolis). Juntas, elas perfazem quase 20% dos 246 municípios do estado. Para não se pensar em má vontade para com Goiás, o primitivo nome da antiga capital do estado é dos mais bonitos já inventados no país – Vila Boa de Goiás. As cidades em lândia e em polis são, na esmagadora maioria, novas. Confirmam que hoje em dia se perdeu o rumo, na arte de nomear povoações.

Mais raros do que os em lândia e em polis, mas igualmente feios, são os nomes em burgo: Arceburgo, Felisburgo, Luisburgo. São todos municípios mineiros. Se excetuarmos Novo Hamburgo (RS), Nova Friburgo (RJ) e Fraiburgo (SC), menos chocantes porque remetem a velhas cidades européias, todos os poucos burgos se concentram em Minas. Cordisburgo é outro burgo mineiro, mas este deixou de ser feio: virou bonito, porque Guimarães Rosa nasceu lá. Uma vez quiseram mudar o nome do lugar para Guimarães Rosa. Em vez de homenagem, seria um insulto à sua memória.

Exceção, na feiúra dos nomes em polis, são Petrópolis e Teresópolis. Eles se salvam pelas homenagens à família real brasileira. Florianópolis poderia ser outra exceção, por causa do “flor” da primeira sílaba, e mais ainda por causa do simpático apelido de “Floripa”, mas há um problema: Florianópolis homenageia o marechal Floriano Peixoto, por ordem de quem foram massacrados, freqüentemente pelo método de cortar cabeças, os rebeldes da Revolução Federalista de fins do século XIX. Ou seja: a cidade homenageia seu algoz.

Feios são os nomes de gente aplicados a cidades. Há uma no Piauí que se chama Demerval Lobão. No Maranhão existe uma Ribamar Riquene. Por maiores que tenham sido os méritos desses senhores, como nome de cidade caem mal, desastrosamente mal. Santa Catarina tem um fraco por dar nome de gente às cidades. Há as que se apresentam com nome e sobrenome (Abdon Batista, Lebon Régis, Otacílio Costa), as que incluem os títulos (Doutor Pedrinho, Frei Rogério, Major Gercino) e as que se resumem a uma palavra (Galvão, Blumenau). No total 34, dos 293 municípios do estado, levam nome de gente. Blumenau, duro nome alemão, tanto se impôs como nome de cidade que até se esquece que homenageia seu fundador. Salva-se por isso.

Rio de Janeiro é um bonito nome. Faz uma bizarra combinação de acidente geográfico com uma das divisões do ano. Mistura espaço e tempo. Se a cidade se chamasse Abel Figueiredo, tal qual um município do Pará, ou Estaciolândia, em homenagem a Estácio de Sá, a quem se atribui sua fundação, não seria tão bonito. Belo Horizonte é um nome ao qual é preciso se acostumar. Machado de Assis, que viu nascer a nova capital das Minas Gerais, estranhou que ela fosse batizada com uma exclamação. Bonitos são os nomes que combinam santo com nome indígena: Conceição do Araguaia (PA), Santa Rita do Sapucaí (MG), São Luís do Paraitinga (SP). E mais bonitos ainda os que combinam os santos com misteriosos atributos: Santo Amaro da Purificação (BA), São José dos Ausentes (RS), São Miguel do Gostoso (RN), São Thomé das Letras (MG).

Há nomes de uma beleza triste, às vezes trágica. O melhor exemplo é Afogados da Ingazeira, em Pernambuco, notável pela coragem de homenagear gente que se afogou por lá. Baía da Traição (PB) pertence ao mesmo gênero. Dores do Indaiá, no coração de Minas, é dos nomes mais bonitos do Brasil. Merece fechar este I Concurso de Beleza de Nomes de Cidades Brasileiras, criado e desenvolvido por este colunista, que foi ainda seu único e solitário juiz. Concursos similares o leitor está autorizado a estender para outros setores – nome de times de futebol, de operações da Polícia Federal, de senadores (o colunista não cobrará royalties). Quando se está cansado de discutir as coisas em si, uma alternativa é discutir o nome delas.

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

de Martha Medeiros

No mais recente livro de Carlos Moraes, o ótimo “Agora Deus vai te pegar lá fora”, há um trecho em que uma mulher ouve a seguinte pergunta de um major:
- Por que você não é feliz como todo mundo?
A que ela responde mais ou menos assim:
- Como o senhor ousa dizer que não sou feliz? O que o senhor sabe do que eu digo para o meu marido depois do amor? E do que eu sinto quando ouço Vivaldi? E do que eu rio com meu filho? E por que mundos viajo quando leio Murilo Mendes? A sua felicidade, que eu respeito, não é a minha, major.

E assim é. Temos a pretensão de decretar quem é feliz ou infeliz de acordo com nossa ótica particular, como se felicidade fosse algo que pudesse ser visualizado. Somos apresentados a alguém com olheiras profundas e imediatamente passamos a lamentar suas prováveis noites insones causadas por problemas tortuosos.

Ou alguém faz uma queixa infantil da esposa e rapidamente decretamos que é um fracassado no amor, que seu casamento deve ser um inferno, pobre sujeito. É nestas horas que junto a ponta dos cinco dedos da mão e sacudo-a no ar, feito uma italiana indignada:

- Mas que sabemos nós da vida dos outros?

Nossos momentos felizes se dão, quase todos, na intimidade, quando ninguém está nos vendo. O barulho da chave da porta, de madrugada, trazendo um adolescente de volta pra casa. O cálice de vinho oferecido por uma amiga com quem acabamos de fazer as pazes. Sentar-se no cinema, sozinho, para assistir ao filme tão esperado. Depois de anos com o coração em marcha lenta, rever um ex-amor e descobrir que ainda é capaz de sentir palpitações.

Os acordos secretos que temos com filhos, netos, amigos. A emoção provocada por uma frase de um livro. A felicidade de uma cura. E a infelicidade aceita como parte do jogo – ninguém é tão feliz quanto aquele que lida bem com suas precariedades.

O que sei eu sobre aquele que parece radiante e aquela outra que parece à beira do suicídio? Eles podem parecer o que for e eu seguirei sem saber de nada, sem saber de onde eles extraem prazer e dor, como administram seus azedumes e seus êxtases, e muito menos por quanto anda a cotação de felicidade em suas vidas. Costumamos julgar roupas, comportamento, caráter – juízes indefectíveis que somos da vida alheia – mas é um atrevimento nos outorgar o direito de reconhecer, apenas pelas aparências, quem sofre e quem está em paz.

A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém. Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa, a que ela recorre para conquistar serenidade, em quais pensamentos se ampara quando quer descansar do mundo, o quanto de energia coloca no que faz, e no que ela é capaz de desfazer para manter-se sã.

Toda felicidade é construída por emoções secretas.
Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só com a nossa permissão.

De O Filtro – 16/11/2007

O Valor republica excepcional reportagem da revista Business Week desmistificando as “empresas verdes”. A matéria mostra os dilemas de Auden Schendler, um dos ícones da onda ambientalmente correta nas empresas. “Quem estamos enganando?”, diz. “Consegui viabilizar muitos projetos atraentes, mas fracassei no que me propus a fazer”, diz ele. “Como tornar uma companhia verde? É quase impossível.” A reportagem deveria ser obrigatória nos MBAs de gestão empresarial.

Postado no por Urso Branco

Gravata Sexy

Sou publicitário e ganhei uma gravata azul estampada com bichinhos de um amigo, com que cor de terno poderei usá-la?

Caro leitor, em primeiro lugar escolha melhor seus amigos, pois com esses que você tem acho que terá muitos problemas e, ocasionalmente, poderá ser mal interpretado pelos demais da sua espécie.

Respondendo sua questão, para não errar feio, siga o tempo para escolher qual gravata usar, por exemplo, em São Paulo, pelo que vi até agora, o céu quase sempre está cinza, portanto use gravata cinza. Se estiver chovendo pode usar uma listrada em diagonal que vai combinar.

Agora, se algum dia você olhar para o céu e ele estiver azul com bichinhos estampados, pode usar essa gravata com o terno que você quiser, verde, laranja, até mesmo roxo, porque na sua situação psicológica você realmente estará dando pelotas pela opinião dos demais mortais.

O Filtro – 13/11/2007 

Várias
A Comissão de Ética Pública, ligada à Presidência da República, vai gastar R$ 153 mil por uma pesquisa nacional para saber a opinião dos brasileiros sobre ética no serviço público, informa O Globo . Se me perguntarem, vou dizer que ética é não desperdiçar R$ 153 mil de dinheiro público.

Da Wikipédia, por Betrand Russell

1. Não tenha certeza absoluta de nada.

2. Não considere que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.

3. Nunca tente desencorajar o pensamento, pois com certeza você terá sucesso.

4. Quando você encontrar oposição, mesmo que seja de seu marido ou de suas crianças, esforce-se para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.

5. Não tenha respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.

6. Não use o poder para suprimir opiniões que considere perniciosas, pois as opiniões irão suprimir você.

7. Não tenha medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.

8. Encontre mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se você valoriza a inteligência como deveria, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.

9. Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentar escondê-la.

10. Não tenha inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

Do O Jornalismo Morreu! 

1. Ler muito, inclusive em inglês.
2. Escrever bastante.
3. Pesquisar na internet e relacionar as informações encontradas.
4. Operar planilhas e editores de texto.
5. Operar programas de e-mail e messengers.
6. Participar de diversos fóruns e listas de discussão.
7. Fotografar, manipular as fotos em programas específicos, distribuir as fotos em fotologs.
8. Fazer e editar vídeos em celular ou câmeras domésticas, publicar e embutir estes vídeos em páginas Web.
9. Gravar entrevistas com seu MP3 player ou celular.
10. Editar áudio digital e fazer podcast.
11. Contratar e instalar serviços em hospedagem internet (CMS, blogs, sistemas de workgroup, fóruns, galerias de fotos).
12. Gerenciar um sistema gerenciador de conteúdo (CMS), blog, fórum [de novo].
13. Conhecer HTML o suficiente para fazer links ou modificar templates e skins.
14. Usar sistemas de anúncios tipo AdSense.
15. Assinar e gerenciar uma enorme lista de feeds RSS sobre sua especialidade.
16. Trocar arquivos em sistemas peer-to-peer ou de troca de grandes arquivos.
17. Fazer mashups, mapas e modelos 3D com Google Maps, Google Earth e Google SketchUp.
18. Gerenciar, com diplomacia, comunidades de leitores.
19. Resolver pepinos e abacaxis em seu computador.
20. Estar sempre antenado com as tendências das mídias digitais.

por José Antonio Meira da Rocha

De O Filtro 05/11/2007

Da atriz Fernanda Montenegro à Sonia Racy, na edição dominical de O Estado:

“Vê-se no rosto de Lula, no brilho dos seus olhos, que ele é o homem mais feliz deste País. Está feliz porque conseguiu o impossível. (..) Ele é um ator de extraordinário carisma, que tem a casa cheia todo dia. Tanto que tem mais de 60% de aprovação. Tem uma platéia infindável, está virando um mito. Mas a educação vai mal e a saúde vai pior. As cestas básicas e o salário-família estão segurando o rojão. Na miséria total, um prato de comida pode ser um grande milagre. É um socorro momentâneo? É. É o bastante? Não. Economicamente, a informação é que o Brasil vai ótimo. E toca o bonde”.