June 2007


canibal.jpgEm Nairóbi, Quênia, depois de um criterioso processo de recrutamento com entrevistas, testes e dinâmicas de grupo, uma grande empresa contratou um grupo de canibais para fazerem parte de sua equipe.

“Agora vocês fazem parte de uma grande equipe” – disse o Diretor de RH, durante a cerimônia de boas vindas.

“Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa. Por exemplo, podem ir à lanchonete da empresa quando quiserem para comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados, por favor!”

Quatro semanas mais tarde, o chefe os chamou:

“Vocês estão trabalhando duro e eu estou satisfeito. Mas a mulher que serve o cafezinho desapareceu. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?”

Todos os canibais negaram com a cabeça. Depois que o chefe foi embora, o líder canibal pergunta a eles: “Quem foi o idiota que comeu a mulher que servia o cafezinho?”

Um deles, timidamente, ergue a mão. O líder responde:

“Mas tu és uma besta, mesmo! Nós estamos aqui, com essa tremenda oportunidade nas mãos. Já comemos 3 diretores, 2 superintendentes, 5 assessores, 2 coordenadores, e uns 3 gerentes, durante essas quatro semanas sem ninguém perceber nada. E poderíamos continuar ainda por um bom tempo. Mas não… Você tinha de estragar tudo e comer uma pessoa que faz falta?!”

(recebi por email! - e dá o que pensar…)

A paz que trago hoje em meu peito é diferente da paz que eu sonhei um dia…

Quando se é jovem ou imaturo, imagina-se que ter paz é poder fazer o que se quer, repousar, ficar em silêncio e jamais enfrentar uma contradição ou uma decepção.

Todavia, o tempo vai nos mostrando que a paz é resultado do entendimento de algumas lições importantes que a vida nos oferece.

A paz está no dinamismo da vida, no trabalho, na esperança, na confiança e na fé…

Ter paz é ter a consciência tranqüila, é ter certeza de que se fez o melhor ou, pelo menos, tentou…

Ter paz é assumir responsabilidades e cumpri -las, é ter serenidade nos momentos mais difíceis da vida.

Ter paz é ter um coração que ama…

Ter paz é ter ouvidos que ouvem, olhos que vêem e boca que diz palavras que constroem.

Ter paz é brincar com as crianças, voar com os passarinhos…

Ouvir o riacho que desliza sobre as pedras e embala os ramos verdes que em suas águas se espreguiçam…

Ter paz é não querer que os outros se modifiquem para nos agradar, é respeitar as opiniões contrárias, é esquecer as ofensas.

Ter paz é aprender com os próprios erros, é dizer não quando é não que se quer dizer…

Ter paz é ter coragem de chorar ou de sorrir quando se tem vontade…

É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho, agradecer…

Ter paz é admitir a própria imperfeição e reconhecer os medos, as fraquezas, as carências…

A paz que hoje trago em meu peito é a tranqüilidade de aceitar os outros como são, e a disposição para mudar as próprias imperfeições.

É a humildade para reconhecer que não sei tudo e aprender até com os insetos…

É a vontade de dividir o pouco que tenho e não me aprisionar ao que não possuo.

É admitir que nem sempre tenho razão e, mesmo que tenha, não brigar por ela.

É melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra.

A paz que hoje trago em meu peito é a confiança em Deus, que criou e governa o mundo…

A certeza da vida futura e a convicção de que receberei, das leis soberanas da vida, o que a elas tiver oferecido.

Às vezes, para manter a paz que hoje mora em teu peito, é preciso usar um poderoso aliado chamado SILÊNCIO.

Lembra-te de usar o silêncio quando ouvir palavras infelizes.

Quando alguém está irritado.

Quando a maledicência te procura.

Quando a ofensa te golpeia.

Quando alguém se encoleriza.

Quando a crítica te fere.

Quando escutas uma calúnia.

Quando a ignorância te acusa.

Quando o orgulho te humilha.

Quando a vaidade te provoca.

O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo, por isso é uma poderosa ferramenta para construir e manter a PAZ.

Autor desconhecido (pesquisei  e pesquisei na internet, mas não achei o dono das palavras!)

da Folha Online

Se você precisa editar imagens e o seu bolso não permite comprar um Photoshop saiba que existem muitas opções de programas gratuitos que poderão substituí-lo com muita competência.

Um programa interessante para o leitor pode ser o Paint.NET. Ele é gratuito e de código aberto, incluindo todas as funções básicas e até mesmo algumas mais sofisticadas de um bom editor de imagens como a possibilidade de trabalhar com camadas (layers).

Reprodução

O Paint.NET suporta os principais arquivos de imagem como JPEG, PNG, GIF, TIFF. Tem uma interface simples e com diversos recursos que podem ser aplicados com apenas um clique. Se voce quer remover olhos vermelhos, aplicar filtros e efeitos, trabalhar com camadas e fazer retoques profissionais, o programa é excelente. Você pode baixar o programa no site http://www.getpaint.net/index2.html

Esse programa faz uso de uma estrutura de programação da Microsoft chamada.NET. É possível que você já tenha esse recurso instalado no seu Windows. Contudo, se não o tiver, o programa de instalação o encaminha ao site da Microsoft, onde você pode baixar este recurso e, depois, instalar o Paint.NET.

Num primeiro instante o programa até lembra o programa Paint que acompanha o Windows, mas se o leitor começar a navegar pelos seus menus, verá que o pacote é muito mais atraente.

O programa permite abrir várias imagens ao mesmo tempo e possui inúmeros recursos de retoques, que não deixam nada a dever para o Photoshop. Usando o recurso de camadas ou layers, o leitor poderá criar montagens, mesclando várias imagens ou partes de distintas fotos em uma única imagem.

por José Antonio Ramalho - escritor, jornalista e fotógrafo. Publicou 102 livros sobre tecnologia, mitologia grega e fotografia, traduzidos para o inglês, espanhol, polonês, indonésio e chinês. Ganhou dois prêmios de jornalismo técnico.E-mail: canalaberto@uol.com.br.

por Mariana Barros, da Folha de S.Paulo

Para muita gente, instalar programas para trabalhar é coisa do passado. Inúmeros sites oferecem as mesmas funções de softwares como os que compõem o pacote Office e trazem uma série de vantagens.

A primeira é que a grande maioria dessas aplicações são gratuitas. Mediante um cadastro e a criação de uma conta já é possível colocar a mão na massa e iniciar os trabalhos.

Outra vantagem é que os dados são armazenados no servidor das empresas que fornecem as aplicações, o que faz com que possam ser acessados de qualquer micro conectado.

Se você viaja com freqüência ou costuma compartilhar sua máquina, trabalhar com programas on-line pode ser mais conveniente, além de facilitar as criações em grupo.

Também pode ser mais seguro, já que, se seu computador apresentar um problema técnico ou for perdido, os dados continuarão sãos, salvos e acessíveis. Por outro lado, os documentos podem ficar mais suscetíveis a ataques virtuais.

Os programas baseados na internet também são mais versáteis, pois não têm problema de compatibilidade.

Você pode criar um documento em um micro que utilize Windows e apresentá-lo em outro que utilize Mac OS, por exemplo. Algumas aplicações também interagem com documentos criados em programas como os do Microsoft Office.

Mas as desvantagens também existem. Uma fica por conta da dependência da internet: se não houver uma conexão disponível, não é possível continuar nem apresentar o que já foi feito.

A outra é o limite de armazenamento, que pode ser inferior ao que o usuário precisa e que certamente será menor do que o disponível na máquina.

Opções

Com uma conta no Google, o internauta pode acessar o Google Docs & Spreadsheets (docs.google.com), que permite fazer upload de documentos criados no Word e no OpenOffice.

Ele formata textos, conta palavras, checa ortografia e grava histórico para resgatar versões anteriores.

Já o editor de planilhas tem interface simples e menus organizados, um deles só para fórmulas. É possível compartilhar documentos com outros usuários, selecionando quais terão acesso a quais documentos.

Outra boa opção de escritório on-line é o Think Free (www.thinkfree.com). Com editor de texto, de planilhas e de apresentações, ele oferece 1 Gbyte de espaço de armazenamento e compartilhamento de arquivos.

O site gOffice (www.goffice.com) também oferece editores on-line e cria documentos em PDF. Gratuito e sem limite de armazenamento, ele oferece fontes diferenciadas e ferramentas para decorar e personalizar os arquivos, além de amostras de texto que podem servir de modelo para trabalhos –tudo em inglês.

Com vontade de sacudir a sua casa? Quer dar o troco no vizinho que agitou a madrugada inteira justo no dia em que você precisava acordar às 4h30 da manhã? Uma lista dá algumas sugestões do que pode deixar os ouvidos zunindo - mas sem esquecer da qualidade.

Do G1

A revista britânica “Q” compilou os 20 discos mais barulhentos, que dá ênfase para o rock, mas com espaço para o hip hop. A lista é encabeçada por um dos trabalhos que lançaram as bases para o punk, “Funhouse”, dos Stooges.

O segundo álbum da banda norte-americana tem o clássico TV Eye e foi veículo poderoso para as explosivas performances de Iggy Pop. Na segunda posição, está um dos clássicos do metal, “Reign in blood”, do Slayer, que unia velocidade e pancadaria em sua música.

Já o grupo de rap Public Enemy vem na seqüência com um disco que colocou batidas bastante pesadas e um discurso político afiado sobre a tensão racial nos Estados Unidos: “It takes a nation of millions to hold us back”.

Da geração mais nova, está o grupo de drone metal Sunn 0))), que incomodou muitos com seu som climático e opressivo de seu “White”, de 2006. 

1. The Stooges – “Funhouse” (1970)
2. Slayer – “Reign in blood” (1986)
3. Public Enemy – “It takes a nation of millions to hold us back” (1988)
4. The Jesus And Mary Chain – “Psychocandy” (1986)
5. Big Black – “Songs about fucking” (1987)
6. The Who – “Live At Leeds” (1970)
7. Napalm Death – “Scum” (1987)
8. My Bloody Valentine – “Isn’t anything (1988)
9. Atari Teenage Riot – “The future of war” (1997)
10. Sex Pistols – “Never mind the bollocks” (1977)
11. Neil Young – “Arc weld” (1991)
12. Led Zeppelin – “Led Zeppelin I” (1969)
13. Motorhead – “No sleep til hammersmith” (1981)
14. The Birthday Party – “Prayers on fire” (1981)
15. Black Flag – “Damaged” (1981)
16. Aphex Twin – “I care because you do” (1995)
17. Jimi Hendrix – “Are you experienced?” (1967)
18. Sunn0))) – “White” (2006)
19. AC/DC – “Back in black” (1980)
20. Velvet Underground – “White light/White heat (1967)

por Xico Vargas, em Nomínimo 

Ingredientes 500 g de camarão limpo
2 claras de ovos
½ colher de sobremesa de sal
½ colher de sobremesa de açúcar
2 colheres de chá de maizena
1 dente de alho espremido
2 colheres de café de gengibre ralado
Pão ralado (farinha de rosca)
Sementes de gergelim um pouco picadas
Preparo

Num processador reunir os camarões, as claras de ovo, o sal, o açúcar, o alho, o gengibre e a maizena. Processar até obter uma pasta homogênea. Fazer pequenas bolas, com duas colheres e passar na mistura do pão ralado com o gergelim.
Esquentar numa panela óleo suficiente para cobrir as bolitas e iniciar a fritura. Retirar e levar ao papel absorvente para retirar o excesso de óleo.

Servir com os seguinte molhos

De limão – 2 xícaras de água, ½ xícara de vinagre de arroz, duas colheres de açúcar (pode substituir por mel), 1 colher de sal. Deixar reduzir, após acrescentar o suco de dois limões e raspaduras de um limão (pode ser o siciliano – um pouco mais adocicado – ou o tahiti).

De shoyo – ½ litro de shoyo, 1 xícara de vinagre de arroz, três pimentas variadas (sem as sementes) cortadas em pedaços pequenos, uma colher de café de açúcar ou mel. Deixar em infusão por 3 horas antes de servir.

Do Digestivo Cultural 

1. O preço da veiculação de anúncios na mídia tradicional cairá pela metade em cinco anos;

2. As empresas de mídia líderes de mercado não produzirão mais conteúdo;

3. O comercial de trinta segundos sobreviverá;

4. Veremos a ascensão de especialistas e de agregadores de conteúdo;

5. A morte do slogan será decretada e a história de cada um com a marca se fortalecerá;

6. Departamentos de marketing vão se dividir entre “marketing em forma de histórias” e “marketing em forma de conversação”;

7. Surgirão as “franquias” da marca, por tipo de consumidor;

8. Surgirá a micro marca global;

9. Surgirão as Comunidades Fiscalizadoras da Marca;

10. O Distúrbio de Identidade Digital e a Esquizofrenia Digital serão finalmente reconhecidos, como patologias, pela medicina.

Tradução livríssima (minha) para The future isn’t what it used to be (ou “O futuro não é mais como era antigamente”, segundo a Legião Urbana), um manifesto de Richard Stacy (via Manfatta…)

por Julio Daio Borges

Do Digestivo Cultural

Diz a lenda familiar que, quando o telefone tocou na casa de número 473 da rua Horácio Lafer, na manhã de 24 de agosto de 1977, anunciando meu nascimento, minha avó tirou meia goiaba da mão do meu tio Guelé e enterrou-a no jardim. Diante do olhar estupefato dos tios e de meu avô, Loli, minha avó, anunciou, orgulhosa, brandindo a pazinha vermelha: “nasceu meu primeiro neto e essa vai ser a goiabeira dele!”. De fato, foi. Passei boa parte da infância trepado nela.

Se meu tio estivesse chupando uma laranja ou uma manga, minha infância teria sido seriamente afetada. A goiabeira é uma árvore generosa com as crianças: os galhos saem do tronco a pouca altura, finos o suficiente para agarrar-se neles na subida, mas firmes o bastante para sustentar uma pessoa – ou mais, caso eu concedesse a algum primo, amigo ou irmã o privilégio de desfrutar dos braços de minha (minha!) árvore.

Enquanto eu ficava ali em cima, a catar goiabas, matar sadicamente taturanas e espiar o quintal do vizinho, minha avó cuidava do resto do jardim e conversava comigo. “Olha só, uma bem gorda aqui, Antonio!”, dizia ela, e eu descia correndo para estourar aquelas bolotas cheias de sementes das Marias-sem-vergonha. Gostávamos também de colher framboesas ou morangos silvestres, que ela transformava em geléias e tortas.

O jardim era uma experiência tátil, gustativa, mas principalmente afetiva: era a sala de estar da Loli, o lugar onde ela ficava (e fica ainda) à vontade, com sua pazinha nas mãos, me contando de sua infância em Paquetá, sua vida de estudante nos Estados Unidos e me dando as primeiras lições de subversão – “quem quer fazer besteira não pede licença”, dizia ela, diante de alguma proposta mais heterodoxa de minha parte, como fazer uma fogueira na sala ou pintar o carro do vovô Mario com canetinhas hidrocores.

A goiabeira teve uma morte trágica e prematura: foi assassinada por uma escavadeira – a serviço de uma grande construtora, que achou por bem derrubar um quarteirão de casas geminadas e seus jardins para plantar ali um horrível prédio bege, estilo neoclássico. (Tanto a escavadeira como o mandante – a construtora –, continuam vergonhosamente em liberdade).

Após a demolição da casa da Horácio Lafer, no Itaim, meus avós se mudaram para os cafundós do Morumbi. Nos anos oitenta, isso era quase como ir morar no Xingu. A rua de terra tinha só duas casas, o resto era mato, com cobra, preás e plantas, que eu ajudava a Loli a catar, em verdadeiros safáris botânicos. Depois voltávamos para seu jardim e plantávamos o que havíamos colhido: flores do campo, samambaias, avencas, trepadeiras… Como o interesse dos expedicionários não se restringia ao reino vegetal, chegamos a capturar um preá, com a arapuca feita pelo Zé Baiano, caseiro, meu companheiro de caçadas e pai de Genicleuson e Cleudma. (Também achei e criei um filhote de jararaca, numa caixa de All Star. A moça do Butantã, para onde liguei perguntando o que a cobrinha poderia comer, caso eu não tivesse à mão nenhum camundongo, se limitava a gritar que eu deveria levar a Jararaca imediatamente ao instituto e passar o telefone para algum adulto responsável. Soltei a cobra, dias depois, no mesmo lugar do mato em que a tinha achado, para desespero da minha avó).

A maneira como a Loli lida com as plantas é muito peculiar. Os jardins dos outros são, geralmente, organizados. Uma espécie de triunfo do homem contra a natureza – como se quiséssemos tripudiar da floresta, que por milhares de anos nos amedrontou e nos fez sofrer, vendo-a agora ali, restrita a um pequeno espaço, refém de pás, tesouras e da geometria. Os da minha avó são mais um diálogo do que um domínio. Nada daquele cartesianismo careta de canteiro com cara de tabela pantone: vermelhos aqui, azuis ali, brancos acolá. Seus quintais sempre tiveram uma mistura um tanto anárquica de plantas e flores, uma harmoniosa confusão que faz lembrar mais a Terra do Nunca do que aquelas monotonias vegetais de Versailles. (Aliás, aprendi desde cedo que a poda – esse tipo de poda ornamental, que transforma arbustos em muretas e deixa as árvores parecendo um cotonetão –, é crime hediondo, inafiançável, cujo autor deve queimar eternamente nas chamas do inferno). Percebi com a Loli e suas plantas que a desorganização e o imponderável também são virtudes. Uma visão jazzística da jardinagem, podemos dizer.

Além da mistura, aprendi no quintal, com a minha avó, a desrespeitar a hierarquia. Em suas casas a orquídea não pode mais que a Maria-sem-vergonha, uma florzinha do mato talvez tenha lugar de destaque e, se uma Costela de Adão resolver cantar de galo e fizer sombra sobre as Margaridas, pode sentir a fria repressão da tesoura. Até musgo e erva daninha, se forem jeitosos, cabem.

No início dos anos 90, cansada de morar em uma casa com jardim no fundo, Loli resolveu inverter a equação e morar num enorme jardim (com uma casa na frente), ou seja: um sítio. Fez ali a Pousada da Alcobaça e um jardim que, descontando a ausência de Adão e Eva – serpentes certamente há –, não deve nada ao Éden.

Há uns anos, moro num apartamento térreo, com quintal, e aos poucos vou povoando-o com plantas. O grosso veio do Ceasa, comicamente espremido dentro do meu Ford Ka, mas toda vez que vou a Petrópolis, relembro as missões botânicas do Morumbi, passeando com a Loli pelo jardim e recolhendo mudas para trazer. Tenho alguns jasmins floridos e revoltados (eu coloco fios para eles se enrolarem, mas sempre preferem outros caminhos), muitas Marias-sem-vergonha (com suas bolotas explosivas), um limoeiro e um pé de mexerica preguiçosos (com pouco mais de um metro cada e, ao que parece, sem muita vontade de crescer mais que isso), um alecrim imbatível (na época em que as malditas colchonilhas atacaram todas as plantas, ele saiu incólume), uma azaléia parcimoniosa (em vez de florir-se toda na primavera, dá flores aos poucos, ao longo do ano), manjericões verdes e roxos, uma jardineira cheia de manjerona (foi engano, só descobri que não eram manjericões na primeira garfada de um frustrante macarrão ao pesto), um elegante Pacová (presente de minha amiga Gisela) orquídeas, primaveras, glicínias, violetas e muitas outras plantas.

Há um ano, entrei no Google Earth pela primeira vez. Fiquei abismado ao ver a Terra, girando aos comandos do meu mouse, como um melãozinho de Mossoró sendo avaliado no supermercado. Fui dando um zoom nas Américas, então no Brasil, cheguei em São Paulo, depois na PUC, peguei minha rua, encontrei meu quintal e, para a minha surpresa, vi pequenos pontinhos escuros nele: eram minha azaléia, meus jasmins e manjericões, minhas plantas fotografadas do espaço! Me dei conta, então, de que o único sinal de minha existência na Terra, visto do céu, são as plantas do meu jardim.

Apesar de minha empolgação cósmica, sinto que meu quintal está incompleto. Falta-lhe uma goiabeira. Acho que ainda não plantei uma por respeito – não se enterra uma goiaba assim, sem nenhuma razão especial. Talvez, pensando bem, não possa ser eu a plantá-la. Quem sabe, daqui uns anos, quando o telefone tocar no número 44 da Rua Itacolomi, anunciando o nascimento do meu primeiro filho, minha mãe não tire uma goiaba meio comida da boca do meu padrasto e a enterre, seguindo assim a tradição familiar? Meu filho merece uma goiabeira para subir e, embaixo dela, uma avó como a que eu tive, a mostrar o seu jardim, as bolotas de Maria-sem-vergonha, a subversão, a importância das framboesas, a arbitrariedade da hierarquia, o jazz e outros acontecimentos fundamentais da nossa vida.

Por Antonio Prata

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado numa edição do ano passado da revista Vogue.

do Digestivo Cultural 

Se tem discutido muito por estes pagos o que é preciso para ser um bom escritor, e talvez o único consenso seja o requisito mais óbvio: é preciso ler. Mas não simplesmente ler, é preciso saber o que ler, ter boas chaves de leitura, se possível discutir o que se lê. Assim são nas oficinas de criação literária, que proliferam assustadoramente aqui em Porto Alegre.

Pois este artigo é ao mesmo tempo um serviço a estes candidatos a contistas e uma ironia: obviamente não se vira um escritor depois de se ler 10 contos. Mas também é um ótimo começo para quem quer ser escritor conhecer um pouco sobre o que é o conto e nada melhor do que 10 contos geniais para se entender o que é este gênero cheio de nuances e ambigüidades.

Quem estuda o conto costuma apontar suas origens às histórias bíblicas, às mil e uma noites de Sherezade, às histórias orais, mas a maioria desses estudiosos concordam que o que hoje entendemos por conto moderno se delineia no século XIX com o trabalho dos Irmãos Grimm e as formulações poéticas de Edgar Allan Poe. Poe, autor do célebre poema “O Corvo” e criador da literatura policial, foi dos primeiros a defender a short story num contexto (e numa língua) em que o romance era a forma literária por natureza. Para o poeta e constista, um texto precisa suscitar efeito no leitor, e para tanto ele precisa ser lido de uma só assentada, sem interrupções, daí a necessidade de ser curto: “se alguma obra literária é longa demais para ser lida de uma assentada, devemos resignar-nos a dispensar o efeito imensamente importante que se deriva da unidade de impressão”. Destacamos entre os tantos contos da obra de Poe um bastante curto e presente em muitas antologias contemporâneas, “O gato preto”, publicado em 1845. O enredo é relativamente simples: o narrador mata sua mulher por causa do seu gato, a empareda para esconder o corpo e quando a polícia vai até sua casa um miado de dentro da parede o denuncia: é o gato preto que emparedou-se com a morta e agora o acusa. A construção deste enredo é o que o torna singular e suscita no leitor o efeito pretendido pelo escritor, de pavor, de tensão: Poe não se apressa a chegar ao fim mas mantém no texto apenas o que é necessário, suas descrições das personagens culminarão nos assassinatos, os devaneios do narrador justificarão seus atos e o encadeamento dos fatos, de uma sucessão surpreendente mas incrivelmente lógica, denunciarão o narrador dando o fecho inesperado à história. É o que alguns chamam hoje de “conto de acontecimento”, em que o final é fundamental para a compreensão da história e a criação do efeito no leitor.

Tradutor de Poe e um dos grandes responsáveis pela sua popularização e canonização, o francês Charles Baudelaire não costuma ser chamado de contista, e nem poderia mesmo sê-lo, mas sua obra Spleen de Paris, que infelizmente foi titulada pelos editores de Pequenos poemas em prosa, esconde pelo menos uma dezena de histórias muito interessantes e que bem poderiam hoje ser vistas como conto, ou como miniconto. “Os olhos dos pobres”, publicado em 1869, é um bom exemplo: um narrador (ou sujeito poético) conta para a mulher porque a odeia e lembra do dia em que saem para um rico café e lá vêem um pai com dois filhos maltrapilhos, fascinados com o café; o narrador sente pena mas a mulher se diz enojada e pede que ele mande o maître afastá-los. De uma atualidade impressionante, a pequena narrativa de duas ou três páginas é a síntese da teoria do iceberg, metáfora com que Hemingway mais tarde definirá o conto como aquele um oitavo que está acima do nível da água, sendo a história oculta, o subtexto, a maior parte, submersa. Baudelaire conta a história de um casal que vai a um café, mas sob esta mísera e corriqueira história está toda a desigualdade social que já assola a França, e mais que a desigualdade, o conflito social que gerara tantas revoluções e mortes naquele país.

Diferente do estilo de conto de Poe é o conto do russo Anton Tchekhov, também considerado um mestre: ao invés do final surpreendente, é o desenvolvimento, o jogo entre o dito e o não-dito, o que é oculto e o que é revelado que aprisiona o leitor e produz o tal efeito. Chamado de “conto de atmosfera”, influenciou muito os escritores americanos de Joyce a Clarice Lispector, passando por Machado, Borges e Guimarães Rosa. “Angústia”, de 1886, é um contundente exemplo deste tipo de texto: o cocheiro Iona Potápov tenta contar que perdeu o filho para os passageiros de seu coche, mas não é ouvido por eles nem por ninguém e acaba por falar com seu cavalo sobre a perda. Resumido assim, em duas linhas, o conto perde a força e o sentido exatamente porque é a atmosfera criada por ele ao longo das páginas que tira o leitor do seu lugar confortável e o faz sentir compaixão por aquele protagonista solitário. O narrador em terceira pessoa conduz os sentimentos do leitor como um cocheiro o faz com seu cavalo, para ao fim abandoná-lo à própria solidão de um final que antes de uma solução é um potencializador do conflito.No Brasil temos alguns contistas antes de Machado de Assis, mas é mais ou menos consensual que Machado é o grande nome do conto brasileiro. Leitor de Poe e cronista de jornal, usou e abusou do estilo produzindo uma infinidade de prosas curtas, algumas com feitio de crônica, muitas hoje presença obrigatória no vestibular. Destas a mais famosa e forte talvez seja “Pai contra Mãe”, de 1906, conto em que um homem pobre, Cândido Neves, é pressionado a deixar seu filho na roda dos enjeitados, quando vê na busca de uma escrava a possibilidade de se reerguer e não dar seu primogênito, mas quando pega a mulher, ela está grávida, e ao ser entregue ela acaba abortando por causa da luta. Numa mescla de conto de atmosfera com conto de acontecimento, Machado se utiliza da forma do conto moderno proposta por Poe e a atualiza com um conflito próprio do Brasil imperial e escravista, potencializando este conflito com os valores universais da maternidade, do amor filial, do desejo pela liberdade.

O gaúcho Simões Lopes Neto também usará a fórmula canônica do conto moderno para tratar de temas locais inovando ainda em outro sentido: usará linguagem local. Em Contos Gauchescos, de 1912, Simões (que estudara no centro do país e mesmo na Europa) recria o jeito de falar do gaúcho na figura de Blau Nunes, um legítimo contador de histórias que lança mão de termos como “taba” e “manantial” para reforçar o ambiente espacial. “No manantial” é um destes contos gauchescos em que o espaço, a linguagem e as personagens são gauchescas, mas o conflito é universal: a bela Maria Altina conhece André e marcam casamento; Chicão, que sempre fora apaixonado e rejeitado pela menina, na véspera do casamento invade a tapera, mata a avó com uma machadada e tenta violentar Maria Altina; ela foge a cavalo mas afunda no manantial; André, que seguia os dois, vê o assassino tentando se livrar do manantial, se atira nele, luta com o outro e caem ambos: “três defuntos de razão de morrer tão diferente e de morte tão a mesma”.

Um leitor atento já terá reconhecido o gênio Guimarães Rosa nesta breve explanação sobre Simões Lopes Neto. De fato Rosa, assumido leitor de Simões, se apropria desse narrador em primeira pessoa que faz uso da linguagem como recriação do espaço, levando tal técnica à mestria em Grande Sertão: Veredas. Já nos primeiros contos, porém, se percebe essa recriação lingüística e temática dentro das técnicas do conto formuladas no século XIX, e para tanto basta lermos Primeiras Estórias, boa porta de entrada nas veredas de Guimarães. Entre os tantos belos contos deste livro destacamos “Sorôco, sua mãe, sua filha”, que pode levar o leitor às lágrimas narrando a singela história de um homem que leva sua única filha e sua esposa para um carro que as levará ao hospício. É a criação da atmosfera, do não dito, da angústia de Sorôco por ter de internar uma filha que não entende, a opressão do espaço na vida daquelas pessoas, o que encanta e emociona o leitor. Mas nada disso está dito, é tudo a história oculta, cifrada, a parte submersa do iceberg.

Poderíamos agora citar Clarice ou Borges, ambos gênios que a partir da estrutura do conto moderno recriaram e reinventaram técnicas. Mas permita-nos falar de Luandino Vieira e o premiado, polêmico e fenomenal “A estória do ovo e da galinha”, publicado em Angola em 1965. Primeiro é interessante notar como a estrutura do conto moderno chega ao novíssimo mundo e nele encontra eco, ainda que novamente tenha sua temática e sua linguagem modificadas. Leitor de Rosa, Luandino mescla o português com termos africanos em sua narrativa e compõe uma história muito singular, conseguindo lidar com um tema seríissimo naquele momento histórico, o direito à posse (lembre-se que Angola era colônia de Portugal), sem abrir mão do humor e, digamos, da ginga africana: a história aparente é a briga de duas vizinhas por um ovo posto no quintal de uma pela galinha da outra; a história oculta é a luta sangrenta entre portugueses e africanos sobre quem tem o direito de explorar o solo – e a gente – angolana. E se têm tal direito. Contemporaneamente se verá ecos desse estilo na obra do moçambicano Mia Couto ou no cabo-verdiano Germano de Almeida, por exemplo.

Já vimos em nossa “breve oficina discursiva” que o conto, antes de um gênero, é um termo que designa um tipo de construção narrativa, termo este consolidado pela freqüência do seu uso mas muito pouco sólido para fazermos afirmações estanques. Se por um lado podemos afirmar que a narrativa deve ser breve, contar uma história aparente que esconda uma história oculta e provocar determinado efeito no leitor, as formas de se fazer isso são variadas, infinitas. E se olharmos historicamente para os grandes contos veremos um fio condutor que vai tecendo essa história. Compare-se, por exemplo, “A estória do ovo e da galinha” com o conto do carioca Roberto Drummond “Rosa, rosa, rosae”. Publicado no auge da ditadura, narra a história de um rigoroso professor de latim que observa sua turma em momento de prova, professor este que permite que Rosa, bela morena, cole em suas pernas, para alegria da turma, que liberta-se. Não seria tal narrativa uma alegoria em tempos de ditadura tal qual a disputa pelo ovo em Luandino?

Vale dizer, aliás, que o conto se tornou o tipo de literatura preponderante no Brasil nos anos sessenta, setenta, e alguns estudiosos dizem que exatamente por causa da ditadura: na época era muito comum, por exemplo, jornalistas aproveitarem-se da ambigüidade do conto para fazer críticas contundentes ao regime, aumentando e consolidando uma produção importante deste tipo de ficção no país. Desta época é o hoje canônico “Feliz Ano Novo”, em que Rubem Fonseca narra do ponto de vista de um bandido um ataque violento à uma casa de família rica, com roubo, assassinato e estupro. O conto chocou os leitores e a ditadura da época, sendo censurado reiteradas vezes. De violência aparentemente gratuita, está nas entrelinhas, no subtexto a crítica social que o texto suscita, apagando a possibilidade de entendimento entre as classes para provocar o questionamento naquele leitor que não se identifica nem com o narrador-bandido nem com as ricas e histéricas vítimas.

E para terminar esta quase breve e prepotente oficina chamo a atenção de um outro fenômeno que vem ocorrendo com o conto em tempos muito velozes, tempos de internet: sua miniaturização. Obra exemplar neste aspecto é o livro Ah, é?, de Dalton Trevisan (1994), em que o autor publica cento e poucas histórias minúsculas, algumas com uma ou duas linhas. Este tipo de texto, uma espécie de reinvenção ou aprofundamento do miniconto, tem sido muito explorado por alguns escritores contemporâneos e reflete esta miniaturização do conto, que se antes poderia ter várias páginas agora dificilmente ultrapassa o espaço de duas ou três páginas. Verdade que muitos já clamam por novas terminologias e teses para o conto, considerando ultrapassadas as formulações de intensidade, tensão e efeito, a teoria do iceberg, enfim, as tentativas de se encontrar uma constante neste gênero tão fugidio. Mas para o escritor iniciante é um ótimo começo conhecer um pouco desta história tão bonita e destas teorias tão interessantes, ler mais e mais contos e escolher seus dez, reler estes dez e encontrar semelhanças. Assim se faz, se não um bom escritor, um bom leitor. E de cada dez bons leitores se fará um bom escritor, quem sabe pode ser você, quem sabe posso ser eu…

Os dez contos:

1 “O gato preto”, Edgar Allan Poe [1845]
2 “Os olhos dos pobres”, Charles Baudelaire [1869]
3 “Angústia”, Anton Tchekhov [1886]
4 “Pai contra mãe”, Machado de Assis [1906]
5 “No Manantial”, Simões Lopes Neto [1912]
6 “Sorôco, sua mãe, sua filha”, Guimarães Rosa [1962]
7 “A estória do ovo e da galinha”, Luandino Vieira [1965]
8 “Rosa, rosa, rosae”, Roberto Drummond [1975]
9 “Feliz ano novo”, Rubem Fonseca [1975]
10 “Ah, é?”, Dalton Trevisan [1994]

por Marcelo Spalding
Porto Alegre, 26/6/2007

por Thomas Traumann, colunista de política e chefe da sucursal da revista ÉPOCA no Rio de Janeiro

Pesquisa paradoxal na Geophysical Research Letters mostra que a hidrelétrica de Balbina (Amazonas) gera hoje dez vezes mais metano e gás carbônico (dois dos principais gases provocadores do efeito estufa) do que uma termelétrica de tamanho similar movida a carvão mineral. O motivo é que a represa de Balbina foi construída em área florestada, o que provoca decomposição do material orgânico no fundo do lago. A solução, dizem os cientistas, seria que as próximas usinas fossem represadas sobre áreas completamente desmatadas. A pesquisa contradiz o senso comum de que as hidrelétricas são ambientalmente mais limpas do que as usinas a carvão.

por Carla Rodrigues, em Nomínimo

Existem alguns clichês a respeito das dificuldades que homens e mulheres enfrentam para conquistar o sexo oposto. É lugar-comum, por exemplo, que homens acusem as mulheres de serem umas chatas exigentes demais, que pegam no pé deles exigindo compromisso (leia-se casamento). Elas, apesar de toda a emancipação feminina, continuariam jogando as tranças do alto de uma torre de marfim. Tanto jogo estaria fazendo o efeito contrário – o que seria a justificativa deles para a eterna queixa delas de que está faltando homem. Na verdade, do meu ponto de vista o grande problema está no fato de que ambos os lados mudaram por fora, mas continuam presos a expectativas de relacionamento que repitam o modelo de seus pais e avós, quando homens se limitavam a ser bons provedores financeiros e mulheres, atenciosas donas-de-casa. Com tantas transformações na sociedade, estes papéis se modificaram, mas ainda não temos as referências de como seria viver fora deles. Para muito poucos de nós já faz sentido experimentar a vida cotidiana criando nossas próprias – e novas – referências.

O longo preâmbulo serve como explicação para o tema de que resolvi tratar, tendo como link (em jornalistês chama-se gancho) o Dia dos Namorados. De um grande amigo ouvi, na semana passada, o que seria a fórmula da namorada perfeita: mulher que não dá trabalho. Achei a definição tão curiosa que quis detalhar quais são os quesitos da categoria:

    Dormir na casa deleAcordar na mesma hora que ele

    Topar encontrar apenas nos fins de semana

    Ter seu próprio dinheiro

    Topar qualquer tipo de programa, dos sofisticados aos bregas

    Ser alegre

    Não querer ter filho

A listinha me esclarece perfeitamente qual é o problema. Mulheres, do ponto de vista deste meu amigo, são seres coadjuvantes. Quando se contentam com este papel secundário, não dão trabalho porque simplesmente seguem seu homem. Não dão trabalho porque não reivindicam ser protagonista em momento nenhum. Servem para fazer companhia e, principalmente, servem para tornar a vida do homem mais agradável.

Por enquanto, meu amigo parece feliz com sua namorada perfeita. Não tenho certeza de que ele vá se dar ao trabalho de encontrá-la nesta terça-feira para comemorar o Dia dos Namorados, na medida em que ele dá preferência a encontros nos fins de semana. O relacionamento já completou um ano, marca que ele considera recorde. É claro que meu amigo discorda veementemente da interpretação que faço da sua listinha. Discutimos um pouco o assunto, sei que ele não vai se dar por vencido. Deixamos o café sem chegar a nenhuma conclusão: ele jurando felicidade, eu convencida de que não há grandes emoções nos relacionamentos perfeitos.

por Carla Rodrigues, em Nomínimo

“O prazer de ficar em casa”, de Letícia Ferreira Braga (Casa da Palavra, R$ 21, 80 págs.) , é um livro despretensioso – para ser coerente com o tipo de proposta que faz, não poderia ser diferente. Prega uma idéia muito simples, tão simples que caiu em desuso: nas horas de lazer, fique em casa. Não tente montar uma agenda que inclua três programas por dia de descanso, numa programação intensa de consumo de diversão que não se reflete nem em repouso nem em qualquer tipo de possibilidade de experimentar o santo sossego. É num capítulo com este título que ela vai explorar esta idéia de que em casa, em silêncio, as perspectivas de bem-estar são maiores do que em qualquer programa-roubada. O melhor do livro está nas dicas do que fazer entre quatro paredes. Sei que os mais implicantes vão pensar que é pura bobagem de auto-ajuda, mas qualquer um que já teve o privilégio de experimentar passar um dia inteiro lendo um livro, ouvindo boa música ou simplesmente não fazendo nada saberá do que estou falando. Letícia sugere também que se experimente, para aumentar o prazer de ficar em casa, enfeitá-la com arranjos de flores, tomar prolongados banhos com óleos essenciais, organizar fotos que estão esperando para ser postas em álbuns ou gastar algumas horas na cozinha preparando uma boa refeição.

Coisas simples assim. Num mundo cada vez mais impactado pela pressa e pela correria, é melhor sair para a fila daquele filme recém-lançado ou assistir a um velho documentário que está esperando por um tempo para ser visto? Desencavar velhos CDs na estante pode ser igualmente divertido, sobretudo se você acabou de comprar ou ganhar um tocador de mp3 e pode aproveitar para matar a saudade de algumas músicas prediletas.

De uma maneira geral, sábados e domingos são para mim dias de ficar em casa. E mesmo que eu não faça nada disso que a Letícia sugere, me parece melhor do que ter mais um dia igual aos de trabalho – hora para cumprir compromissos, mesmo que de lazer, obrigação de me arrumar, dirigir, estacionar, entrar na fila…Tudo isso eu já faço a semana inteira. É verdade que Letícia não prega apenas o lazer sem consumo, mas também a idéia de uma vida mais simples, menos pautada pelo que está fora, mais voltada para o que está dentro: de casa e de você mesmo.

Leio quase tudo me cai nas mãos sobre a filosofia da vida simples – inclusive uma revista com este nome. Por mais que eu goste muito da proposta, não consigo exatamente entender como colocá-la em prática. Aceitam-se sugestões.

por Tutty Vasques, em Nomínimo

09.06.2007 |  A sociedade brasileira vive um pesadelo aterrorizante. Lá está você chegando do trabalho, aparência exausta, cumprindo todo o ritual de entrar em casa, trancar a porta, acender as luzes, verificar a correspondência, dar comida aos peixes, ligar a TV e aí, bem, é aí que o sonho de se transforma em pesadelo. É a sua voz ao telefone, não resta dúvida, você está no “Jornal Nacional”, olha lá: é a sua fotinho na metade superior da telinha dividindo o quadro com o 3 x 4 de seu melhor amigo. Legendas ajudam a entender melhor o que vocês conversam ao celular:

- E aí, beleza?

- Tudo em cima.

- Vai rolar a parada?

- Tô achando que vai melar.

- Pô, cara, você está me devendo essa há um tempão.

- O chefão está jogando duro comigo.

- Diz pra esse mané que eu vou mandar meu pessoal aí dar um jeito nele (risos).

- Te ligo mais tarde dando uma posição.

- Té mais!

(Corta!)

No sonho, você aparece na cena seguinte cercado de microfones, tentando explicar que o grampo autorizado pela Justiça flagrou o acerto de contas para um jantar entre velhos camaradas, mas os repórteres insistem:

- Que “parada” é essa a que o senhor se refere?

- A parada era um jantar.

- E o que ele está te devendo, como o senhor disse, “há um tempão”?

- O jantar, ele estava me devendo um jantar desde…

- O tal “chefão” é o cabeça da organização?

- Não, não, é o chefe do meu amigo na firma onde ele trabalha…

- Que “jeito” é esse que o seu pessoal daria nele?

- Não tenho pessoal nenhum, só estava brincando com a idéia maluca de mandar matar o chefe de um amigo que não o libera do trabalho para sair contigo. (Irritado). Eu estava de sacanagem com um velho amigo ao telefone. Será que vocês não têm celular? Nem amigos?

Os repórteres perguntam agora todos ao mesmo tempo enquanto você é conduzido para o camburão da Polícia Federal. O pesadelo acaba com o baque da tampa da caçapa se fechando e interrompendo bruscamente o falatório dos jornalistas. Breu. Sobressalto na cama, corpo suado, baba na fronha, alívio. Você nunca esteve no “Jornal Nacional”

Nunca esteve, mas sua estréia no horário nobre pode ser questão de tempo. Pela quantidade de gente que andam prendendo com base em escutas telefônicas – li dia desses no blog do Guilherme Fiuza que alguns grampos duram mais de 1 ano –, fico imaginando o tamanho do centro de escuta da Polícia Federal. Maior decerto do que o call center do Shoptime. Um dia, mais cedo ou mais tarde, te pegam.

E atire logo a primeira pedra quem nunca disse ao telefone barbaridades muito mais escabrosas do que essas que viram notícia nos telejornais da noite. Vamos lá, tente se lembrar das conversas que costuma manter com os mais íntimos. Metade dos meus amigos estariam comigo na cadeia se grampeassem os papos que levamos no viva voz naquela hora em que estamos todos presos no trânsito.

Não estou aqui a defender esses que usam o celular para malversar o dinheiro público, mas, se quiser decifrar corretamente o material grampeado, os agentes federais precisam levar em conta os códigos de amizade que permeiam certas conversas telefônicas. Ou todo mundo, em algum momento, vai parecer bandido como esses com a voz exposta no “Jornal Nacional”. Como diria Caetano Veloso, no celular ninguém é normal.

Pouca coisa no blog sou eu mesmo quem escrevo. Mas minha primeira participação individual numa corrida vale algumas palavrinhas.

Foram os 5 km mais longos da minha vida, as subidas mais íngremes que já vi e o sol mais escaldante que já senti.

 No fim, tudo deu certo! Cruzei a linha de chegada…

 E o apoio de toda a equipe é fundamental!!!

Até a próxima!