February 2006


A sexta-feira começou bem. Recebi um email da Cris, lá da França. Aix Les Bains… É lá onde fica o maior lago natural da França. Estações de esqui… águas termais… e muito frio!!

Voltando à Cris… Faz quase um ano que a gente se falou pela última vez. Bom, não podemos reclamar, porque antes, ficamos uns quatro sem saber notícias uma da outra.

Eu e a Cris nos conhecemos no Colégio. Há uns… 20 anos (22 pra ser exata!). Cruzes!!! Como estou velha

Pois é… boas amizades, mesmo longe, sempre ficam.

Ah! E para completar a alegria da sexta-feira: o Gustavo volta hoje!!!

Subst. fem. 1. Segurança íntima de procedimento. 2. Crédito, fé. 3. Boa fama. 4. Segurança e bom conceito que inspiram as pessoas de probidade, talento, discrição, etc. 5. Esperança firme.

Disse no post anterior que ia pensar em algo sobre deixar o namorado sozinho no Rio de Janeiro, às vésperas do Carnaval. Então, vou falar de CONFIANÇA. Sim, isso mesmo, confiança.

Confiar não é fácil. É um exercício diário que fazemos em relação aos outros e a nós mesmos. Todos os dias, temos que confirar nos outros e nas outras coisas. Acordamos e precisamos confiar que o relógio despertou na hora certa; que o carro vai ligar; que o elevador vai funcionar; que a empregada não vai faltar…

Todos os dias temos que confiar em nós mesmos. Que a decisão que tomamos é a certa; que a informação que demos vai ajudar; que nossa mente, na hora da reunião, não vai falhar…

Confiar é ter esperança. Esperança de que as coisas vão dar certo… que tudo vai funcionar como você deseja, como você imaginou. Confiar no namorado sozinho no Rio de Janeiro, às vésperas do Carnaval é ter esperança de que ele vai voltar morrendo de saudade, mais apaixonado, cheio de abraços e beijos atrasados para te dar…

Exatamente como você imaginou!!

Hoje eu me superei, hein? Não fiz nenhum “copy and paste” até agora. Só texto original da Laura!!!

Viva euuu!!!

:)

Acho que isso é saudade do Gustavo. Preciso escrever sobre deixar o namorado sozinho no Rio de Janeiro às vésperas do Carnaval. Deixa eu pensar em algo…

Minha amiga se separou! E agora José?

Estranho a sensação de ouvir isso de alguém. De uma amiga, de alguém próximo. Tá… Tudo bem… eu já disse isso para as minhas amigas uma vez. Mas é muito diferente ouvir isso de alguém.

Acho que me chocou mais porque eu estou começando um novo relacionamento. E gato escaldado, a gente sabe…

O medo das coisas não darem certo, muitas vezes, paraliza, ficamos sem ação. Temos receio de seguir em frente, de começar de novo.

Começar… O Aurélio define começo como “O primeiro momento da existência ou da execução duma coisa; princípio, origem.”

Todo o dia é um novo começo. (re) Começar é uma característica do bicho Homem. Se não comessássemos todo dia de uma nova forma, se não tentássemos cada vez fazer diferente e melhor, não saberíamos o que é evolução. E evoluir é “passar por transformações sucessivas, (…) modificar-se”.

E o que isso tem a ver com relacionamentos? Tudo! Com as transformações que passamos, nossas mudanças, acredito, tornamo-nos pessoas diferentes. Diferentes daquelas que, por algum motivo, não tiveram sucesso antes. Não! Não digam fracasso. Nenhum relacionamento é um fracasso. Se, da convivência com alguém, nasceu um relacionamento foi porque algo de bom, em algum momento, existiu. Coisas boas não são um fracasso.

Ninguém muda ninguém – já me disseram. Mas a vida, as experiências, as decpções e as alegrias, os sucessos e os fracassos, tudo isso nos muda um pouco. Hoje, sou diferente do que eu era ontem.

E, se mudamos, o que ontem não deu certo, hoje, pode ser a grande chance. O que ontem foi um sucesso – hei, atenção! – pode realmente naufragar.

Mas também, nada disso pode acontecer!!! Tudo depende de escolhas…

Só que isso é uma outra história…

Hoje, minha amiga Gabi me enviou as fotos da Júlia, sua filha, com 8 meses. Linda! No email com as fotos, ela disse uma frase que me emocionou: “(…) Todas as fases com essa moça têm seu encanto (…)” Essa é a mais pura verdade. E só sabe isso quem é mãe. Quem vê de fora, assim, como espectador, acha bonitinho, engraçadinho, fofinho. Mas encanto, mesmo, só sendo mãe para saber como é.

Há um tempo atrás – não muito, é verdade! -, não me imaginava vivendo esse encanto, essa magia que é ser mãe. Como todo espectador dessa peça que é a vida, achava bonitinho, engraçadinho. Hoje, vivo esse encanto de cada fase, de cada dia.

Tem o encanto do primeiro sorriso; do primeiro dente; da primeira palavra; do primeiro “mamãe”. Depois, os primeiros passinhos; os primeiros tombos. Logo em seguida são as corridinhas, as brincadeiras de esconde-esconde, de boneca, de carrinho. Pouco após, são as manhas, o choro forçado. Admita: qual mãe nunca deu uma risada quando viu seu filho tentando desesperadamente chorar e nenhuma lágrima escorre? No meu caso, agora, estão começando as frases completas. Minha filha já forma o que ela acha ser uma frase com nexo, sentido. Com sentido pra ela. É mais um de seus encantos.

Muitos livros mostram as fases das crianças e o que fazem em cada idade. Eles acreditam que, dessa forma, os pais vão estar preparados para cada momento. Leio alguns e tento encaixar minha Hannah nessas descrições. Vagamente, sim, ela segue cada etapa. Falta apenas emoção nas descrições literárias.

Taí! Livros sobre crianças não deveria ser técnicos. Deveriam ser literatura, com emoção, enredo e personagens. Por que eles não contam pequenas histórias dos seus filhos para identificar cada etapa? Os profissionais que escreveram todos os livros que li até hoje, que me desculpem, criança não é razão. Tantos anos, faz isso, começa a fazer aquilo… Criança é emoção. E nenhuma definição consegue descrever os encantos de cada momento com nossos filhos.

Sinceramente, não sei o que me espera daqui pra frente. Quais encantos me reserva aquela criaturinha de olhos azuis que acorda todo dia do meu lado? Não sei e também não vou especular a respeito, porque o verdadeiro encanto está na surpresa que os pequenos nos reservam!

Para Gabi e Júlia, que ainda têm muitos encantos pela frente

Pequenas estórias que podem resolver muitos problemas na sua empresa. Aproveite!

Lição Nº. 1

Um homem está entrando no chuveiro, enquanto sua mulher acaba de sair dele eestá se enxugando. A campainha da porta toca. Depois de alguns segundos de discussão para ver quem iria atender a porta, a mulher desiste, se enrolanatoalha e desce as escadas. Quando ela abre a porta, vê o vizinho Bob em péna soleira. Antes que ela possa dizer qualquer coisa, Bob diz:

- Eu lhe dou 800 dólares se você deixar cair esta toalha…

Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa a toalha cair e fica nua. Bob então entrega a ela os 800 dólares prometidos e vai embora. Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher se enrola de novo na toalha envolta para o quarto. Quando ela entra no quarto, o marido grita do chuveiro:

- Quem era???

- Era só o Bob, o vizinho da casa ao lado. – diz ela . .

- Ótimo!!! Ele lhe deu os 800 dólares que ele estava me devendo ??? …

Moral da história: Se você compartilha informações a tempo você pode prevenir exposições desnecessárias!!!

Lição Nº. 2

Um padre está dirigindo por uma estrada quando um vê uma freira em pé no acostamento. Ele pára e oferece uma carona, que a freira aceita. Ela entrano carro, cruza as pernas, revelando suas lindas pernas. O padre se descontrola e quase bate com o carro. Depois de conseguir controlar o carro e evitar o acidente, ele não resiste e coloca a mão na perna da freira. A freira olha para ele e diz:

- Padre, lembre-se do Salmo 129…

O padre sem graça se desculpa:

- Desculpe Irmã, a carne é fraca ..E tira a mão da perna da freira.

Mais uma vez a freira diz:

- Padre, lembre-se do Salmo 129…

Chegando ao convento a freira agradece e, com um sorriso enigmático, descedo carro se dirigindo para o convento. Assim que chega à igreja, o padre corre para as Escrituras para ler o Salmo 129, que diz: “Vá em frente, persista, mais acima você vai encontrar a glória”.

Moral da História: Se você não está bem informado sobre o seu trabalho, vocêpode perder grandes oportunidades !!!

Lição Nº. 3

Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e na ruaencontram uma antiga lâmpada a óleo. Eles esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um gênio. O gênio diz:

- Eu só posso conceder três desejos, então, concederei um a cada um devocês…

- Eu primeiro, eu primeiro! – grita um dos funcionários.

- Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupaçãona vida!

Puf!… E ele se foi…

O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido:

Puf!… E ele se foi…O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido:

- Eu quero estar no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de pina colada!

Puff!… E ele se foi…

Agora você! – diz o gênio para o gerente.

- Eu quero aqueles dois de volta ao escritório logo depois do almoço para uma reunião!

Moral da História: Deixe sempre o seu chefe falar primeiro!!!

Lição Nº 4

Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta:

- Eu posso sentar como você e não fazer nada o dia inteiro???

O corvo responde:

- Claro, porque não???

O coelho senta no chão embaixo da árvore e relaxa. De repente uma raposa aparece e come o coelho.

Moral da História: Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estarsentado bem no alto!!!

Lição Nº. 5

Na África, todas manhãs, uma gazela acordava sabendo que ela deve conseguir correr mais do que o leão se quiser se manter viva.

Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais do que a gazela se não quiser morrer de fome.

Moral da História: Não faz diferença se você é gazela ou leão, quando o sol nascer você deve começar a correr !!!

Fala sobre depressão e mudanças. Bem interessante e (acredito eu) bem realista!

A gente puxa a sardinha, se consola, diz que o Abraham Lincoln, o Winston Churchill e o John Lennon eram deprimidos. A gente se coloca em boa companhia e até ataca os diferentes: “quem agüenta um eufórico?

“Mas, semelhantes meus, em português claro, depressão é foda. Ou melhor, não é foda, porque foda é bom. E o deprimido fica lá na cama … sozinho. Pô, amar é importante! A coisa mais importante depende do outro, depende de movimento, de sair da cama para encontrar o outro.

Como depressão atrapalha o amor, carreira profissional e tantas outras coisas, seria tão bom que servisse para alguma coisa. Afinal, não se diz “perde-se aqui, ganha-se ali”?

Na linha de elencar os grandes caras que superaram ou tiraram proveito de sua depressão, há trabalhos que apontam muitos nomes, nas mais diversas áreas, que lograram êxito apesar ou a partir de sua melancolia profunda.

Mas, assim como consolar-se com as desgraças dos outros não funciona durante muito tempo, alimentar-se no exemplo dos semelhantes bem sucedidos também não apresenta desempenho melhor como filosofia de vida ou como bálsamo.

Será que a depressão pode ser útil para alguma coisa? Qualquer coisa? Eu nunca acreditei que sim. Caso pudéssemos escolher, alguém escolheria ter um temperamento depressivo, melancólico? Quem quiser ser um cavalheiro de triste figura põe o dedo aqui!Até ontem, não tinha notícia de que a depressão pudesse ter alguma função para melhorar a vida humana, pois do ponto de vista médico, é doença tratável com remédio e do ponto de vista psicológico, a versão mais difundida é que a depressão está relacionada com agressividade. Como diria a psicanalista de Tony Soprano, “depressão é raiva interiorizada”.

Ontem recebi uma notícia cheia de esperança de uma leitora nova (alguém com potencial para tornar-se um personagem da coluna como Anita, a irritada, Guilherme, o grande comentador de colunas, Sonia, a poeta, Daniel, o blogueiro infernal, e minha amiga petista. Hilde Herzog, a leitora nova, é holandesa, Hilde, a holandesa voadora). A notícia: parece que a depressão tem uma função, parece que serve para …

“Hermelino, acabei de ler uma entrevista (em holandês, senão eu mandaria para
você) com Randolf Nesse, um psiquiatra evolucionista americano, em que ele fala
de depressão. Segundo ele, toda depressão é o resultado da luta por metas
pessoais inatingíveis. O mecanismo de depressão (ele não fala em depressão
clínica grave, resultado de mudanças no cérebro) teria a função de nos ajudar a
adaptar ou a mudar metas. A falta de energia que vem junto com a depressão é
útil para soltar, abandonar projetos, deixar para trás metas que não nos sirvam
mais. Os seres humanos, ainda segundo Nesse, são os únicos animais que trabalham
anos e anos para atingir metas (deve ser porque os outros animais seguem os
instintos e nós, seres humanos, pensamos demais, rs). Quando falhamos, a
depressão surge, e, então, temos a chance de rever metas equivocadas e de criar
espaço na nossa vida para outras metas, se Deus quiser, mais atingíveis!Quando o
entrevistador questiona ‘mas eu sempre pensei que deprimido não fosse do tipo
que senta para pensar…’, Randolf Nesse responde que há muita pesquisa que diz
o contrario: pessoas felizes são pensadores menos críticos do que deprimidos.
Felizes tem mais preconceitos, generalizam mais. Deprimidos são mais analíticos,
racionais e objetivos!!Agora quem fala sou : parabéns aos deprimidos! Parecem
mais inteligentes.”

Obrigado, Hilde, pela parte que me toca.Talvez esse cientista esteja certo. Essa coisa de adaptar-se “motivado” pela depressão talvez tenha acontecido comigo quando optei por não ser apenas artista mas também educador musical. Foram um insight e uma decisão difíceis, pois acreditava que se trabalhasse em outra área não sobraria tempo e energia para a atividade e o mercado da música.

Como o tempo é curioso: ocupei-o quase todo com educação e continuo trabalhando o mesmo tanto na área artística, pouco, como sempre. A grande vantagem foi, como já disse numa coluna anterior, a troca de depressão por cansaço.

Cansaço é melhor. Ganhar mais dinheiro também. Reger uma classe de crianças numa apresentação musical em que se busca fazer arte como se elas fossem profissionais, também. Quando as crianças são estimuladas a viver uma experiência artística real, não apenas como uma brincadeira de montar uma banda ou um programa de auditório, elas se entregam como verdadeiros artistas ou… crianças. E alimentam de volta o artista que há em mim.

Mas esse papo está otimista demais para um deprimido. Preciso urgentemente rever as forças do mal. De uma lista de deprimidos. Lembrei de outra dica da holandesa voadora, uma canção que Seu Jorge canta, de nome Chatterton (ela não soube informar com certeza o compositor):

Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Vargas, suicidou
Nietzsche, enlouqueceu
E eu, não vou nada bem

Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Socrates, suicidou
Goya, enlouqueceu
E eu, não vou nada nada bem

Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Van Gogh, suicidou
Schumann, enlouqueceu
E eu, puta que pariu, não vou nada bem …

(Fonte: Folha Ilustrada – 12/dez/06 – por Hermelino Neder, que é compositor e professor de música. Venceu vários prêmios nacionais e internacionais por suas trilhas sonoras para cinema. É doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP. Tem canções gravadas por Cássia Eller e Arrigo Barnabé, entre outros. E-mail: nederman@that.com.br)

Pelo resumo, deve ser bem interessante. Que tal lermos?

Tudo Depende de Como Você Vê as Coisas
Autor: Norton Juster
(Cia. das Letras, tel. (11) 3707- 3500; R$ 32,50)
Uma das grandes qualidades desse livro são os jogos de palavras usados por Norton Juster para mudar as idéias de lugar e inseri-las em contextos inesperados. Maluco, né? Trata-se de uma estratégia literária, pois as brincadeiras com um duplo sentido, um lugar-comum ou uma frase feita, por exemplo, servem para fazer avançar a história de Milo, o protagonista, que volta para casa após uma viagem e enxerga as coisas de um novo ponto de vista.

A Quarta-Feira de Cinzas

É neste dia que o ano começa de verdade.
E, mesmo assim, só depois do almoço.
Isso se você não estiver na Bahia.
Na Bahia, o ano nunca começa.
Sorte dos baianos.

(Fonte: O2 Neurônio, na Folha)

Londres, 19 fev (EFE).- “O Segredo de Brokeback Mountain”, do diretor Ang Lee, foi hoje o grande vencedor dos prêmios Bafta, o”Oscar britânico”, ao receber quatro prêmios dos nove aos quais concorria, entre eles os de melhor filme e melhor diretor.

O filme, que apresenta uma história de amor homossexual entre cowboys nos Estados Unidos, levou ainda a estatueta ao melhor roteiro adaptado. Jake Gyllenhaal ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante, batendo, entre outros, George Clooney, que concorria com “Syriana” e com “Boa noite e boa sorte”.

O grande fiasco da noite foi “O jardineiro fiel”, do brasileiro Fernando Meirelles, que partiu como favorito com um total de 10 indicações e teve de se contentar com o prêmio de melhor edição.

O Bafta de melhor ator foi para Philip Seymour Hoffman, por”Capote”, enquanto que o prêmio à melhor atriz ficou com ReeseWitherspoon, por seu papel em “Johnny & June”, sobre a vida de Johnny Cash.

(Fonte: Agência EFE – 19/fev/2006)

Tente pronunciar o nome do filme que ganhou o Urso de Berlim deste ano. Tentou?? Eu ainda não consegui! Dizem que foi injusto. Vamos ter que esperar a estréia para saber. E rezar para que as legendas não sejam em alemão…

Urso errado ganha o prêmio principal – Festival de Berlim deu o prêmio principal para filme pouco vistoAh, não. Eles fizeram aquilo de novo. Apenas um ano depois da última festa de gala do Urso de Ouro, o Festival de Cinema de Berlim deu o prêmio principal para um outro filme pouco visto e comentado.O Urso de Ouro do ano passado foi para o sul-africano “u-Carmen e-Khayelitsha”, ainda não exibido na maior parte dos países. Neste ano o prêmio foi para “Grbavica”, de Jasmila Zbanic, da Bósnia, uma história da herança da guerra, dos massacres, dos estupros e das crianças nascidas como resultado de tais violências.

Como o filme foi pouco divulgado no início do festival, vários críticos, incluindo eu, tiveram que assisti-lo com legendas em alemão em uma sala de exibição periférica lotada. Como o meu alemão é “sub-Berlitz”, não chegando nem perto de “sub-Berlim”, fiquei em situação bastante difícil, assim como o dono da enorme cabeça à minha frente, que me atrapalhava a visão. Sobre Grbavica o que tenho a dizer é: eu investi meu tempo no filme; da próxima vez, investirei a minha mente, sentidos e entendimento, eu prometo.

Nem aqueles que viram o filme de forma apropriada o classificaram como um concorrente à altura do Urso de Ouro. As maiores apostas foram feitas no favorito “The Road to Guantánamo” –uma vívida e controversa peça de propaganda do Reino Unido–, que no entanto só redeu um prêmio compartilhado de melhor diretor a Michael Winterbotton e Mat Whitecross.

O resto do dinheiro das apostas, o meu pelo menos, foi para “The Prairie Home Companion”, um clássico da fase madura da carreira de Robert Altman, que acabou não ganhando prêmio algum.

Os melhores da última safra de filmes exibidos foram “L’Ivresse du Pouvoir”, de Claude Chabrol, e “Offside”, de Jafar Panahi. Chabrol dá à sua atriz favorita, Isabelle Huppert, um alegre papel polivalente. Como uma juíza de Paris que investiga altos executivos, em um roteiro que fala sobre propinas e corrupção, Huppert surge na tela usando capas azuis, óculos roxos e luvas vermelhas. Ela diz às suas vítimas que serão entrevistadas que não é permitido fumar em sua sala, e a seguir acende ela própria um cigarro. Em casa, o seu carreirismo ambicioso acabou com o casamento. No trabalho, ela recusa uma oferta de um patrão que deseja que ela abandone o caso, dizendo-lhe: “Guarde o dinheiro para comprar um par de testículos”. O roteiro é agradável, a história inteligente, mas é a atuação de Huppert que realmente fica na memória.

Jafar Panahi fez “The Circle” e “Crimson Gold” (“O Círculo” e “Ouro Carmim”), dois excelentes filmes iranianos, e “Offside” é, quase, mais um ótimo filme. “Quase” porque o tema da opressão das mulheres, tão forte em “O Círculo”, serve como gancho para uma comédia leve em “Offside”, que ganhou o prêmio Grand Jury.

Poderíamos contar com um filme muito interessante, já que a história de seis meninas presas por tentarem assistir a uma partida de futebol internacional é repleta de sátira leve e análises comportamentais agradáveis. A comédia reside no fato de nenhum dos protagonistas masculinos serem capazes de responder a esta simples pergunta: “Por que as mulheres no Irã não têm permissão para assistirem aos jogos de futebol?”.Os filmes alemães estavam mais vigorosos do que ocorre normalmente, mas isso não foi o suficiente para impedir uma sensação de que houve uma sobrecarga chauvinista de produtos nativos (cinco filmes alemães na competição).

O filme “Free Will” de Matthias Glasner, teve alguns momentos muito intensos na sua comprida história de um estuprador preso que tenta se regenerar. E “Longing”, de Valeska Grisebach, uma história de amor de aldeia, almeja uma síntese beatífica, mas com muita freqüência tudo o que consegue é uma simplificação canhestra.

“Requiem”, de Hans-Christian Schmid começa como um tempestuoso estudo da devastação exercida pela epilepsia em uma moça, mas se transforma em uma trama no estilo de Emily Rose sobre possessão satânica e exorcismo. Mesmo assim, ele deu a Sandra Hülller o prêmio de melhor atriz, que fez uma dupla alemã com Moritz Bleibtreu, escolhido como melhor ator pelo seu trabalho no robusto, mas prosaico, “Elementary Particles”, de Oskar Roehler.

O número de azarões que ganharam prêmios deixou a crítica desnorteada. Eu ia terminar dizendo que o diretor do festival, Dieter Kosslick, deveria passar este ano viajando o mundo em busca de filmes melhores para 2007. Mas quando um júri faz com que chovam premiações sobre trabalhos de segunda categoria, deixando os melhores de mãos abanando, fica a sensação de que houve uma generosidade ilusória para com a qualidade.

O testemunho dos prêmios contradiz a memória dos críticos aflitos. A resposta para o próximo ano? Temos que conquistar o direito de questionar os júris antes que eles sejam nomeados. Desta maneira, impediremos que o mundo do cinema seja conduzido a rumos excêntricos pelo terceiro ano consecutivo, e garantiremos que os ursos corretos abracem os filmes certos.

(Fonte: Financial Times – por Nigel Andrews – tradução: Danilo Fonseca)

Achei o texto muito interessante.

Islã é de guerra

Nos primeiros dias após o Onze de Setembro, imperou a confusão. Ali naquela primeira semana, Osama bin Laden foi revelado mandante do crime, apontado entre os Talibãs afegãos e a operação de diplomacia e guerra teve início. Hoje chamamos de Guerra contra o Terror – mas o primeiro nome que teve foi Cruzada contra o Terror. É que algum gênio esqueceu o sentido original da palavra Cruzada. Como não se tratava de uma guerra entre civilizações, o presidente norte-americano foi à televisão e disse que “o Islã é uma religião de paz” e mudou o nome para guerra.

O problema é que o Islã não é uma religião de paz. Nunca foi em sua história, tampouco é agora. Não é uma característica intrínseca do Islã, um defeito genético particular: isto tem a ver com religiões. Religiões não são de paz. Os católicos moveram as Cruzadas sangrentas e queimaram muita gente na fogueira; os Protestantes também queimaram muita gente entre a Alemanha e os EUA. É só ouvir um único discurso do rabino Ovadia Yosef, de Israel, para saber o que um judeu religioso em fúria e com poder poderia fazer. Aliás, não é hábito do Dalai Lama contar sobre o sistema escravagista e bárbaro que a teocracia tibetana mantinha antes da igualmente bárbara invasão maoísta. Religiões derramam sangue.

O que acontece, certamente, é que em determinadas fases da história elas ficam mais calmas – ou melhor, a população ao redor gera anticorpos, fica intolerante ao barbarismo. A Igreja Católica não abandonou a Inquisição porque quis. Foi forçada a isto porque a população começou a se afastar dela.Governos laicos ou religiosos, na Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África têm se mostrado permissivos. Mulás, xeques – até aiatolás no caso iraniano – têm incrível liberdade para condenar alguém à morte. E um incrível número de pessoas considera que uma ordem destas tem valor de lei. Então, mais do que um exercício de liberdade de expressão, uma fatwa é um ato legislativo, uma ordem judicial que, naturalmente, opõe-se à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um líder religioso que condene alguém à morte é um líder fora do sistema de legalidade.

Incrivelmente, o crime que atiça mais a fúria dos religiosos do Islã é o crime de opinião, de manifestar uma idéia. Fora as diferenças óbvias na quantidade de talento, qual a diferença entre a blasfêmia de Salmon Rushdie e a dos cartunistas dinamarqueses? Nenhuma. E, coerentemente, cartunistas e escritor foram condenados à morte. Quem decidiu considerar diferentes os casos são todos os que, pós Onze de Setembro, chegaram à conclusão de que certas coisas a respeito do Islã não podem ser ditas.

O Islã é uma religião organizada de tal forma, hoje, que líderes religiosos podem sair condenando qualquer um à morte, ou ao apedrejamento, ou a chibatadas, e ninguém questiona. Isso não é liberdade de culto, é barbarismo. Há um contexto, claro que há.Os árabes foram conquistadores por boa parte de sua história e, quase sempre, bateram de frente com cristãos conquistadores de origem européia. A experiência do colonialismo árabe no subcontinente indiano é igualzinha à experiência africana com a metrópole européia. Imperialismo é igual em toda parte. Só que houve um momento em que o império árabe ruiu e os árabes viraram, eles próprios, colonos. Os traços de fronteiras impostos por Inglaterra e França no Oriente Médio, ao longo do século 20, são canhestros.

Pior, provavelmente, é a escolha de líderes para cada um destes países feita por europeus e, após a Segunda Guerra, por norte-americanos. Entre ditadores laicos e teocratas, acaba tudo mais ou menos igual. Os ditadores laicos, seja no Iraque, seja no Egito, ou Síria – onde for – acabam fechando os olhos para o que dizem os líderes religiosos porque não querem ficar mal com o povo. Os religiosos fazem o que acham que têm de fazer.

É claro que há um bocado de demagogia em todo o processo – usar a religião e um inimigo externo para entorpecer o povo, fazer com que esqueça de suas próprias agruras, não tem nada de novidade. Por outro lado, olhar com desconfiança para EUA e Europa não tem nada de artificial. A experiência que todo o povo do Oriente Médio tem com os estrangeiros em sua terra é ruim. Se os demagogos exploram o desejo de um inimigo externo por um lado, o inimigo externo não é artificial.

Só que não basta ter razão. Muito se falou da falta de bom senso dos editores dinamarqueses. Nada se falou da falta de bom senso dos muçulmanos, mundo afora, que andaram pelas ruas matando-se uns aos outros, incendiando prédios. Por quê? Não são crianças. Cobrar bom senso dos dinamarqueses para não provocar é mais ou menos como dizer que eles, dinamarqueses, que são adultos, deveriam agir responsavelmente já que as crianças não podem. É como os jesuítas olhavam os índios. Ou seja, cobrar bom senso dos dinamarqueses é pensar de forma imperialista.

No mundo real, não há crianças. Há adultos, todos capazes de exercitar bom senso. E há um mundo no qual todos vivemos, cada qual com o seu quinhão de herança cultural, cada um absolutamente capaz de compreender e até de admirar os costumes alheios. Não basta dizer que a Guerra do Iraque é um despropósito, embora seja. Os erros não são apenas norte-americanos. Os críticos, culpadíssimos, costumam dizer que ninguém deixa espaço para que muçulmanos moderados apareçam.

Quem não deixa espaço? Na Europa eles aparecem, embora raramente. Até porque, como todas as outras pessoas, a maioria dos muçulmanos moderados carregam suas religiões como não mais que um detalhe de suas vidas. Se estes mesmos moderados não aparecem na Arábia Saudita, ou na Síria, ou no Irã, não é por culpa dos EUA, ou da França, ou de Israel. Quem não abre espaço são os fundamentalistas ou os ditadores – ou, o que é mais comum, ambos.

Toda mulher muçulmana tem o direito de usar a burka se quiser. Mas o problema é que, em muitos países, elas não têm o direito de não usá-la. Toda mulher muçulmana tem o direito de casar com quem seu pai escolher. E se ela preferir escolher por si? E se o marido escolher tratá-la a chibatadas? Toda religião, se absoluta, é arcaica. Em algumas partes do mundo, conseguimos enjaular as religiões, tirar delas o grosso de seu poder político. Em outras partes, não conseguimos. O Islã não precisa acabar. Precisa é ser enjaulado de forma que só quem o siga é quem tem a escolha de segui-lo ou não.

O que surpreende, muitas vezes, é gente à esquerda com simpatia pelo Hamas. Defendendo Saddam Hussein. Achando que o governo iraniano tem muitas razões. É o raciocínio torpe de que o inimigo de meu inimigo é amigo. Só que não é. O Hamas ou a atual liderança iraniana são forças reacionárias, machistas. Estão à direita de boa parte dos Republicanos nos EUA. São eleitos, também, então que se procure uma conversa, e conversa é possível sempre. Para isto existe liberdade de expressão: para que as pessoas possam conversar, deixar sempre muito claro onde estão para aí encontrar algum tipo de forma de coabitação pacífica.

A coabitação pacífica é possível. Mas de que cada um está disposto a abrir mão para que viver nos seja agradável a todos? Não se desenhar mais Maomé? É razoável. Não dizer mais que o Islã, hoje, é assassino? Talvez. Deixar que, entre eles, se matem? Desde que seja entre eles. Que proíbam? Que não tenham mais música? Que usem escravos? Crianças escravas? Que matem mulheres por ciúmes? São extremos, claro. Isto não se dá em todo país muçulmano e o cristianismo conviveu até há bem pouco tempo com o mesmo grau de barbárie.

Ainda assim, se nos calamos por conta dos protestos, com que direito nos denominamos civilizados? Daqui de baixo, não parece que os dinamarqueses perderam o bom senso. Quem se mata por caricaturas é que perdeu.

(Fonte: Pedro Dória – 18/fev/06)

Essa é do Gustavo: As “minicríticas” de 10 dos melhores filmes em cartaz feitas pelo Ricardo Feltrin, para a Folha Ilustrada de hoje.

Os dez dos melhores filmes em cartaz nos cinemas

A lista é, obviamente, baseada no gosto pessoal da reportagem, que assistiu a todos os filmes. Trata-se de uma avaliação subjetiva, portanto, mas vale como sugestão para você decidir o que assistir neste final de semana.

Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice) – Baseado no romance da inglesa Jane Austen (1775 – 1817), “Orgulho e Preconceito” mostra como o status social e mesmo moral das mulheres britânicas do início do século 19 dependia extraordinariamente de sua beleza e, principalmente, da sorte em encontrar um bom partido. Bem, fato é que isso sempre foi regra em todo o mundo, e não só no Reino Unido. Numa época em que não existiam nem arremedos das atuais colunas de fofocas, todas as informações sobre os então “socialites” (os partidões) eram feitas pela plebe sequiosa com base no diz-que-diz. Claro que isso deveria gerar uma cadeia sem fim de calúnias e informações incorretas sobre a vida alheia. No caso de mocinhas casamenteiras, um erro poderia ser fatal. Esta é, grosso modo, a base deste excelente drama romântico dirigido por Joe Wright, que ainda teve a bênção de contar no papel principal com a encantadora Keira Knightley, que concorre ao Oscar de Melhor Atriz.

Johnny & June (“Walk the Line”) – Não leve nenhum susto se o nome de Reese Witherspoon for pronunciado após o “the Oscar goes to…” de Melhor Atriz, no próximo dia 5 de março, em Hollywood. Porque Reese simplesmente deita e rola no papel da cantora June Carter (1929 – 2003). Tanto ela como Joaquin Phoenix (também indicado ao prêmio de Melhor Ator) cantam de fato no filme e… surpresa: além da ótima interpretação, ambos dão uma aula de canto e afinação. Jonnhy Cash tinha um pai alcoólatra grosseirão e desligado da cultura. Já sua mãe adorava música. Um de seus passatempos era cantar hinos gospel com o filho. Nesse ponto, June teve mais sorte. Vinha de uma família ajustada e cheia de cantores, que não tinha vergonha de se exibir em programas de rádio na Virgínia. Mesmo assim, o sucesso não lhe sorriu facilmente. Vejam só o destino: Johnny, autodidata em violão, se tornou um astro porque soube agarrar o centímetro cúbico de oportunidade que passou diante de si. Enquanto a menina cantora batalhava por um lugar ao sol, o céu se escancarava para Johnny Cash. E com seus raios vieram a fama, o dinheiro, as mulheres e as drogas. A versão sexo, drogas e country n’roll nos anos 50. Johnny chafurdou na anfetamina, no uiscão, descuidou da saúde e precipitou o próprio opróbrio. Então surgiu a mão doce e delicada de June, lá no fundo do poço. É essa bela história de amor que é contada de forma arrebatadora em “Johnny e June”. Pode crer: vale seu ingresso.

Syriana – A Indústria do Petróleo (“Syriana”) – Uma crônica contemporânea e complexa que aborda a importância, necessidades, causas e efeitos da política das corporatocracias norte-americanas no Oriente Médio. Se a Academia se deixar hipnotizar pela surpreendente atuação de George Clooney, deve render-lhe homenagem com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Em alguns momentos, “Syriana” é uma parábola. Em outras, é quase um documentário. Mas apertem os cintos, porque a quantidade de personagens e tramas paralelas causa tontura em qualquer um.Paradise Now (idem) – Em algum lugar, bem lá no fundo de um candidato a terrorista, habita um ser humano comum. Muitas pessoas não acreditam, mas essa gente também ama a família, convive com os vizinhos, brinca com crianças, partilha sonhos com seu amor. O caso é que o terrorista rompe o lacre de toda essa “humanidade” quando decide vestir um colete de explosivos e acioná-lo para morrer e ao mesmo tempo matar o maior número possível de inocentes –e não de inimigos. “Paradise Now” mostra como é tolo catalogar essas pessoas meramente como “assassinas insanas”. Porque elas estão conscientes. Assim como Hollywood, que dificilmente premiará a obra com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Crash – No Limite (“Crash”) – Embora todas as apostas e olhares estejam sobre o aclamado “Brokeback Mountain”, a altíssima qualidade do roteiro e da trama de “Crash” o aponta imediatamente como o principal “azarão” capaz de levar a estatueta de Melhor Filme, caso a Academia tenha, digamos, um soluço e não escolha “Brokeback”. Uma das grandes virtudes de “Crash” é abordar de forma pungente o preconceito racial e social que permeia a sociedade, não só nos EUA, mas em todo o Ocidente. O desfecho é absolutamente emocionante e surpreendente. Pode facilmente ser encaixado na categoria “obra-prima”.

A Dama de Honra (“La Demoiselle d’Honneur”) – Uma incrível viagem ao mundo da psicologia e patologia do amor, dirigida por Claude Chabrol (e com participação de boa parte da família Chabrol). Um jovem um tanto insociável (Benoît Magimel) fica obcecado por uma imagem feminina esculpida ao mesmo tempo em que se envolve com uma jovem linda, sexualmente irresistível e completamente doidinha (Laura Smet). O resultado é devastador. Inclusive para o público.

Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones (Stoned) – A estréia do filme vem a calhar com o megashow da banda em Copacabana neste final de semana. Mostra as origens e os desdobramentos da banda inglesa em seus primeiros anos, quando ainda era liderada pelo junkie, porém talentosíssimo Brian Jones. Além da descrição minuciosa da derrocada de Jones, mergulhado em cocaína, “mangüaça” e por um ideal pouco estável de amor livre, o que mais chama a atenção em “Stoned” é o extremo cuidado com que a direção de Stephen Woolley trata os atuais proprietários da banda, Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts. Um filme feito agradar os vivos. Mas que não desrespeita os mortos.

Crime Delicado – No fundo, no fundo, o filme de Beto Brant é uma curiosa história triagular de amor, envolvendo um crítico de teatro solitário, articulado e bastante prepotente (Marco Ricca); uma modelo artística depressiva, e que perdeu uma perna em um acidente (a linda e carismática Lilian Taublib); e um pintor –que transmite a ela, sua musa e protegida, a imagem de gênio, pai e amante. O resultado é, como o próprio título diz, uma delicada incursão pelo erotização, paixão e agressividade humanas. Um filme às vezes denso, recortado por imagens teatrais, nem sempre cheias de sentido. De todo modo, uma obra que faz refletir e que vale a pena ser vista.

Munique (idem) – Filme de Steven Spielberg que conta um pouco –de forma historicamente não muito fiel– do que ocorreu nos bastidores políticos e militares de Israel e do Oriente Médio após o ataque de terroristas palestinos que terminou com a morte de 11 atletas israelenses em 1972, nas Olimpíadas de Munique. A verdade é que ninguém sabe exatamente como foi a “caçada” aos membros do Setembro Negro. Os registros históricos dessa ação ainda estão guardados sob sigilo pelo governo de Israel. Sabe-se apenas que alguns terroristas desse grupo ainda vivem em segurança. Outros foram, de fato, mortos, como mostra o filme. O fato é que o Mossad (serviço secreto de Israel) pode não ser tão infalível como sempre se propagandeou, mas não há dúvidas de que é extremamente discreto e eficiente em ocultar seu trabalho –principalmente se precisar violar algumas leis internacionais, como invadir países vizinhos para praticar os chamados “assassinatos seletivos”. Naquele momento, era a única resposta que o governo poderia dar a seus cidadãos. Em vez de dar a outra face, o olho por olho. Steven Spielberg usa, portanto, a realidade de um crime hediondo para criar uma “semi” ficção, cujo resultado é bom e, em muitos momentos, até empolgante.

Memórias de uma Gueixa (“Memoirs of a Geisha”) – Embora as locações sejam lindas, a fotografia seja espetacular e todo o elenco esteja em grande forma, o filme “Memórias de uma Gueixa” tem um ponto fraco, perceptível já a partir da segunda fase (quando a menina se torna moça): não é uma história à altura de um épico cinematográfico. Vale como diversão para os olhos. Vá lá. Isso já conta muito em cinema.

(Fonte: Folha de São Paulo – Folha Ilustrada – 17/fev/06)

Um artigo bem legal sobre como resolver problemas com as equipes no trabalho.

Pintou problema

Não acredito em fórmulas milagrosas para resolver conflitos. Minha preocupação primordial é auxiliar o gestor ou líder a desenvolver habilidades para resolver problemas dessa natureza e melhorar a qualidade de vida de todos. Para facilitar, procuro sempre abordar os conflitos como um sistema. Compreender como ele funciona e como é mantido é importante para mudar a sua estrutura. Essa abordagem é essencial para entender as mudanças que precisam ser feitas para que o sistema volte a operar adequadamente, superando-se, então, o conflito a ser resolvido. Isso implica entender também como você contribui para o conflito em questão.

No contexto empresarial, por exemplo, na direção de uma equipe, você opta por deixar que os conflitos dentro do departamento sejam resolvidos sem sua interferência, desde que o trabalho seja realizado nos prazos estabelecidos e com a qualidade desejada. Apesar da alta produtividade do grupo, você observa muitas discussões e um clima muito tenso no grupo e sente que os conflitos poderiam ser minimizados. O fato de você exercer pouca autoridade sobre sua equipe pode estar contribuindo para aumentar os conflitos. Mas isso é apenas uma suposição. Você precisará testá-la para observar como o sistema reage.

Vamos ponderar sobre o fato de você contribuir para a manutenção de um problema, agindo ou ficando inerte. Partirei do princípio de que nenhum conflito pode ser resolvido sem comunicação e isso supõe não só falar, como também ouvir. Para alcançar uma comunicação eficiente, proponho o desenvolvimento de algumas habilidades:

Congruência

Uma comunicação congruente significa que, ao falar, suas palavras, corpo, tom de voz e ações transmitam a mesma mensagem. Essa habilidade aumenta sua chance de ser escutado, porque gera uma informação coerente e sincera. Se você transmitir “falsidade” ao se comunicar, comprometerá sua credibilidade.

Assertividade

A assertividade supõe que você irá apresentar o seu ponto de vista sem agressividade, respeitando a visão do seu interlocutor. Isso é importante em conflitos, porque se você atacar ou acusar o outro, ele ficará tão preocupado em se defender que deixará de prestar atenção ao que você tem a dizer e qualquer negociação ficará comprometida.

Empatia ou rapport

Para desenvolver empatia com o seu interlocutor, respeite seu ponto de vista, o que não significa concordar com ele. Você criará empatia ao transmitir respeito ao se comunicar com palavras, gestos e tom de voz.

Descrever o conflito

Descreva os fatos de forma simples e objetiva, use palavras que denotem respeito pelo seu interlocutor e que não dão margem à ambigüidade, e evite o uso de rótulos e palavras ofensivas.

Exprimir seus sentimentos

Mostre como você se sente diante dos fatos, assuma a responsabilidade por suas opiniões e sentimentos, não interprete as razões das atitudes do outro.

Acordo

Saber especificar as mudanças desejadas ou os padrões de qualidade esperada de maneira clara, verificar se o acordo é possível levando em conta os obstáculos.

Resultados

Descrever os resultados do acordo, que pode vir como agradecimento, referências sobre seus sentimentos, dinâmica da relação, resultados concretos e/ou recompensas. A resolução de conflitos será apresentada da seguinte maneira: você descreve o que o incomoda, exprime como se sente a respeito, faz um acordo e fala sobre os resultados.

A proposta é que você fale com congruência, ou seja, seu tom de voz, sua linguagem não verbal e o conteúdo da comunicação devem transmitir a mesma mensagem, pois, muitas vezes, ela é a base da credibilidade, sendo suficiente para resolver conflitos.

Mesmo que você exprima o seu ponto de vista com muita habilidade e respeito, seu interlocutor poderá ficar na defensiva e contra-atacar com respostas silenciosas e até “chiliques”. Propor um acordo não é suficiente e você precisa estar preparado para manter o seu ponto de vista ou renegociar o acordo, se julgar adequado.

Outro aspecto que gera desentendimentos é o que chamamos de “conflitos de informação”, que ocorrem quando não conseguimos nos fazer entender. Diante disso, vale a pena destacar algumas propostas para filtrar a qualidade da informação que você recebe, assim como estratégias para não se sentir manipulado ou obrigado a falar algo que você não queira:

  • Organizar, passo a passo, o raciocínio para tomar decisões e aumentar a opção de escolhas;
  • Compreender como o conflito se estrutura e o que é preciso fazer para modificá-lo;
  • Descrever os valores da empresa para todos seus os membros e transformá-los em ações;
  • Analisar se algum valor da organização está sendo violado, o que invariavelmente gera conflitos;
  • Apresentar um modelo prático para coletar informações, esclarecer significados, identificar limites e oferecer mais escolhas nas situações abordadas.

A habilidade de resolver conflitos pode ser aprendida e traz benefícios, como o fato de poder exercer maior influência sobre a sua vida, ter mais instrumentos para construir e melhorar sua qualidade de vida, melhorar seus relacionamentos, fortalecer a auto-estima, a autoconfiança e o auto-respeito.

No ambiente corporativo, os conflitos podem vir de diferentes formas de pressão psicológica como, por exemplo, desconsiderar ou isolar membros de uma equipe, impedir a expressão de idéias e acusar as pessoas injustamente por algo que elas não tenham responsabilidade. A idéia é demonstrar que a resolução de conflitos é uma habilidade a ser desenvolvida, o que aumenta sua capacidade de lidar com adversidades e desafios do dia-a-dia.

(Fonte: Revista Melhor – Gestão de Pessoas, por Karim Khoury, que é professor do Senac São Paulo e diretor da Acordo Consultoria e Treinamento)

…Fale de Seus Sentimentos
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos “segredos”, nossos erros… O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia!
Se não quiser adoecer…

…Tome Decisões
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

…Busque Soluções
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

…Não Viva de Aparências
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

…Aceite-se
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

…Confie
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

…Não Viva Sempre Triste
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. O bom humor nos salva das mãos do doutor. Alegria é saúde e terapia!

(Fonte: sei lá quem é o autor… mas é bonito!)

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